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terça-feira, 23 de julho de 2013

A caixa cinza do jovem médico por Casa Vogue


Base neutra destaca seus diversos acervos



Ele coleciona coleções. Foi assim que tudo começou, lembra Anderson Leite. Quando o arquiteto aceitou o desafio de decorar o lar de um jovem médico, em Campinas, logo percebeu que o segredo para o sucesso com este cliente seria a criação de espaços expositivos. Era preciso deixar à mostra a coleção de toy art, a de brinquedos, a de almofadas irreverentes e a de bebidas importadas, trazidas, a maioria, como souvenires de viagem. O moço sofre de uma compulsão, ainda num nível saudável, pelo acúmulo.

Foi essa quase patologia do médico que fez com que o cinza se tornasse a cor oficial da morada. Leite percebeu que para valorizar tantos objetos exóticos e coloridos era preciso apostar numa base neutra. Concluiu também que o branco não vinha ao caso. “Como nas coleções já havia muitos itens antigos ou com cara de antigos, achei melhor criar um décor mais moderninho, para que o apartamento não ficasse excessivamente vintage”, explica. Poucos tons são tão in quanto o cinza, atualmente.

Para alcançar a nuance pretendida, as paredes receberam duas demãos de tinta – cada uma delas com um tom diferente. Em seguida, a superfície colorida foi lixada, de modo a revelar ambas as cores. Por fim, as paredes receberam uma camada de resina fosca. O resultado lembra a aparência do concreto. O piso de porcelanato, que é o mesmo na casa toda, também imita cimento.


Com cerca de 90 m², o apartamento têm estar e jantar integrados à cozinha americana. Há muita textura no décor, o que dá dinâmica ao espaço pequeno. O sofá de veludo turquesa, feito por encomenda para a sala, é capitonê; o tapete, logo abaixo, é de pele de carneiro; as paredes que limitam a cozinha têm como acabamento o mosaico de concreto; e ainda há no espaço duas estantes compostas por nichos deslocados uns em relação aos outros.

A estante branca, vizinha à cozinha, está preenchida com célebres garrafas de bebida estrangeiras e nacionais. A negra, em L, recebeu os bonecos de toy art, além de alguns livros e objetos pessoais. A sala de jantar surge entre uma das partes desta estante escura e uma parede coberta com espelho. Ali, as cadeiras Tulipa de Eero Saarinen cercam a mesa que a luminária da Moooi sobrevoa. Ao lado, as banquetas Stool One, de Konstantin Grcic, para a Magis, se alinham junto à bancada da cozinha, com tampo de Silestone cinza.


Na sala de televisão, além do item que lhe dá nome, há uma cama de casal, usada como sofá, onde se amontoam ordenadamente diversas almofadas. De resto, há armários baixos na cor amarelo gema e alguns quadros sobre a parede. O dormitório, por sua vez, é território do design. Tudo ali tem estilo, seja a cama com cabeceira alta de couro brilhante, o abajur Rabbit, a luminária Miyake, ambos da Moooi, o banco Wiggle, de Frank Ghery para Vitra ou a Chair One, de Konstantin Grcic para a Magis.

No lavabo, como no resto do lar, um ponto forte é a iluminação bem trabalhada, ou como se diz, cênica. O ambiente esbanja tons de cinza mais escuros e dourados, sucumbindo a uma versão mórbida de sofisticação. Isso, porque a arte que aparece neste cômodo são as caveiras: uma delas repousa sobre a pia de mármore e outra está representada de modo quase abstrato num quadro sobre o vaso.

Todo o apartamento reflete o cuidado com detalhes de Anderson Leite e, claro, o bom gosto de ambos: arquiteto e cliente. E pensar que todo esse décor surgiu de um transtorno compulsivo socialmente aceito...














































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