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sábado, 2 de dezembro de 2017

Casa repleta de obras de arte e com vista para o mar e a Mata Atlântica


Com 800m², esta casa no Guarujá, litoral sul do estado de São Paulo, é um verdadeiro paraíso tropical. A 500m do mar e localizada estrategicamente no meio da Mata Atlântica, a residência tem uma vista panorâmica do mar e da floresta. Em seu interior, o tropical está na paleta de cores dos estofados, nos tons terrosos das paredes e nas obras de arte distribuídas ao longo dos cômodos.

Quem assina este projeto é o escritório Leonardo Junqueira Arquitetura, de São Paulo, empresa que foi contratada em 2015 para atualizar os ambientes e revitalizar toda a área social. Na área interna, os profissionais separaram um grande cômodo que era integrado, criando dois espaços, sala de jantar e de estar. Mantiveram nos dois a deslumbrante vista da piscina e do mar.






domingo, 15 de janeiro de 2017

Henzel Studio leiloa tapetes artsy

Em parceria com a Paddle8, a marca de tapeçaria artesanal irá reverter o valor das vendas para a ONG Goodweave
Henzel Studio - Andy Warhol "Marilyn" com design de Calle Henzel - valor inicial US$ 12.300 (Foto: Divulgação)


Procurando melhorar ainda mais a qualidade do mercado e da mão de obra da tapeçaria artesanal, o Henzel Studio, ao lado da Paddle8, organiza um leilão durante o mês de janeiro, no qual o valor arrecadado será revertido para a ONG GoodWeave. A organização não governamental é a líder internacional no combate contra o abuso da mão de obra infantil na indústria de carpetes, além de oferecer e garantir oportunidades de estudo às crianças das comunidades beneficiadas com os programas.
Henzel Studio - "Ancient visions always freeze" (2013) assume vivid astro focus (AVAF) - valor inicial de US$ 4.815 (Foto: Divulgação)


A iniciativa ainda permitiu que o Henzel Studio Collaborations, inaugurado na Barneys, em Nova York, entrasse em ação. O espaço é o berço para as cocriações ao lado de grandes nomes da arte contemporânea, como Helmut Lang, Richard Prince, Assume Vivid Astro Focus e Marilyn Minter. Além, claro, da extensão de coleções dos trabalhos das fundações parceiras, como Andy Warhol Foundation for the Visual Arts e Tom of Finland Foundation.

Henzel Studio - Helmut Lang "Untitled" (2013) - valor inicial US$ 5.035 (Foto: Divulgação)
Henzel Studio - Anselm Reyle "Untitled" (2012) - valor inicial US$ 3.550 (Foto: Divulgação)


Para o leilão desse mês, o estúdio nova iorquino convidou os artistas à criar e imprimir suas percepções de mundo nos tapetes mais desejados do upper east side. Tapetes selecionados serão vendidos exclusivamente no evento, com autenticidade, certificados e numerados pelo Henzel Studio. Cada peça recebeu o preço de acordo com o tamanho e será oferecida com a metragem pré-definida.
Henzel Studio - "Andy Warhol" Marilyn Maquette com design de Calle Henzel - valor inicial US$ 2.425 (Foto: Divulgação)

Fonte: Casa Vogue

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Como decorar uma mesa cheia de cores, frutas e flores? Saiba através do "Vamos Receber"



No almoço ou jantar, veja ideias tropicais em tons delicados e aconchegantes para receber bem os amigos



Uma mesa cheia de cores, frutas e flores é um convite carinhoso para horas de boa conversa. Nós do Vamos Receber sempre acreditamos nesta ideia! Seja para um almoço ou um jantar, na sala de casa ou no jardim, a produção que compartilhamos a seguir traz tons delicados combinados a elementos que nos remetem ao aconchego.


Compomos a mesa com a Coleção Frutas da Estação, da Tania Bulhões. Apresentada em três diferentes cores, a louça traz pinturas representando a beleza de laranjas, peras e pêssegos. Tons de azul-mar, verde-palmeira e amarelo-citrino foram contemplados nas peças de porcelana que figuram em nossa mesa.











O tom pastel de cada cor dá suavidade e harmonia às pinturas e por isso achamos interessante misturar todas elas na mesma produção.



Alternamos as três cores da coleção nos pratos rasos, pratos de sobremesa e bowls, delimitando um lugar especial para cada convidado. Para quem prefere a suavidade de apenas um tom predominante à mesa, compostos com acessórios delicados, também é uma linda escolha. Outra ideia é usar pratos de sobremesa de uma cor diferente dos pratos rasos e dos bowls, para uma mesa mais colorida.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O Rio de Janeiro continua lindo e sua comida deliciosa por Casa Vogue! Aprecie!





O Rio de Janeiro escolheu um belo domingo para comemorar seus 450 anos. Restaurantes e bares cariocas, que já viraram tradição na cidade, sugerem para os leitores de Casa Vogue um festival de receitas para celebrar a data. Segundo a nutricionista Ana Maria Gonçalves, coordenadora do Curso de Gastronomia do IBMR, "em seus 450 anos, a história gastronômica da Cidade Maravilhosa recebeu forte influência do gosto e das tradições lusitanas, devido à colonização portuguesa. A culinária carioca é a herança da mistura de três povos: portugueses, negros e índios", afirma.


O descolado Market Ipanema apresenta o biscoito artesanal de polvilho com linhaça, da chef Carolina Figueiredo. Já o Clube Gourmet ensina o tradicionalíssimo picadinho carioca de Marcelo Torres, que leva filé mignon, arroz, farofa e banana frita. O Yalla Bistrô, que serve culinária árabe contemporânea no coração do Leblon, ensina a preparar o trio misto, versão árabe dos espetinhos de carne.

Para acompanhar, escolha entre o drinque Salve Rio!, do Zazá Bistrô, e a capirinha de mate e limão do P.J. Clarke's, também conhecida como Rio 450. Se preferir vodka, escolha o Fasano Carioca, do Baretto-Londra, que leva vodka de coco e suco de limão, receita do mixologista André Paixão. Confira abaixo!


Picadinho carioca do Clube Gourmet
Rendimento: 6 porções

Ingredientes

Para o picadinho

• 2 kg de filé mignon
• 500 ml de vinho tinto
• 1 cabeça de alho
• 500 g de tomate
• 300 g de cebola
• Sal e pimenta do reino a gosto

Para o arroz

• 500 g de arroz branco
• 1 l de água
• 4 dentes de alho
• 2 folhas de louro
• Sal a gosto

Para a farofa

• 300 g de farinha de mandioca
• 100 g de cebola
• 50 g de manteira
• Sal a gosto

Para o ovo pochê

• 6 ovos
• 50 ml de vinagre
• 1 l de água
• Sal a gosto

Para a banana frita

• 6 bananas d’água
• 2 ovos
• 300 ml de leite
• 400 g de farinha de rosca

Modo de preparo

O picadinho

• Corte o filé mignon em cubos, sem tirar a ponta da faca da tábua de corte (corte ponta de faca)
• Tempere com sal, pimenta, alho e vinho tinto e deixe marinando por 24 horas
• Após marinado, deixe a panela bem quente, e com um fio de óleo ou azeite, coloque a carne. Quando estiver no ponto, retire a carne da panela e refoge a cebola
• Coloque novamente a carne e então acrescente o louro e o restante da marinada
• Cozinhe até ficar macio e reduzir o caldo

O arroz

• Refogue o alho até dourar, então acrescente o arroz e o sal
• Acrescente a água fervente
• Cozinhe com a tampa da panela fechada por cerca de 15 minutos e então desligue o fogo, mantendo a panela semi aberta por mais 10 minutos

A farofa

• Coloque na panela a manteiga, a cebola cortada em tiras e a farinha de mandioca
• Cozinhe em fogo baixo e deixe a farinha de mandioca torrar

O ovo pochê

• Ferva a água com sal e vinagre
• Adicione cada ovo e mantenha por cerca de 3 minutos

A banana frita

• Misture o leite com o ovo, coloque a banana cortada ao meio descascada, escorra o excesso e empane na farinha de rosca
• Após esse processo, basta fritar
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Rio 450 do P.J. Clarke’s, mixologista Phellipe Spalla

Ingredientes

• 150 ml de mate
• 50 ml de suco de limão
• 60 ml de cachaça Yaguara
• Gelo
• Açúcar ou adoçante

Modo de preparo

Acrescente o mate, o limão, a cachaça e o gelo na coqueteleira e bata. Sirva em um copo baixo, com a boca bem aberta e fundo com concentração de massa de vidro (on the rocks) com meia fatia de limão para decorar
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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Arte democrática para todos os gostos


Objetos sofisticados com perfume de simplicidade

Poucas coisas exalam mais brasilidade do que a beleza do feito à mão e das formas simples, sejam elas refinadamente essenciais ou não. Por isso, Casa Vogue fez uma seleção apurada de peças artesanais de diferentes regiões do país e do mundo que vão dar um toque de humanidade a qualquer décor. Escolha os que têm mais a ver com seu lar!


Ricas superfícies
1 Centro de mesa, africano, de fio de telefone trançado, na Conceito: Firma Casa, R$ 1.376 2 Escultura Vassourinha, de capim ourinho e linha encerada, design Mônica Carvalho, na Olho Interni, R$ 133 3 Cesto Cargueiro, de fibra de arumã, da tribo canela, na Casa Amazonas, R$ 110 4 Escultura Sardinha, portuguesa, de algodão, da Ponto LX, na loja do Museu Afro Brasil, R$ 25 5 Vaso Taça G, de cerâmica, da Kimi Nii, R$ 683 6 Banco Bandeira, de madeira de demolição, na Oficina de Agosto, R$ 280 7 Abanador beninense, de fibra sintética pintada, na loja do Museu Afro Brasil, R$ 20 8 Almofada de seda bordada, design Elisa Lobo, na Amoreira, R$ 1.560 9 Colar Étnico, mauritano, de resina, na Orbi Brasil, R$ 340 10 Chapéu Fulani, malinês, de palha e couro, da tribo fulani, na Katmandu, R$ 480 11 e 12 Estatuetas Figuras Coloniais, beninenses, de madeira, na loja do Museu Afro Brasil, R$ 150 cada 13 Banco de cedro, da tribo paraense assurini, na Casa Amazonas, R$ 300 14 Pente Pantanal, de osso, dos artesãos do Projeto Mãos à Obra Jardim, na Ponto Solidário, R$ 38 15 Vaso Mexicano, da coleção Ronald Assumpção, de cerâmica, na loja do Museu Afro Brasil, R$ 2 mil 16 Vaso do Pantanal, de osso, dos artesãos do Projeto Mãos à Obra Jardim, na Ponto Solidário, R$ 75 17 Sandália infantil, de látex, design Dr. Borracha, na Feira Moderna, R$ 75 Na parede e nos troncos, tinta acrílica fosca; e, na mesa, esmalte acetinado, ambos na cor Anil 2, da Anil Tintas
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Na terra do sol
1 Escultura Santo da Roca, de cedro, de mestre Costinha, na Projeto Terra, R$ 380 2Bancos Totem, de cumaru e sucupira, da MTrancoso, R$ 4.900 o conjunto com quatro 3 Pá de beiju, de piranheira, da tribo meinako, do Xingu, na Casa do Amazonas, R$ 70 4Escultura de papel machê, da Oficina de Agosto, R$ 173 5 Banco da coleção Banquetas, de madeira maciça reaproveitada, de Marcelo Zocchio, da Marcenaria Quiari, na Amoreira, R$ 380 6 Travessa Oval, de tatajuba, da MTrancoso, R$ 320 7 Panela de cerâmica, da tribo amazonense marubo, na Casa do Amazonas, R$ 180 8 Estatueta Padre Cícero, de gesso, na loja do Museu Afro Brasil, R$ 10 9 e 10 Porta-objetos indonésios, de bambu e teca, no Studio Bergamin, R$ 180 cada 11 Centro de mesa indiano, de madeira, no Studio Bergamin, R$ 500,50 12 Centro de mesa Galinhas, de porcelana, design Paula Juchem, na Galeria Nacional, R$ 325 13 Escultura de madeira de demolição, da Oficina de Agosto, R$ 156 14 Banco da coleção Banquetas, de madeira maciça reaproveitada, de Marcelo Zocchio, da Marcenaria Quiari, na Amoreira, R$ 380 Mesa, acervo pessoal, na parede, tinta metalatex acrílica fosca 7029, da Sherwin-Willams, na Anil Tintas; e,à dir., no vaso de acervo pessoal, tinta acrílica fosca Anil 2, da Anil Tintas
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Minimalista e sofisticado
1 O Galo da Serra, xilogravura sobre papel, de J. Borges, na Ponto Solidário, R$ 45 2 Colar Gigante, de cerâmica, design Lidia Lisboa, no Ateliê Lidia Lisboa, R$ 750 3 Escultura Cena de Cinema, de argila, de Nena, no Projeto Terra, R$ 2.980 4 Centro de mesa, de origem zulu, de cerâmica e palha branca, na Passado Composto Design e Antiguidades, R$ 3.500 a dupla 5 Chapéu beninense, de algodão, na loja do Museu Afro Brasil, R$ 80 6 Jarro Inclinado, de cerâmica, dos artesãos da Associação Dom Bosco, na Feira Moderna, R$ 787 Bowl de cerâmica, design Gilberto Paim, na Olho Interni, R$ 976,50 8 Fruteira Futaba P, de cerâmica, da Kimi Nii, R$ 206 Na parede, no tronco e no vaso, tinta acrílica fosca; e, na mesa, esmalte acetinado, ambos na cor Anil 2, da Anil Tintas

Fonte: Casa Vogue

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"O homem não escolhe, é escolhido"


Edson Paduan encontrou sua casa ao acaso



O homem não escolhe as coisas. É escolhido por elas.” A crença do arquiteto Edson Paduan respalda-se no acontecimento que o fez encontrar seu Shangri-la. Ao passar por uma rua do Jardim América, em São Paulo, na primavera de 1988, ele foi como que “chamado” por um antigo sobrado de estilo inglês. A construção, erguida em 1927, estava abandonada, em deterioração e à venda. “Ninguém em sã consciência pensaria em comprá-la, mas logo enxerguei nela a casa dos meus sonhos”, conta. Bastou uma semana, literalmente, para finalizar o projeto de reforma da propriedade. E mais quatro anos para transformá-la em uma espécie de british cottage em plena capital paulista, na qual o apuro de cada detalhe expressa uma personalidade minuciosa.

Quem visita Paduan e sua família pode impressionar-se, à entrada, com o grande portão em estilo Luís XIV, forjado com duas toneladas de ferro. Ao atravessá-lo, chega-se ao belo jardim que circunda a construção principal, de 300 m², pontuado por 14 bonsais exibidos sobre pedestais de mármore. “São como esculturas”, compara. Mais da metade do terreno, de 820 m², destina-se à vida ao ar livre e ao verde. O paisagista Leo Laniado criou canteiros com espécies de clima temperado, além de forrações, ao longo dos muros e do corpo da casa revestidos de tijolos aparentes.


Dali, observam-se elementos da arquitetura original mantidos pelo proprietário: os arcos em estilo Tudor, as três chaminés e os oitões (porções triangulares acima do forro, resultantes do encontro de duas águas de telhado). “Eles imprimem distinção à arquitetura”, considera ele, que ainda incrustou fragmentos ornamentais de fachadas do início do século 20 em diferentes pontos da construção.

Tendo em vista a uniformidade, mármore de carrara arabescato, pedra-sabão e jatobá foram os únicos materiais empregados na residência, com entrada em sua lateral direita. A partir do hall, uma escada leva às suítes do casal e dos dois filhos jovens. A sala de jantar fica à esquerda, discretamente ligada à copa e cozinha; à direita, estão o living e a sala de TV, voltada ao jardim da piscina, que evoca uma fonte, e suas surpresas. Uma delas é o excepcional orquidário, com 350 plantas minuciosamente cuidadas.


Para além das aquisições naturais, a veia colecionista de Paduan evidencia-se casa afora.Obras de arte somam-se a, por exemplo, miniaturas chinesas de instrumentos musicais, canecas e cofres de açúcar feitos de prata (recipientes usados para guardar o “sal doce” nos períodos em que o produto era muito caro), cristais Baccarat e de porcelanas Meissen e companhia das Índias.

Capas de sarja branca vestem os estofados e suavizam o visual dos interiores compartimentados, onde predominam móveis ingleses, portugueses e italianos, dos séculos 18 e 19, em harmonia com peças francesas, alemãs e chinesas. Passear pelos espaços é ainda perceber sua escala humana, os tons nada prosaicos e elegantes das paredes pintadas e a forte ligação com o exterior, através das aberturas diversas e propositalmente sem cortinas para avistar o jardim de contornos precisos.

Estamos na primavera de 2013. Faz exatos 25 anos que o arquiteto, ao acaso, vislumbrou aquela construção antiga e a tornou o que é hoje. Dentro ou fora, ordem, beleza, luxo, calma e volúpia baudelairianos parecem dominar o território habitado por Edson Paduan. “Esta casa tem o tamanho do meu pé”, afirma ele, para indicar que prescinde de qualquer outra.























Fonte: Casa Vogue

terça-feira, 23 de julho de 2013

A caixa cinza do jovem médico por Casa Vogue


Base neutra destaca seus diversos acervos



Ele coleciona coleções. Foi assim que tudo começou, lembra Anderson Leite. Quando o arquiteto aceitou o desafio de decorar o lar de um jovem médico, em Campinas, logo percebeu que o segredo para o sucesso com este cliente seria a criação de espaços expositivos. Era preciso deixar à mostra a coleção de toy art, a de brinquedos, a de almofadas irreverentes e a de bebidas importadas, trazidas, a maioria, como souvenires de viagem. O moço sofre de uma compulsão, ainda num nível saudável, pelo acúmulo.

Foi essa quase patologia do médico que fez com que o cinza se tornasse a cor oficial da morada. Leite percebeu que para valorizar tantos objetos exóticos e coloridos era preciso apostar numa base neutra. Concluiu também que o branco não vinha ao caso. “Como nas coleções já havia muitos itens antigos ou com cara de antigos, achei melhor criar um décor mais moderninho, para que o apartamento não ficasse excessivamente vintage”, explica. Poucos tons são tão in quanto o cinza, atualmente.

Para alcançar a nuance pretendida, as paredes receberam duas demãos de tinta – cada uma delas com um tom diferente. Em seguida, a superfície colorida foi lixada, de modo a revelar ambas as cores. Por fim, as paredes receberam uma camada de resina fosca. O resultado lembra a aparência do concreto. O piso de porcelanato, que é o mesmo na casa toda, também imita cimento.


Com cerca de 90 m², o apartamento têm estar e jantar integrados à cozinha americana. Há muita textura no décor, o que dá dinâmica ao espaço pequeno. O sofá de veludo turquesa, feito por encomenda para a sala, é capitonê; o tapete, logo abaixo, é de pele de carneiro; as paredes que limitam a cozinha têm como acabamento o mosaico de concreto; e ainda há no espaço duas estantes compostas por nichos deslocados uns em relação aos outros.

A estante branca, vizinha à cozinha, está preenchida com célebres garrafas de bebida estrangeiras e nacionais. A negra, em L, recebeu os bonecos de toy art, além de alguns livros e objetos pessoais. A sala de jantar surge entre uma das partes desta estante escura e uma parede coberta com espelho. Ali, as cadeiras Tulipa de Eero Saarinen cercam a mesa que a luminária da Moooi sobrevoa. Ao lado, as banquetas Stool One, de Konstantin Grcic, para a Magis, se alinham junto à bancada da cozinha, com tampo de Silestone cinza.


Na sala de televisão, além do item que lhe dá nome, há uma cama de casal, usada como sofá, onde se amontoam ordenadamente diversas almofadas. De resto, há armários baixos na cor amarelo gema e alguns quadros sobre a parede. O dormitório, por sua vez, é território do design. Tudo ali tem estilo, seja a cama com cabeceira alta de couro brilhante, o abajur Rabbit, a luminária Miyake, ambos da Moooi, o banco Wiggle, de Frank Ghery para Vitra ou a Chair One, de Konstantin Grcic para a Magis.

No lavabo, como no resto do lar, um ponto forte é a iluminação bem trabalhada, ou como se diz, cênica. O ambiente esbanja tons de cinza mais escuros e dourados, sucumbindo a uma versão mórbida de sofisticação. Isso, porque a arte que aparece neste cômodo são as caveiras: uma delas repousa sobre a pia de mármore e outra está representada de modo quase abstrato num quadro sobre o vaso.

Todo o apartamento reflete o cuidado com detalhes de Anderson Leite e, claro, o bom gosto de ambos: arquiteto e cliente. E pensar que todo esse décor surgiu de um transtorno compulsivo socialmente aceito...








quinta-feira, 4 de julho de 2013

Viagem: o charme tradicional de Lyon por Casa Vogue


Tecelagem e gastronomia com anos de apuro
Área medieval de Lyon, com suas vielas estreitas e hotéis-design

Esqueça (por um momento) Paris. A França que se anuncia desde Lyon é acolhedora, interiorana, quase vagarosa. Com mais de 2 milhões de habitantes, a cidade situada nos contrafortes dos Alpes, bem perto da fronteira com a Itália, orgulha-se de preservar suas tradições, algumas milenares, como a tecelagem. E é por causa delas que os viajantes decidem passar por ali e muitas vezes ficar, como atesta a grande quantidade de estrangeiros que escolhem a cidade para viver. “Lyon tem um tamanho que oferece às pessoas o domínio de ruas e avenidas. Sua intensa vida cultural, porém, requer uma vida inteira para ser desvendada”, afirma Marine Guy, do escritório de turismo dessa cidade.

Com uma história que remonta ao Império Romano – e que pode ser conferida nas diferentes ruínas distribuídas por sua colina histórica, da época em que ela era a capital da Gália –, Lyon situa-se entre os rios Ródano e Saône, uma região de fácil acesso a todo o território francês. Por esse motivo, foi um dos principais centros financeiros da Europa desde o fim da Idade Média, atraindo banqueiros e artesãos de todos os tipos. Desde então, sua população vem aprimorando duas atividades principais: a tecelagem e a gastronomia.

É dali e da região da qual a cidade é capital – Rhônes Alps – que saem a maioria dos chefs franceses de renome mundial. O mercado central da cidade, por exemplo, chama-se Paul Bocuse, o cozinheiro mais famoso da França, que mantém ali perto, na vila de Collonges-au-Mont-d'Or, o aclamado Auberge du Pont de Collonges, seu principal restaurante. O rigor estético com que os alimentos são apresentados dentro do mercado, nas pequenas bancas de queijos, frutas e carnes, exemplifica a importância que todos os lyonnaises dão à beleza. Esse apreço também se nota nos milhares de restaurantes populares espalhados pela cidade – são chamados de bouchons, como o celebrado Daniel et Denise, do chef Joseph Viola, que serve pratos clássicos da região, em geral preparados com carne de porco e derivados de leite, em um ambiente informal que lembra uma cantina italiana.
Entrada do Auberge du Pont de Collonges, do papa da gastronomia francesa, Paul Bocuse

Tudo isso forma um cenário para o deleite de arquitetos, designers e decoradores – ou fãs do assunto – que se deliciam pela cidade enquanto exploram seu maior tesouro: a tecelagem. Há séculos, Lyon concentra a produção de tecidos usados para revestir os móveis de castelos de toda a Europa. Não é de se estranhar que os decoradores dos principais palácios de Paris, Madri ou Estocolmo busquem a cidade para restaurar poltronas Luís XV ou bergères do século 17 nos ateliês familiares espalhados pela Vieux Lyon (ou Velha Lyon).

Nessa área medieval da cidade, com suas vielas estreitas e hotéis-design – como o Cour des Loges, que ocupa quatro palazzi italiani renascentistas –, concentram-se oficinas como a Soieries Saint-Georges, especializada na fabricação artesanal de seda, ou a Ebéniste Vincent Julien, que restaura móveis centenários com as mesmas técnicas de sua produção original. Há muitas outras opções de hospedagem de alto luxo, mas o Château de Bagnols, um castelo do século 13 na região do Beaujolais, e o Villa Florentine, outropalazzo renascentista, além de cinco estrelas, são os mais charmosos.

Lyon é patrimônio mundial da humanidade pela Unesco e guarda tesouros da arquitetura, como a sede de sua Opéra, gloriosamente restaurada por Jean Nouvel, o Museu de Belas Artes, com mais de 7 mil m² de área, ou o Instituto Lumière, ao lado da mansão onde os famosos irmãos fizeram a primeira exibição cinematográfica da história. Enquanto a exploram, os visitantes também se deparam com joalherias onde são criadas peças únicas, ateliês de pintura e escultura e uma infinidade de galerias de arte. Um destino que alimenta os mais exigentes paladares e se destaca no contexto europeu por também alimentar – há séculos – os olhares e tatos mais exigentes do mundo.
O exterior do restaurante Auberge du Pont de Collonges, de Paul Bocuse, chama atenção na paisagem graças à ousada mescla de cores fortes


Salão do restaurante Auberge du Pont de Collonges, de Paul Bocuse


Hotel cinco estrelas: Château de Bagnols, na região de Beaujolais


Dependências do Château de Bagnols, na região de Beaujolais


O Château de Bagnols conta com ampla área verde


O Villa Florentine ocupa um belo palazzo renascentista


Em Megéve, o Flocons de Sel abriga um restaurante três estrelas do guia Michelin, sob a batuta do chef Emmanuel Renaut


A menos de duas horas de carro de Lyon, a pequena Megéve é uma joia para os fãs da arquitetura de montanha, da gastronomia e dos esportes de inverno


Lyon concentra a produção de tecidos usados para revestir os móveis de castelos de toda a Europa


Equipamentos tradicionais utilizados até os dias de hoje nas tecelagens de Lyon


Ampla vista de Lyon, cidade com mais de 2 milhões de habitantes, cujo rio Saône é protagonista


Nas colinas da Velha Lyon, a Basílica Notre-Dame de Fourvière, tida como “a alma da cidade”


O complexo cultural Orange Cube, de 2011, uma arquitetura premiada do escritório Jakob + MacFarlane


A imponente Opéra de Lyon, um prédio restaurado pelo arquiteto Jean Nouvel


O Instituto Lumière, ao lado da mansão onde os famosos irmãos fizeram a primeira exibição cinematográfica da história

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