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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"O homem não escolhe, é escolhido"


Edson Paduan encontrou sua casa ao acaso



O homem não escolhe as coisas. É escolhido por elas.” A crença do arquiteto Edson Paduan respalda-se no acontecimento que o fez encontrar seu Shangri-la. Ao passar por uma rua do Jardim América, em São Paulo, na primavera de 1988, ele foi como que “chamado” por um antigo sobrado de estilo inglês. A construção, erguida em 1927, estava abandonada, em deterioração e à venda. “Ninguém em sã consciência pensaria em comprá-la, mas logo enxerguei nela a casa dos meus sonhos”, conta. Bastou uma semana, literalmente, para finalizar o projeto de reforma da propriedade. E mais quatro anos para transformá-la em uma espécie de british cottage em plena capital paulista, na qual o apuro de cada detalhe expressa uma personalidade minuciosa.

Quem visita Paduan e sua família pode impressionar-se, à entrada, com o grande portão em estilo Luís XIV, forjado com duas toneladas de ferro. Ao atravessá-lo, chega-se ao belo jardim que circunda a construção principal, de 300 m², pontuado por 14 bonsais exibidos sobre pedestais de mármore. “São como esculturas”, compara. Mais da metade do terreno, de 820 m², destina-se à vida ao ar livre e ao verde. O paisagista Leo Laniado criou canteiros com espécies de clima temperado, além de forrações, ao longo dos muros e do corpo da casa revestidos de tijolos aparentes.


Dali, observam-se elementos da arquitetura original mantidos pelo proprietário: os arcos em estilo Tudor, as três chaminés e os oitões (porções triangulares acima do forro, resultantes do encontro de duas águas de telhado). “Eles imprimem distinção à arquitetura”, considera ele, que ainda incrustou fragmentos ornamentais de fachadas do início do século 20 em diferentes pontos da construção.

Tendo em vista a uniformidade, mármore de carrara arabescato, pedra-sabão e jatobá foram os únicos materiais empregados na residência, com entrada em sua lateral direita. A partir do hall, uma escada leva às suítes do casal e dos dois filhos jovens. A sala de jantar fica à esquerda, discretamente ligada à copa e cozinha; à direita, estão o living e a sala de TV, voltada ao jardim da piscina, que evoca uma fonte, e suas surpresas. Uma delas é o excepcional orquidário, com 350 plantas minuciosamente cuidadas.


Para além das aquisições naturais, a veia colecionista de Paduan evidencia-se casa afora.Obras de arte somam-se a, por exemplo, miniaturas chinesas de instrumentos musicais, canecas e cofres de açúcar feitos de prata (recipientes usados para guardar o “sal doce” nos períodos em que o produto era muito caro), cristais Baccarat e de porcelanas Meissen e companhia das Índias.

Capas de sarja branca vestem os estofados e suavizam o visual dos interiores compartimentados, onde predominam móveis ingleses, portugueses e italianos, dos séculos 18 e 19, em harmonia com peças francesas, alemãs e chinesas. Passear pelos espaços é ainda perceber sua escala humana, os tons nada prosaicos e elegantes das paredes pintadas e a forte ligação com o exterior, através das aberturas diversas e propositalmente sem cortinas para avistar o jardim de contornos precisos.

Estamos na primavera de 2013. Faz exatos 25 anos que o arquiteto, ao acaso, vislumbrou aquela construção antiga e a tornou o que é hoje. Dentro ou fora, ordem, beleza, luxo, calma e volúpia baudelairianos parecem dominar o território habitado por Edson Paduan. “Esta casa tem o tamanho do meu pé”, afirma ele, para indicar que prescinde de qualquer outra.























Fonte: Casa Vogue

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