Dissecar, desconstruir, entender e recriar. Esses são os passos que o artista Michael Mapes segue quando produz uma de suas colagens mega elaboradas. Na verdade, o método é uma grande metáfora visual do que é feito em estudos científicos. Enquanto cientistas dividem animais ou plantas em pequenas partes para entender o funcionamento de cada organela, o artista faz o mesmo com outro objeto de estudo: pinturas de mestres europeus, tais como Rembrandt e Nicolaes Eliasz Pickenoy.
No processo de criação, o americano divide diversas imagens de uma determinada pintura em pequenos pedaços. Assim, várias mãos, olhos, joias e outros detalhes são separados do todo para que possam ser “estudados”. Para aumentar ainda mais a complexidade, ele chega a isolar até os materiais usados na obra original: amostras de tinta, resina, fios de algodão, entre outros. Separar cada detalhe é desconstruí-lo no sentido literal e figurado, defende o artista. Dutch Specimen MT1639, 2013
O próximo passo é remontar a pintura, pensando em como as partes poderiam servir para inspirar e criar novos significados. No processo pseudocientífico de reconstrução, o artista se apropria, para organizar a colagem, de uma infinidade de pequenos objetos e frascos do mundo dos estudos entomológicos, biológicos e forenses. Estão presentes pinos de prender insetos, cápsulas de gelatina, frascos de vidro e tubos de ensaio. Assim, todos os elementos que supostamente serviriam para organizar e facilitar a análise, acabam emprestando à obra uma deliciosa complexidade.
Três das obras de Mapes serão expostas na mostra Face to Face, que acontece em março no Yellowstone Art Museum, em Billings, nos EUA. Dutch Female Specimen: J (detalhe)
Eu sou dos detalhes. Daqueles pequenininhos. São eles que me conquistam. Mãos entrelaçadas, um olhar cúmplice, uma mensagem, uma ligação inesperada. Conversar sobre tudo e nada.
Rir de coisas bobas. Abraço. Cafuné. Dormir de conchinha. Miudezas que tecem o amor todos os dias.