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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Quereres


Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus


O quereres estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

Caetano Veloso



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Não se desespere!




Sonhos
(Peninha)

Tudo era apenas

Uma brincadeira

E foi crescendo

Crescendo, me absorvendo

E de repente eu me vi assim

Completamente seu...


Vi a minha força

Amarrada no seu passo

Vi que sem você não tem caminho

Eu não me acho

Vi um grande amor

Gritar dentro de mim

Como eu sonhei um dia...


Quando o meu mundo

Era mais mundo

E todo mundo admitia

Uma mudança muito estranha

Mais pureza, mais carinho

Mais calma, mais alegria

No meu jeito de me dar...


Quando a canção

Se fez mais forte

E mais sentida

Quando a poesia

Fez folia em minha vida

Você veio me contar

Dessa paixão inesperada

Por outra pessoa...


Mas não tem revolta não

Eu só quero

Que você se encontre

Ter saudade até que é bom

É melhor que caminhar vazio

A esperança é um Dom

Que eu tenho em mim

Eu tenho sim

Não tem desespero não

Você me ensinou

Milhões de coisas

Tenho um sonho em minhas mãos

Amanhã será um novo dia

Certamente eu vou ser mais feliz...

terça-feira, 25 de junho de 2013

A poesia de Caetano Veloso, dica de uma bela aula através do Nova Escola.

Apresente a cronologia da produção do compositor baiano para mostrar como sua obra é importante para a música popular brasileira
Caetano Veloso: Everton Amaro

Objetivos
Conhecer a obra de Caetano Veloso e sua relação com a produção poética brasileira

Conteúdos
  • Obra de Caetano Veloso
  • Música Popular Brasileira (MPB)

Tempo Estimado

Duas aulas

Material Necessário
  • Computadores com acesso à internet e caixas de som
  • Cartolinas e material para a produção dos cartazes
  • Letras das seguintes músicas: 1) "Onde eu nasci passa um rio" [Domingo - 1967]; 2) "Tropicália" [Caetano Veloso - 1967]; 3) "Acrílico" [Caetano Veloso 2 - 1969]; 4) "De palavra em palavra" [Araçá Azul - 1972]; 5) "Rapte-me camaleoa" [Outras Palavras - 1981]; 6) "Outras palavras" [Outras Palavras - 1981]; 7) "Samba da cabeça" [Pipoca Moderna - 1975-1982]; 8) "Uns" [Uns - 1983]; 9) "Haiti" [Tropicália 2 - 1993]; 10) "Rocks" [Cê - 2006]; 11) "Língua" [Velô - 1984].
Flexibilização
Para alunos com deficiência auditiva
Se houver algum aluno surdo na turma, a sugestao é preparar apresentações de slides no powerpoint com as letras das músicas. Conforme as canções sejam tocadas, as letras deverão aparecer nas apresentações.

Introdução
Na trajetória de um artista, são comuns mudanças que demonstram sua evolução e sua ideologia. Há aqueles que são fieis a um único estilo e projeto artístico, mas quando se trata de Caetano Veloso, percebemos uma tendência à experimentação.
Na abertura de Livro Só, de Caetano Veloso, Eucanaã Ferraz comenta: "Tal tendência à dissonância talvez se relacione com o fato de a música de Caetano ser devoradora da modernidade da Bossa Nova, especialmente de João Gilberto. Mas decerto, aponta igualmente para o afastamento desta mesma linhagem em direção às artes mais violentas de vanguarda e à cultura pop, especialmente o rock´n´roll. Por todo efeito, o que se produz está em divergência com as noções convencionais de equilíbrio e harmonia" (2003, p. 18).
Também foi esta a análise feita por João Luiz Lafetá em seu artigo "A poesia em 1970", presente no livro A Dimensão Da Noite. Segundo o crítico: "centrando nossa atenção nas letras das canções, podemos verificar com facilidade até que ponto um compositor como Caetano Veloso está vinculado a quase toda a produção poética brasileira, do Modernismo até nossos dias" (2004, p. 459).
Nesta última quinta-feira (dia 2) Pasquale Cipro Neto, colunista da Folha de São Paulo, em homenagem aos 70 anos de Caetano Veloso, ressaltou a qualidade literária do compositor baiano ao analisar alguns versos da canção intitulada "O homem velho", presente no disco Velô, 1984. Aproveite a riqueza poética das letras de Caetano para explicar aos alunos a criatividade do artista baiano.


Desenvolvimento
Aula 1
Inicie a aula na sala de informática e proponha uma discussão com os alunos, perguntando:
- O que é a Música Popular Brasileira (MPB)?
- Quais são os principais representantes deste estilo musical?
- Qual é a importância da MPB no cenário nacional?

Provavelmente eles deverão lembrar algumas músicas de Chico Buarque, Gilberto Gil ou Roberto Carlos. Pergunte então, se conhecem Caetano Veloso, quais músicas deste cantor já ouviram e o que acham das letras. Em seguida, convide a turma para conhecer o site do compositor baiano e assistir a cinco vídeos sobre sua vida e obra.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

FELICIDADE



FELICIDADE


"O QUE É FELICIDADE?
NÃO SERÁ O SOAR DOS PÁSSAROS MATA A DENTRO? OU O CANTO DOS RIOS A DESLIZAR PELAS PEDRAS?
A FELICIDADE ESTÁ NAS PEQUENAS COISAS, POIS PEQUENA É A FORMA COMO DEVEREMOS PROCURÁ-LA.
PROCURAMOS POR ELA NO AMONTOADO DOS NOSSOS DESEJOS, NA VOLÚPIA DA AQUISIÇÃO FRENÉTICA DOS BENS MATERIAIS, NA ILUSÃO DE AMIZADES SEMPRE INTERESSEIRAS, NO OLHAR PERDIDO E VAZIO DO ÁLCOOL E DAS DROGAS.
ALGUMAS VEZES ACREDITAMOS TÊ-LA ENCONTRADO, MAS MAL DAMOS AS COSTAS E ELA SE VAI.
POR QUÊ? - PERGUNTAMOS MUITAS VEZES. POR QUÊ? PORQUE O QUE VOCÊS ENCONTRARAM, NÃO É A FELICIDADE.
O QUE SE FOI FORAM OS DESEJOS INCONTIDOS DE ENCONTRAR ALGO QUE ACALMASSE SEU CORAÇÃO E SUA ALMA, TÃO ATORMENTADOS PELOS PROBLEMAS DO DIA-A-DIA.
TENTEM LOCALIZAR A FELICIDADE ONDE ELA SEMPRE ESTEVE E VOCÊS NUNCA A PROCURARAM - DENTRO DE SI MESMOS.
DIFÍCIL IMAGINAR ALGO TÃO FÁCIL E AO MESMO TEMPO TÃO DIFÍCIL.
CONTRADITÓRIO.
O CAMINHO É ESSE.
A TRILHA DEVERÁ SER ABERTA POR VOCÊS. UTILIZEM A RAZÃO E O BOM SENSO COMO FOICES E, O AMOR, QUANDO ESTIVEREM CANSADOS DE TANTO AVANÇAR.
CASO SE PERCAM, A BÚSSOLA É O PAI.
AGORA VÃO, FILHOS.
VÃO ENQUANTO É TEMPO, ENQUANTO TÊM TEMPO, POIS A VIDA PASSA E, COM ELA, PASSARÁ A SUA FELICIDADE. MUITA PAZ."


domingo, 22 de julho de 2012

Eba! Eba! Já temos a mais nova campeã do desafio TRIBARTE, e o nome dela é Edilene! Você acertou quem fez a obra foi Giacometti.

Parabéns amiga Edilene, mais uma vez o TRIBARTE agradece a sua maravilhosa participação!



Uma ampla exposição na Pinacoteca do Estado aproxima a obra de Alberto Giacometti do público paulistano.


Pinturas e esculturas, com a mesma maestria

Giacometti nasceu na Suíça, em 1901, mas viveu em Paris de 1922 a 1966, ano em que faleceu. A exposição que está na Pinacoteca é da coleção da “Fondation Alberto et Annette Giacometti”, apresentando obras do início da carreira do artista, passando por várias etapas que compreendem obras do Cubismo, Surrealismo, correntes abstratas e o retorno à figuração. Concretamente, são telas, esculturas, xilogravuras e peças de arte decorativa.

A exposição é impressionante. O domínio técnico do artista é a base para todas as viagens, todas as experiências formais. Giacometti trabalha com elementos mínimos e com grandes objetos; domina a representação da realidade assim como se expressa, alterando a realidade, criando novas perspectivas ou abstraindo formas, sugerindo outras, novas e inusitadas.

Nos retratos pintados ou nas esculturas, o fascínio do artista pela cabeça humana fica evidente. Cabeças achatadas, cabeças esculpidas em diferentes escalas, chegando a admiráveis figuras mínimas que parecem esculpidas em um palito de fósforo, todavia guardando graça e elegância. É notável também a criação de figuras esguias, silhuetas femininas que esbanjam leveza e suavidade. Nas paisagens, imagens de seres emergem de montanhas através dos traços do artista.


Esculturas esguias, elegantes e o autor, entre seus trabalhos.

Ao longo da exposição, distribuída por 12 espaços, mais o espaço central da Pinacoteca, o Octógono, alguns estranhamentos:

Na primeira sala, dedicada à primeira fase do artista, a curadora optou por colocar alguns desenhos de nus atrás de uma parede, como se os escondendo em uma censura velada. O que diria o próprio artista sobre essa decisão?

Em outra sala, é lembrado o encontro entre Giacometti e Jean-Paul Sartre, o intelectual que escreveu dois importantes ensaios sobre o artista. Algumas citações de Sartre, escolhidas pela curadora, foram impressas nas paredes da sala. Nessas, optou-se por frases de grande efeito, mas de conteúdo vazio. O problema não é Sartre.

Agora a exposição se encontra no MAM.

.Fonte: http://valdoresende.com/tag/alberto-giacometti/ 

Segue a música da campeã!


Boa semana amiga!

Obrigada pelo carinho com o TRIBARTE!
Beijos, Aline Carla Rodrigues.

domingo, 1 de abril de 2012

Já temos a mais nova campeã do desafio TRIBARTE LVIII, e o seu nome é Cristiane!

Parabéns com louvor Cristiane!
Você acertou!
Quem fez a obra foi ...

Albert Eckhout

1610, Gröningen, Holanda
1666, Gröningen, Holanda
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
[creditofoto]
Pintor e desenhista, Albert Eckhout veio com Frans Post para Pernambuco, a chamada Nova Holanda na época, na comitiva do governador-general Johan Maurits, conde de Nassau-Siegen, conhecido em nossa história como Maurício de Nassau. O plano era retratar o Brasil holandês para os investidores europeus saberem a importância das terras ocupadas.

Sobrinho do pintor Gheert Roeleffs, Eckhout trabalhava em Amsterdã (Holanda) como ilustrador, aos 26 anos, quando foi convidado para a missão artística de Nassau. De 1637 a 1644, documentou frutas, flores, animais e pessoas do Nordeste brasileiro com desenhos e telas. Ficou fascinado pelo que encontrou no Brasil. A maioria das telas tinha mais de dois metros de altura. Foram pintadas para o Palácio de Friburgo, a residência de Nassau no Recife e foram levadas pelo governador quando os holandeses foram expulsos.

Mesmo após voltar à Europa, continuou a elaborar imagens sobre material recolhido, ainda patrocinado por Nassau. O príncipe presenteava com obras de Eckhout a nobreza europeia. Seu primo Frederico III, rei da Dinamarca, recebeu oito representações de índios brasileiros em tamanho natural e uma série de 12 naturezas-mortas com frutas tropicais. Essa coleção pertence ao Museu Nacional da Dinamarca e só foi exposta no Brasil no final do século 20.

Para o rei da França Luís XIV foi enviada uma coleção de oito pinturas, levadas para a manufatura de tapeçarias dos Gobelins onde foram reproduzidas na série chamada "Tapeçarias das Índias". Elas tornaram-se muito conhecidas e foram tão copiadas que os cartões originais que serviam de matriz para produzir novas tapeçarias se estragaram. O Museu de Arte de São Paulo (Masp) possui cinco da primeira série, a Petites Indes (Pequenas Índias).

Em 1876, D. Pedro II, imperador do Brasil, encomendou cópias de seus quadros, feitas pelo pintor Niels Aagaard Lutzen, que estão hoje no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro. A "Dança dos Tapuias" é considerada a obra-prima de Eckhout. O número de telas produzidas por ele na Nova Holanda pode ser bem maior do que se sabe.

Algumas de suas obras talvez tenham sido destruídas em incêndios. É provável que o próprio Eckhout conservasse alguma coisa para si, pois seus quadros apareceram em coleções particulares muito depois de sua morte. Embora alguns se perdessem durante a Segunda Guerra Mundial, ainda existem 80 telas de pássaros brasileiros, produzidas nos dez anos em que o artista esteve em Dresden, na Alemanha.

Depois do Brasil, Eckhout mudou-se para Amersfoort (1648), cidade onde batizou seus três filhos. Morou em Sachsen, Dresden (1653-1663), contratado por João Jorge II como pintor de sua corte. Mas, vitimado pela malária adquirida em sua estadia na América, voltou para sua cidade natal onde morreu no ano seguinte.

Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Eckhout. Ele não recebeu o mesmo reconhecimento que o colega Frans Post no mundo das artes e ficou esquecido durante séculos. Ainda hoje historiadores contestam o valor artístico de sua obra, exaltando apenas o documental.
Segue a música da campeã!

Muito, muito obrigada por sua participação!
Excelente semana!
Beijos!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SAMPA - FELIZ ANIVERSÁRIO!



Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa


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