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A ARTE RENOVA O OLHAR!
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segunda-feira, 2 de março de 2015

Amo-te todo dia!



Amo-te todo dia

Amo-te em cada amanhecer e anoitecer
A luz do dia ou na escuridão da noite 
E é tão ingênua a paixão que em mim transborda
Quanto a moral dos que nada pedem 

Amo-te com alegria e com a tristeza da vida 
Como tudo aquilo que já esteve em sua ida
E a saudade que em mim habita... 
Estou num beco sem saída!

Amo-te nas mais singelas estações
Desde a delicadeza da primavera à pureza do outono,
sou dia após dia amor sem fim
E jamais deixarei de te amar mesmo que haja fim. 

Rafaela Lopes - 2002 Chequer Jorge

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Grande poeta, mestre e amigo professor José Luís Barbosa, o TRIBARTE agradece imensamente sua homenagem!




É aniversário do TRIBARTE! O blog nasceu sob o signo de Câncer e tem por elemento a água e como símbolo o caranguejo a sugerir a gestação e a maternidade, e essa determinação de nutrir emocionalmente o mundo, ainda que um pouco. É o bastião das emoções, do sonho, da imaginação. Por isso vive entre a água e a terra com olhos postos no espaço sideral.
Assim, Aline, lembrou-me uma trilogia que escrevi talvez em 2009, nem sei bem. Trago aqui a primeira parte dela em homenagem ao seu belo trabalho de arte na tribo.


Água vai, choro vão

Corre a água nas veias da Terra
Como seiva sanguínea, povoa de vida
Valões e rios e oceanos.
No indefectível devir, some fluida no ar
Passeia no céu surfando nuvens
Entroviscam-se
Gotas
P
L
U
V
I
A
I
S

Nos veios abertos navegam gente e bicho e planta e pedra
A que a água pede passagem, carrega e dá resgate.
Mas, súbito...
Cessa o curso:
paralisa,
aprisiona,
quimioterapiza
artificializa
mete etiqueta
e vende a vida em metros cúbicos,
pipas, garrafas e garrafões no templo da Terra.
Olho-d’água sujeitado ao lucro
Contingenciado
Medido
Escasseado pra valer.

Dá água nos olhos lembrar a bica no quintal
Saudades
L
A
C
R
I
M
A
I
S


Professor Zeluiz

Imensamente lisonjeada e agradecida!
Muito obrigada por participar conosco de forma plena!
Imenso abraço, Aline Carla Rodrigues.

sábado, 10 de maio de 2014

DIA DAS MÃES - HOMENAGEM ESPECIAL







DIA DA MÃES - HOMENAGEM ESPECIAL

Ela tem a capacidade de ouvir o silêncio.
Adivinhar sentimentos.
Encontrar a palavra certa nos momentos incertos.
Nos fortalecer quando tudo ao nosso redor parece ruir.
Sabedoria emprestada de Deus para nos proteger e amparar.

Sua existência é em si um ato de amor.
Gerar, cuidar, nutrir.
Amar, amar, amar...
Amar com um amor incondicional que nada espera em troca.
Afeto desmedido e incontido, Mãe é um ser infinito.

(Trecho do livro Minha mãe, meu mundo)

Anderson Cavalcante

sábado, 19 de outubro de 2013

Comemorando o centenário de Vinícius de Moraes





A BRUSCA POESIA DA MULHER AMADA
Rio de Janeiro , 1938
Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte!

A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?

Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...

Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.
Vinícius de Moraes

Obs.: As fotos acima são do trabalho fotográfico de Aroldo Vieira de Souza.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Que tal saber um pouco mais sobre poesia?


Este artigo é mais que um tutorial. Muitos alunos gostam de poesias, mas desconhecem sua história, os recursos empregados nelas, os maiores autores, características dos períodos literários. Tudo isso pode, para muitos, tirar um pouco da magia que envolve a leitura, mas considero necessário esse conhecimento para que saibamos interpretar corretamente o que foi escrito. Lembre-se de que, no vestibular, não perguntarão o que você sentiu ao ler e sim as características formais, período literário do qual ela faz parte, recursos estilísticos empregados na poesia e por aí vai. Baseei-me em algumas leituras de livros paradidáticos que uso como fonte para minhas aulas de Ensino Médio por isso a linguagem é um pouco mais técnica.


A Poesia, o Poético, a Poética e o Poema

Na Antiguidade, poesia era ação de fazer qualquer coisa com excelência (um muro, um barco, uma lei, uma canção etc.). Esse é o significado mais amplo dessa palavra, em grego antigo ("poíesis").

Em sentido estrito, os antigos entendiam por poesia a habilidade de construir bem uma composição de palavras, capaz de despertar nas pessoas o sentimento do belo, de elevá-las a um plano espiritual superior e, com graça encantadora, proporcionar o prazer decorrente dessa ordem de coisas. É ainda esse o sentido básico do vocábulo na atualidade, que enfatiza a noção de poesia como arte de refinada construção verbal.

O objeto inventado pela poesia chama-se poema, de modo que este vem a ser um artefato, o produto acabado resultante do fazer artístico. Poema é a obra de arte verbal realizada concretamente.

Poética é o nome da disciplina que estuda a poesia e suas obras, considerando o que elas têm de específico, ou seja, aquilo que lhes é próprio: o poético. Este, por sua vez, é constituído dos elementos fundamentais do poema; o poético é a matéria da poesia, é tudo aquilo de que ela pode falar e o modo como ela fala num poema.

terça-feira, 25 de junho de 2013

A poesia de Caetano Veloso, dica de uma bela aula através do Nova Escola.

Apresente a cronologia da produção do compositor baiano para mostrar como sua obra é importante para a música popular brasileira
Caetano Veloso: Everton Amaro

Objetivos
Conhecer a obra de Caetano Veloso e sua relação com a produção poética brasileira

Conteúdos
  • Obra de Caetano Veloso
  • Música Popular Brasileira (MPB)

Tempo Estimado

Duas aulas

Material Necessário
  • Computadores com acesso à internet e caixas de som
  • Cartolinas e material para a produção dos cartazes
  • Letras das seguintes músicas: 1) "Onde eu nasci passa um rio" [Domingo - 1967]; 2) "Tropicália" [Caetano Veloso - 1967]; 3) "Acrílico" [Caetano Veloso 2 - 1969]; 4) "De palavra em palavra" [Araçá Azul - 1972]; 5) "Rapte-me camaleoa" [Outras Palavras - 1981]; 6) "Outras palavras" [Outras Palavras - 1981]; 7) "Samba da cabeça" [Pipoca Moderna - 1975-1982]; 8) "Uns" [Uns - 1983]; 9) "Haiti" [Tropicália 2 - 1993]; 10) "Rocks" [Cê - 2006]; 11) "Língua" [Velô - 1984].
Flexibilização
Para alunos com deficiência auditiva
Se houver algum aluno surdo na turma, a sugestao é preparar apresentações de slides no powerpoint com as letras das músicas. Conforme as canções sejam tocadas, as letras deverão aparecer nas apresentações.

Introdução
Na trajetória de um artista, são comuns mudanças que demonstram sua evolução e sua ideologia. Há aqueles que são fieis a um único estilo e projeto artístico, mas quando se trata de Caetano Veloso, percebemos uma tendência à experimentação.
Na abertura de Livro Só, de Caetano Veloso, Eucanaã Ferraz comenta: "Tal tendência à dissonância talvez se relacione com o fato de a música de Caetano ser devoradora da modernidade da Bossa Nova, especialmente de João Gilberto. Mas decerto, aponta igualmente para o afastamento desta mesma linhagem em direção às artes mais violentas de vanguarda e à cultura pop, especialmente o rock´n´roll. Por todo efeito, o que se produz está em divergência com as noções convencionais de equilíbrio e harmonia" (2003, p. 18).
Também foi esta a análise feita por João Luiz Lafetá em seu artigo "A poesia em 1970", presente no livro A Dimensão Da Noite. Segundo o crítico: "centrando nossa atenção nas letras das canções, podemos verificar com facilidade até que ponto um compositor como Caetano Veloso está vinculado a quase toda a produção poética brasileira, do Modernismo até nossos dias" (2004, p. 459).
Nesta última quinta-feira (dia 2) Pasquale Cipro Neto, colunista da Folha de São Paulo, em homenagem aos 70 anos de Caetano Veloso, ressaltou a qualidade literária do compositor baiano ao analisar alguns versos da canção intitulada "O homem velho", presente no disco Velô, 1984. Aproveite a riqueza poética das letras de Caetano para explicar aos alunos a criatividade do artista baiano.


Desenvolvimento
Aula 1
Inicie a aula na sala de informática e proponha uma discussão com os alunos, perguntando:
- O que é a Música Popular Brasileira (MPB)?
- Quais são os principais representantes deste estilo musical?
- Qual é a importância da MPB no cenário nacional?

Provavelmente eles deverão lembrar algumas músicas de Chico Buarque, Gilberto Gil ou Roberto Carlos. Pergunte então, se conhecem Caetano Veloso, quais músicas deste cantor já ouviram e o que acham das letras. Em seguida, convide a turma para conhecer o site do compositor baiano e assistir a cinco vídeos sobre sua vida e obra.

sábado, 1 de junho de 2013

POESIA - O MÊS DE JUNHO





O mês de junho é um mês- paixão
Não sei se é o calor da fogueira
Não sei se é o xote, o coco, o xaxado, o forró, o baião
Não sei se é a chuva fina que pede abraço e dengo
Ou se é o dia dos namorados que espalha romance no vento
Ou é o arrasta-pé, coladinho, roçando, no salão
Não sei se a gente lembra que ser casal é arretado
Ou é tudo influência da propaganda da televisão
Mas sei que quem tem xodó fica muito mais apaixonado
E quem não tem quer um amor para fazer um casamento matuto
lá dentro do coração
“Vivam os noivos!”, “Olha pro céu, meu amor... foi numa noite igual a essa que junho entrou para sempre em meu coração...”


Mauricio Gomes

segunda-feira, 19 de março de 2012


 
 Óleo de Vladimir Valegov 


Quando nos mastros mais altos
das escarpas
as bandeiras em desassossego
caminhavam sibililinas
por uma nesga de sol


tu eras um rio
contra a vontade das águas
a desaguar


margens
pássaros
barcos
sedimentos


à procura de uma nova expressão
para todos os azuis


Ainda hoje não te descobri
mas estou a ver-te aqui dos mastros
tão infinita
sentada no cais


Um dia vou encontrar-te
antiga
olhos hasteados


a construir o fim da tarde

(Eufrázio Filipe)


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Conta para mim...



"Conta pra mim de onde a gente se conhece.
De onde vem a sensação de que sempre esteve aqui, quando eu sei que não estava.
Conta onde nasce essa familiaridade toda com os seus olhos.
Onde nasce a facilidade para ouvir a música de cada um dos seus sorrisos.
Onde nasce essa compreensão das coisas que revela quando cala.
Conta de onde vem a intuição da sua existência tanto tempo antes de nos encontrarmos.
Conta pra mim de onde a gente se conhece.
De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci. Conta de onde vem a sensação de que nos conhecemos muito mais do que imaginamos.
De que ouvimos muito além do que dizemos.
De que as palavras, às vezes, são até desnecessárias.
Conta de onde vem essa vontade que parece tão antiga de que os pássaros cantem perto da sua janela quando cada manhã acorda.
De onde vem essa prece que repito a cada noite, como se a fizesse desde sempre, para que todo dia seu possa dormir em paz.
Conta pra mim de onde a gente se conhece.
De onde vem essa repentina admiração tão perene.
De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogavam muito antes dos nossos olhos se tocarem.
Conta por que tudo o que é precioso no seu mundo me parece que já era também no meu.
De onde vem esse bem-querer assim tão fácil, assim tão fluido, assim tão puro.
Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira, a minha vida e a sua seguirão próximas, como eu sinto que nunca deixaram de estar."
Ana Jacomo

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

De nada adiantaria





De Nada Adiantaria.

De Nada Adiantaria,
Se não fosse o tempo,
O Tempo que nos circunda,
O Tempo que nos alimenta,
o Tempo que nos ensina, que nos da força, sabedoria.
Esse mesmo tempo, que ao mesmo tempo nos Limita.

De Nada Adiantaria,
Se não fosse o querer,
O Querer de crescer,
O Querer de mudar,
O Querer de agir, de descobrir.

De Nada Adiantaria,
Se não fosse o Tempo, o Querer e o AMOR.
Pois o Tempo é momentâneo,
O querer é fugaz,
Mas o Amor é o desfecho. É o consumo. É a causa e o efeito.
O amor é a escolha. O amor é ter fé.
O Amor é vida.
                                                                      Aline Cavalcanti Dantas

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

TRANSIÇÕES


Hoje eu sou este rio,
calmo, lento e sereno
Mas já fui tempestade
ao viver a margem

Ninguém sabe
as torturas em que passei
Só eu sei...
Só eu sei...

Minhas pedras
criaram limo,
mas mesmo assim
não hesitei,
continuei.

As árvores que dão sombra
ao meu redor,
no passado eram secas,
contudo houve restauração,
pois as margens que oprimem não são eternizadas;

SÃO APENAS TRANSIÇÕES!

(Carla Rodrigues)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

SAUDADES DE MARIO QUINTANA, (MARIO SEM ACENTO, COMO POETA DIZIA AOS JORNALISTAS), JÁ SÃO 17 ANOS SEM "ELE".





Poema dedicado a Mario Quintana por Manuel Bandeira. Lido pelo autor na sessão da Academia Brasileira de Letras, no dia 25 de agosto de 1966

A Mario Quintana

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares

Quinta essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares,
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas e luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares,
Quintana, os teus quintanares

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares

E quer no pudor dos lares,
Quer no horror dos lupanares,
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares,
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares. 





Amar: 

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.

Mario Quintana



terça-feira, 3 de maio de 2011

"OS OLHOS SÃO AS JANELAS DA ALMA" - Escolha uma janela e envie-nos uma poesia, ou quem sabe uma reflexão... Movimente-se, tente e faça diferente! Beijos.

a)

b)

c)

d)

e)

f)

g)

h)

i)

j)

l)

m)

n)

o)

Eu já escolhi a minha, e você?
Envie sua escolha com a poesia para alineartes2009@gmail.com

quinta-feira, 28 de abril de 2011

FIM DE TARDE



FIM DE TARDE
Paulo Gondim


Foi ali, que te vi passar
Vindo da rua de pedras
Aquela que ia até ao rio
Que banhava a econsta da serra
Que beijava as nuvens no horizonte

E da rua escura, de pedras,
Foste com o rio, até à serra
Banhar-se de luz, nas pedras,
Nas cores do fim de tarde

E lá, nas pedras da serra
Onde se faz mais longa minha espera
Sei que ficas a pensar
Que se põe a olhar
A beleza que encerra
O fim de tarde

E na singeleza desse encontro
Tudo se transforma nesse encanto
Na paz do momento
Todo encantamento
Se faz verdade
Se faz saudade
No fim de tarde


Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=22652#ixzz1KqnUV2UP 






quinta-feira, 24 de março de 2011

O Novo Homem - Carlos Drummond

O Novo Homem
O homem será feito 

em laboratório. 
Será tão perfeito como no antigório. 
Rirá como gente, 
beberá cerveja 
deliciadamente. 
Caçará narceja 
e bicho do mato. 
Jogará no bicho, 
tirará retrato 
com o maior capricho. 
Usará bermuda 
e gola roulée
Queimará arruda 
indo ao canjerê, 
e do não-objecto 
fará escultura. 
Será neoconcreto 
se houver censura. 
Ganhará dinheiro 
e muitos diplomas, 
fino cavalheiro 
em noventa idiomas. 
Chegará a Marte 
em seu cavalinho 
de ir a toda parte 
mesmo sem caminho. 
O homem será feito 
em laboratório 
muito mais perfeito 
do que no antigório. 
Dispensa-se amor, 
ternura ou desejo. 
Seja como for 
(até num bocejo) 
salta da retorta 
um senhor garoto. 
Vai abrindo a porta 
com riso maroto: 
«Nove meses, eu? 
Nem nove minutos.» 
Quem já concebeu 
melhores produtos? 
A dor não preside 
sua gestação. 
Seu nascer elide 
o sonho e a aflição. 
Nascerá bonito? 
Corpo bem talhado? 
Claro: não é mito, 
é planificado. 
Nele, tudo exacto, 
medido, bem posto: 
o justo formato, 
standard do rosto. 
Duzentos modelos, 
todos atraentes. 
(Escolher, ao vê-los, 
nossos descendentes.) 
Quer um sábio? Peça. 
Ministro? Encomende. 
Uma ficha impressa 
a todos atende. 
Perdão: acabou-se 
a época dos pais. 
Quem comia doce 
já não come mais. 
Não chame de filho 
este ser diverso 
que pisa o ladrilho 
de outro universo. 
Sua independência 
é total: sem marca 
de família, vence 
a lei do patriarca. 
Liberto da herança 
de sangue ou de afecto, 
desconhece a aliança 
de avô com seu neto. 
Pai: macromolécula; 
mãe: tubo de ensaio, 
e, per omnia secula
livre, papagaio, sem memória e sexo, 
feliz, por que não? 
pois rompeu o nexo 
da velha Criação, 
eis que o homem feito 
em laboratório 
sem qualquer defeito 
como no antigório, 
acabou com o Homem. 
       Bem feito. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'Versiprosa
Imagem: Salvador Dalí, Nascimento do novo homem.

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