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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Oswald de Andrade




Oswald de Andrade


Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm

(Primeiro caderno do aluno de poesia)



Em 11 de janeiro de 1890 nasce em São Paulo José Oswald de Sousa Andrade, filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade.

Inicia seus estudos, em 1900, na Escola Modelo Caetano de Campos, ainda marcado pelo fato de haver presenciado a mudança do século.

Em 1901, vai para o Ginásio Nossa Senhora do Carmo. Tem como colega Pedro Rodrigues de Almeida, o “João de Barros” do”Perfeito Cozinheiro das Almas desse mundo...”.

Em 1903, transfere-se para o Colégio São Bento. Lá tem como colega o futuro poeta modernista Guilherme de Almeida.

Em 1905, com o São Paulo em ebulição — surge o bonde elétrico, o rádio, a propaganda, o cinema — participa da roda literária de Indalécio Aguiar da qual faz parte o poeta Ricardo Gonçalves.

Em 1908, conclui os estudos no Colégio São Bento com o diploma de Bacharel em Humanidades.

De família abastada, Oswald, em 1909 inicia sua vida no jornalismo como redator e crítico teatral do “Diário Popular”, assinando a coluna "Teatro e Salões". Ingressa na Faculdade de Direito.

Em 1910, monta um atelier com o pintor Oswaldo Pinheiro, no Vale do Anhangabaú. Conhece o Rio de Janeiro, e fica hospedado na residência de seu tio, o escritor Inglês de Souza. Passa o primeiro Natal longe da família em Santos, numa hospedaria de carroceiros das docas.

No ano seguinte, com a ajuda financeira de sua mãe, funda “O Pirralho”, cujo primeiro número é lançado em 12 de agosto, tendo como colaboradores Amadeu Amaral, Voltolino, Alexandre Marcondes, Cornélio Pires e outros. Conhece o poeta Emílio de Meneses, de quem se torna amigo. Lança a campanha civilista em torno de Ruy Barbosa. Passa uma temporada em Baependi, Minas, nas terras da família de seu avô.

Em 1912, viaja à Europa. Visita vários países: Itália, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, França, Espanha. Conhece durante a viagem a jovem dançarina Carmen Lydia, (Helena Carmen Hosbale) que Oswald batiza em Milão. Morre em São Paulo sua mãe, no dia 6 de setembro. Retorna ao Brasil, trazendo a estudante francesa Kamiá (Henriette Denise Boufflers). Reassume sua atividade de redator de “O Pirralho”, onde publica crônicas em português macarrônico com o pseudônimo de Annibale Scipione.

No ano seguinte, participa das reuniões da Vila Kirial e conhece o artista plástico Lasar Segall. Escreve “A recusa”, drama em três atos.

Nasce o seu filho, José Oswald Antônio de Andrade (Nonê), com Kamiá, em 1914. Torna-se Bacharel em Ciências e Letras pelo Colégio São. Bento, onde foi aluno do abade Sentroul. Cursa Filosofia no Mosteiro de São Bento.

Em 1915, participa do almoço em homenagem a Olavo Bilac, promovido pelos estudantes da Faculdade de Direito. Torna-se membro da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras, fundada em São Paulo por Bilac. Chega ao Brasil a dançarina Carmen Lydia, com quem mantém um barulhento namoro. Faz viagens constantes de trem ao Rio a negócio ou para acompanhar Carmen Lydia.

No ano seguinte, publica em “A Cigarra” o primeiro capítulo — e, depois, lança, com Guilherme de Almeida, as peças teatrais “Theatre Brésilien — Mon Coeur Balance” e “Leur Âme”, pela Typographie Asbahr. Faz a leitura das peças em vários salões literários de São Paulo, na Sociedade Brasileira de Homens de Letras, no Rio de Janeiro e na redação “A Cigarra”. Publica trechos de “Memórias Sentimentais de João Miramar” na “A Cigarra” e na “A Vida Moderna”. Sofre de artritismo. A atriz Suzanne Després recita no Municipal trechos de “Leur Âme”. Passa a colaborar regularmente em “A Vida Moderna”, que publica em 24 de maio, cenas de “Leur Âme”. Volta a estudar Direito, cujo curso havia interrompido em 1912. Recebe o convite de Valente de Andrade para fazer parte do “Jornal do Comércio”, edição de São Paulo e em 1º de novembro começa seu trabalho como redator. Redator social de “O Jornal”. Passa temporada com a família em Lambari (MG). Veraneia em São Vicente (SP). Vai regularmente a Santos, em companhia de Carmen Lydia. Continua a viajar intermitentemente ao Rio. Naquela cidade freqüenta a roda literária de Emílio de Meneses, João do Rio, Alberto de Oliveira, Eloi Pontes, Olegário Mariano, Luis Edmundo, Olavo Bilac, Oscar Lopes e outros. Passa temporada em Aparecida do Norte. Está escrevendo o drama “O Filho do Sonho”.

Em 1917, conhece Mário de Andrade. Defende a pintora Anita Malfatti das críticas violentas feitas por Monteiro Lobato ("A exposição de Anita Malfatti", no “Jornal do Comércio”, São Paulo, 11/01/1918). Participa do primeiro grupo modernista com Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto e Di Cavalcanti. De 1917 a 1922 escreve regularmente no “Jornal do Comércio”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

INSPIRE-NOS BEATRIZ MILHAZES!


Beatriz Milhazes

Beatriz Milhazes“Estou interessada no conflito. E no momento que você adiciona mais cores, um conflito sem fim é iniciado.
Portanto é um movimento constante em seus olhos, em você mesmo, em seu corpo…e eu gosto.”

Beatriz Milhazes - Foto da artista

Grande pintora contemporânea brasileira que tem seu próprio estilo de fazer incríveis e belas telas. Psicodelismo e construtivismo fundidos com técnicas e invencionismo próprio tornam suas obras únicas: cores fortes, formas ovais e algumas orgânicas, listras, tudo resultando na sensualidade visual.


A cor é um elemento onipresente na obra de Beatriz Milhazes. Seu repertório estrutural inclui a abstração geométrica, o carnaval e o modernismo.


A artista trabalha freqüentemente com formas circulares, sugerindo deslocamentos ora concêntricos ora expansivos. Flores, arabescos, alvos e quadrados ganham primeiro uma superfície de plástico para a posterior transferência para a tela.


Aglomera as imagens, preenchendo o fundo e retocando a imagem final. Os motivos e as cores são transportados para a tela por meio de colagens sucessivas, realizadas com precisão. A transferência das imagens da superfície lisa para a tela faz com que a gestualidade seja quase anulada. A matéria pictórica obtida por numerosas sobreposições não apresenta, entretanto, nenhuma espessura: os motivos de ornamentação e arabescos são colocados em primeiro plano. O olhar do espectador é levado a percorrer todas as imagens, acompanhando a exuberância gráfica e cromática presente em seus quadros.
Biografia



Beatriz Milhazes - Foto da artista


Beatriz Ferreira Milhazes nasceu no Rio de Janeiro em 1960. Em 1981 formou-se em Comunicação Social pela Faculdade Hélio Alonso. Antes mesmo de concluir o curso de comunicadora social, em 1980, passou a frequentar artes plásticas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde, alguns anos depois, passou a lecionar e coordenar atividades culturais.


Beatriz faz parte do grupo de artistas conhecidos como a Geração 80. Artistas plásticos que despontaram após a exposição no Parque Lage na década de 1980, intitulada Como Vai você, Geração 80, por terem resgatado a técnica tradicional do uso do óleo sobre tela. Para além deste resgate, Beatriz trouxe novos elementos e inventou novas formas de trabalhar a pintura. Desenvolveu técnica que consiste na aplicação de pintura sobre pedaços de plásticos, sobrepondo uma camada sobre a outra, e desta forma passando a imagem gradualmente para tela. Em seus ateliês – espaço de criação e experimentos-, quando julga pertinente, os mesmos pedaços de plásticos são usados durante longo período. O que lhe permite misturar vestígios de uma forma em diversas telas distintas.


A obra "O Mágico" foi comprada por mais de 1 milhão de dólares


Em 1995, Beatriz resolve fazer um curso com os artistas Solange Oliveira e Valério Rodrigues, espaço de efervescência cultural, procurado pelos talentos que despontavam e se firmavam nessa década. E assim a artista fluminense ganha destaque em mostras internacionais nos Estados Unidos, passando a integrar acervos de museus como MOMA, Guggenheim e Metropolitan, em Nova York, entre outros.




Beatriz Milhazes


Ao imergir na vida profissional desta artista, algumas características despontam: metódica, disciplinada, concentrada. Características estas que associada a técnica e genialidade resultaram em maturidade que lhe permitiu ter ciência de sua capacidade e equilíbrio nas escolhas e incursões artísticas.


O nome de Beatriz Milhazes começou a circular fora do país em 1993, ano em que fez sua primeira exposição no exterior. O début foi em Caracas, Venezuela, e hoje críticos de revistas e jornais anunciam com entusiasmo a descoberta da carioca. A edição de outubro da revista inglesa Frieze dedica a matéria de capa, escrita pela crítica Jennifer Higgie, ao trabalho da artista, com expressões elogiosas do tipo “caleidoscópio psicodélico de cores, flores, amor” e “loucura tecnicolor”. Também em outubro, o jornal português Expresso publicou em seu suplemento cultural uma extensa entrevista com Beatriz, que tem cinco telas expostas na Galeria Pedro Cera. O jornalista Celso Martins escreve que as individuais da artista em Londres, Paris e Nova York foram muito bem recebidas, com elogios “à frescura e à complexidade” do trabalho. Já Vitamin P – New Perspectives of Painting (Novas Perspectivas da Pintura), publicação inglesa da Phaidon Press, saiu em setembro com uma seleção super-rigorosa de pouco mais de 100 nomes de pintores contemporâneos de todo o mundo. Apenas dois artistas brasileiros foram citados por críticos e curadores: Beatriz Milhazes e Adriana Varejão.


Sua estrela brilha no exterior e no Brasil e nos anos de 1998 e 2004 participou da Bienal de São Paulo, em 2003, da Bienal de Veneza (Itália) e, em 2006, da Bienal de Xangai (China). Museus na Europa e Estados Unidos expõe suas obras: O Reina Sofia, em Madri e o Metropolitan Museum of Art e MOMA, em Nova Iorque.


Beatriz Milhazes 


Entre outubro de 2002 a janeiro 2003 Beatriz realizou no Rio de Janeiro no Centro Cultural Banco do Brasil a exposição Mares do Sul, porém sua grandiosa exposição no Brasil aconteceu na Pinacoteca de São Paulo no final de 2008. Ocupou a maior sala da Estação. Também realizou intervenções nas janelas do espaço, utilizando materiais translúcidos, manipulando as diversas formas de incidência de claridade sobre as janelas. Em abril de 2009, Beatriz realizou sua exposição individual de maior prestígio na Europa na Fundação Cartier, França, considerado um dos principais centros expositores de arte contemporânea do mundo.


Suas obras remetem a abstrações geométricas, ao mecanicismo. Pinta flores, arabescos, quadrados; com a presença de cores fortes, elemento estruturante de suas obras. Cria formas arredondadas, forjando sinuosidades, movimentos que remetem a sensações de vivacidade. Conduzindo o expectador a um estágio de alegrias e sensações diversas. Rompe com tradições, recria novas maneiras de apresentar, ver e sentir formas, modelos e riscos.
Beatriz Milhazes - Cartier


Artista singular teve uma de suas telas “O Mágico”, criada em 2001, vendida por mais de um milhão de dólares, equiparando-se a célebre Tarcila do Amaral com sua obra “Abapuru”. Deve-se acrescentar que esta cifra ainda não foi alcançada por nenhum, outro artista brasileiro vivo. Com o reconhecimento nacional e estrangeiro, seu trabalho passou a ser super requisitadas a ponto de existir enorme fila de espera por uma de suas obras. Apesar da pressão, não muda seu estilo e tempo para criar. Continua produzindo no máximo sete telas por ano.


Beatriz continua buscando desafios, recentemente passou a criar vitrais e intervenções mais incisivas no espaço público. Por todas as façanhas que foi capaz de realizar, Beatriz Milhazes é considerada na atualidade um dos maiores expoentes da pintura contemporânea nacional e internacional.
Curiosidades


Livro – Beatriz Milhazes – Paulo HerkenhoffSinopse





Beatriz Milhazes e Adriana Varejão


A artista produz um corpus cuja espinha dorsal é a pintura. Este livro se organiza sem rigidez cronológica, com os agrupamentos das obras por famílias de questões – algumas se vinculam a elementos visuais, outras decorrem de alusões a gêneros da arte, como o retrato e a paisagem.


O livro que revisita sua obra desde os anos 80. O crítico Paulo Herkenhoff optou por uma abordagem não-cronológica de sua obra, dividindo o livro em eixos “temáticos” e agrupando questões recorrentes na pintura da carioca: “Paisagem”, “Música”, “A História do Círculo” são alguns dos “capítulos-tema” definidos por Herkenhoff.


“Achei ótimo o livro misturar épocas diferentes, sem fazer nada muito cronológico para não ficar uma coisa muito didática. Meu trabalho se desenvolve dessa maneira. Eu tenho aspectos que surgem no ano 2000 e com os quais posso voltar a trabalhar em 2006, por exemplo. Normalmente, a cada mostra que faço inicio novas questões, mas não as extermino naquele grupo de trabalhos e elas podem sempre ser retomadas”, complementa.


Os textos de Herkenhoff descrevem a trajetória da artista, que teve sua formação baseada principalmente na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (em 1984 participou da emblemática mostra “Como Vai Você, Geração 80?”) enquanto dava aula particular de geometria para crianças.As referências da pintura da artista vão do Carnaval ao barroco, passando por Mondrian, Carmen Miranda, crochê, Volpi, tropicália… Foi este procedimento de juntar cores, padrões, formas e aplicações em decalque que levou-na a integrar, em 2003, o pavilhão brasileiro da 50ª Bienal de Veneza.


“A pintura de Milhazes é uma espécie de flora saída da “Primavera” de Botticelli em sintaxe contemporânea, pintada com os pincéis femininos pop de Andy Warhol”, escreve o crítico no livro.


Depoimento – Beatriz Milhazes





Beatriz Milhazes e Vik Muniz


“(…) Pela primeira vez, estou pensando em voz alta que, no trabalho com a cor, faço uma ligação entre vida e pintura. O carnaval – uma festa popular brasileira frenética – sempre me estimulou com seu visual, atmosfera, loucura, beleza etc. Os desfiles, com suas combinações de cores e conceitos, são muito malucos, mas por outro lado todas essas coisas estão muito longe da pintura, do meu ateliê, do meu cotidiano. Ao contrário de Hélio Oiticica, que também trouxe referências do carnaval para o seu trabalho, eu jamais, em nenhum momento, fiz parte do mundo do samba ou do carnaval. E nunca quis fazer parte. Sou uma carnavalesca conceitual. O mesmo acontece com a cultura psicidélica e a religião, ainda que eu acredite em Deus. Acho que uma caminhada na praia é a melhor maneira de conectar geometria séria e carnaval”.


Comentário de Adriano Pedrosa sobre o trabalho de Beatriz Milhazes


“Como a pintura de Gauguin, a de Milhazes é também , a seu modo, enganosa: parece sugerir um paraíso repleto de flores e frutos exóticos de uma natureza abundante pintado em cores alegres e jubilosas, na expressão de Barry Schwabsky em texto publicado nesse livro. No entanto, são pinturas produzidas numa cidade estereotipada pela imagem da abundância da natureza, da beleza e de um variado espectro de prazeres: o Rio de Janeiro. Mais ainda, nos últimos anos as pinturas de Milhazes também vêm sendo exportadas para importantes coleções na Europa e nos Estados Unidos. Nesse aspecto, é fundamental compreender que a pintura de Milhazes recupera para os nativos não apenas a produção de suas próprias imagens, mas sobretudo o eixo de exportação e disseminação delas entre o Sul e o Norte.


Beatriz Milhazes - Miami Art Basel


Tal operação não é construída de maneira tão calculada pela artista, e o elemento crítico de suas pinturas parece fundar-se justamente na ambivalência. Um segundo olhar detecta mais do que flora e fauna tropicais: do símbolo da paz à joalheria de Miriam Haskell, dos padrões de tecido de Emilio Pucci ao design paisagístico de Burle Marx, do chitão às alegorias de carnaval, dos ornamentos arquitetônicos art déco às geometrias de Bridget Riley. Não se trata tanto de apropriação ou citacionismo, mas de um melting pot em que os elementos utilizados são submetidos a processos mediadores de adaptação, tradução e derivação. A antropofagia é uma forte referência. Se as cores são alegres e jubilosas, a técnica particular de colagem das formas que Milhazes aplica a suas telas confere um aspecto precário e fragmentado ao conjunto. A pintora tropical é uma surfista, e seus Mares do Sul, um vasto junkyard hiperfigurativo, pleno de elementos nativos, estrangeiros, exóticos, genéricos derivativos e bastardos”


Comentário de Barry Schwabsky sobre o trabalho de Beatriz Milhazes





Beatriz Milhazes - Ateliê no Rio de Janeiro


“(…) As pinturas de Milhazes tem também um caráter social autoconsciente. Com seus motivos de flores, contas e laços, falam da feminilidade como um constructo histórico e também como um modo de vida – do trabalho que as mulheres fizeram e de prazeres que desfrutaram. Mesmo sem aqueles fragmentos reconhecíveis de imagética que tecem seus caminhos pela abstração de Milhazes, nós observadores poderíamos ainda inalar o aroma desta reminiscência, destilada pela própria padronização à qual aquelas imagens recorrem.

Mas essa padronização, não importa o quão magnífica, não tem maior relevância nas pinturas de Milhazes do que aqueles fragmentos de imagética ornamental.

Aqui tanto o padrão como as imagens estão a serviço da cor – mas a cor funciona de uma maneira tal que sua mera nomeação (que poderia dar a ilusão de que um pouco de cor é uma entidade com auto-identidade, independente , cujos atributos ignoram sua interação com o entorno) é um contra-senso. Uma pintura como Milhazes nos mostra , é uma sociedade de cores, e como tal cria e caracteriza os indivíduos que a constituem. Portanto é a pintura como um todo que confere caráter a cada cor nela contida, tanto quanto ou mais ainda do que cada cor empresta certo caráter à pintura”.


Comentário de Stella Teixeira de Barros sobre o trabalho de Beatriz Milhazes
Beatriz Milhazes - Foto da Artista


“Trabalhando com um método de monotipia onde as imagens são preparadas sobre plástico transparente na medida inversa em que serão impressas na tela, a artista controla a espessura reduzida da matéria pictórica, esconde o gesto da pintura e congela a imagem decalcada. Nesse assentamento da fina película de tinta sobre a tela, pele sobre pele, derme sobre derme, o embate das formas circulares com o princípio geométrico cria uma pintura de sensibilidade hiperbólica, que nasce da luta desvairada entre figuração abarrocada e construção rigorosa – não da luta de um elemento contra outro, de uma vertente contra outra, mas da exaltação mútua que governa a sensualidade barroca revestida de cor matissiana e libera a emoção construtiva embrionária da obra.


As formas circulares reforçam núcleos ao mesmo tempo em que geram deslocamentos ora concêntricos ora expansivos, e perturbam qualquer desejo de hierarquia que a construção racional insiste em reinventar. Por isso são pinturas que não se oferecem ao primeiro olhar.


Impossível determinar planos ou privilegiar uma ou outra forma, pois são pinturas que se dão por inteiro e obrigam o olhar a percorrê-las de maneira escorregadia, sem conseguir singularizar qualquer instância.

Para Beatriz, o barroco se mantém como dado cultural, mas apenas como memória arquetípica. Como emoção, está deslocado e engana motivações saudosistas. Foi sem dúvida extraído por ela de raízes profundas garimpadas do nosso tempo histórico, porém transformou-se em imagem espelhada, em simulacro que adentra e reforça o redemoinho das estruturas construtivas da obra. (…)

É uma pintura onde a reflexão rastreia plasticamente as tensões que se assentam numa aparente solidez da história, mas que se dá como uma nova percepção dos fenômenos e dos significados da criação e da expressão da arte”.


Entrevista

Gabriela Longman, publicada na Folha de São Paulo-Ilustrada, em 05 de março de 2007

Em entrevista à Folha, por telefone, Milhazes contou sobre estes últimos projetos e sobre os planos que tem para o futuro próximo -inaugura no dia 9 uma exposição de gravuras na James Cohan Gallery, também em Nova York e, em novembro e expõe na Estação Pinacoteca com a curadoria de Ivo Mesquita.



Beatriz Milhazes - Plantas


“Por incrível que pareça, vai ser minha primeira exposição em instituição em São Paulo. Já fiz Bienal [participou da 24ª, em 1998, e da 26ª, em 2004, quando foi tema de sala especial] e galeria sempre, mas instituição não. Estou animada”, diz Milhazes. Segundo ela, a exposição será “uma espécie de panorama”, cobrindo várias épocas de seu trabalho e deverá incluir obras de fora do Brasil -pelo menos uma inédita, produzida especialmente para a mostra. “Acabo de voltar a pintar depois de um longo tempo tocando outros projetos. Trabalhei feito uma moura, mas a pintura propriamente dita estou retomando só agora.” A baixa produtividade – pinta uma média de dez telas por ano- é um dos motivos apontados pela galeria para explicar a famosa “fila” paulistana.


Sobre os outros projetos a que se refere, o ano passado assistiu a pelo menos três deles: a decoração do restaurante da Tate Modern, em Londres, um projeto para a estação de metrô de Gloucester Road, também na capital inglesa, e seis painéis de grandes dimensões para a nova loja da Taschen, em Nova York. O que os três trabalhos parecem ter em comum é a busca pela simplificação formal, de uma pintora acostumada ao excesso, ao barroco.


Beatriz Milhazes 


“Todos esses projetos, por questões ligadas ao tamanho e também ao suporte – a técnica final não é pintura, mas sim impressão sobre um tipo de vinil (Taschen) ou vinil adesivo recortado (Tate e Metrô)- trouxeram novas possibilidades para o meu desenho. Eu tive que simplificar. Meu trabalho é cheio de detalhes, mas esses detalhes não têm como existir numa dimensão destas”, explica.


Paralelamente, a artista também trabalha junto à irmã, a coreógrafa Márcia Milhazes -Beatriz é a cenógrafa oficial da companhia, que estréia hoje à noite a turnê americana do espetáculo “Tempo de Verão”, no Dance Theater Workshop, em Nova York.

Museus que expõem obras de Beatriz Milhazes


- Reína Sofia – Madri

- Metropolitan Museum of Art – Nova Iorque

- MOMA – Nova Iorque


Fonte:Mercado Arte

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Quem foi Caravaggio?




Caravaggio 
(Michelangelo Merisi)
1571-1610
..
Caravaggio foi um dos mais destacados expoentes da escola naturalista, que surgiu na Itália em oposição ao Maneirismo, triunfante durante o Século 16.

Em seus quadros, tanto os profanos quanto os religiosos, não utilizou outro modelo além da crua realidade, pintando seus personagens sem qualquer processo de idealização. Esta forma de tratar as composições religiosas acabou por atrair a atenção da Contra-Reforma, já que, por seu caráter devocional, facilitava a identificação dos fiéis com os modelos de santidade, embora, a vulgarização de alguns desses personagens acabou criando problemas com a Igreja. Foi, ainda assim, muito importante sua utilização do claro-escuro para imprimir maior dramaticidade a suas obras.

Seu verdadeiro nome era Michelangelo Merisi e nasceu em 28 de setembro de 1573, na cidade de Caravaggio (Lombardia), o que deu origem ao nome artístico. Após a morte prematura do pai, ficou sob a tutela do tio, que lhe permitiu mudar-se para Milão em 1584, para tornar-se discípulo de Simone Peterzano. Nas obras destes primeiros anos de formação, já se pode observar essa concentração no tema principal do quadro, que se tornaria em marca inconfundível deste artista.

Por volta de 1589, viajou a Roma e, depois de permanecer algum tempo doente, no Hospital Nossa Senhora da Consolação, começou a trabalhar na oficina do pintor maneirista Giusepe Cesari, também conhecido como o Cavaleiro de Arpino.

De sua primeira época, se conservam várias obras, com o Baco jovem (1590-circa), Menino com cesto de frutas (1590-circa),Descanso na fuga ao Egito (1590) e David vencendo Golias.

Dentro da pintura de gênero (cenas da vida cotidiana), conhece-se o quadro intitulado Os músicos (1591-1592), realizado para seu primeiro grande mecenas, o cardeal Francesco Maria del Monte. Cenas como O bem-aventurado (1594) exerceram uma atração especial sobre os seguidores do artista.

A pintura de Caravaggio alcançou sua maturidade ao redor de 1600, quando se encarregou da decoração da Capela Contarelli, na Igreja de São Luís dos Franceses, em Roma, com três cenas da vida de São Mateus: São Mateus e o anjo, Martírio de São Mateus e Vocação de São Mateus (1500-1600).

Neste último, São Mateus aparece rodeado de um grupo de pessoas ocupadas em contar moedas, vestidas à moda da época. Um raio de luz irrompe violentamente por cima da figura de Jesus Cristo, que se apresenta ao santo com gesto autoritário.

Ao redor de 1601, Caravaggio recebe seu segundo encargo importante, o de pintar a Conversão de São Paulo e a Crucificação de São Pedro, para a Capela de Santa Maria do Povo, em Roma.

Caravaggio teve uma vida turbulenta, devido ao seu temperamento violento e belicoso, que o levou à prisão por várias vezes. Em 1606, foi acusado de assassinato e fugiu de Roma para Nápoles, onde passou vários meses, realizando obras como a Virgem do Rosário (1607), uma iniciação importante para os artistas dessa cidade no estilo Barroco.

Ao final de 1607, viajou a Malta, onde foi nomeado Cavaleiro da Ordem de Malta, e pintou o retrato do grande mestre da ordem, Alof de Wignacourt (1608).

Em outubro de 1608, teve de empreender nova fuga, desta vez com destino a Siracusa, na Sicília. Ali pintou várias telas de grande tamanho, entre as quais se inclui o Enterro de Santa Lúcia (1608) e Ressurreição de Lázaro (1609). Nestas obras, predominam os tons escuros, com a utilização da luz para conseguir efeitos pictóricos de grande dramatismo.

Em 1610, de volta a Nápoles, envolveu-se em outra briga e foi ferido. Livrou-se do ferimento mas não se livrou da morte, nesse mesmo ano, em Porto Ercole, Toscana, vitimado pela fome e pela malária, quanto tentava regressar a Roma.

Fonte: Encarta em espanhol

Biografia de Claudio Souza Pinto




“Não somos o que realmente queremos ser, e sim o que a sociedade nos impõe .... o teatro da vida”


Claudio Souza Pinto



© 2011 Claudio Souza Pinto All rights reserved


Exhibittions récents


2011- Carroussel du Louvre - Paris -FR


ICSA - Instituto Cultural Seculo e Arte - Premio Aquisição


Exposição lauderdale House Arts Center - London


Primeiro lugar - Concurso internacional - Art Fusion Gallery - EUA


Galeria 3058 A - Sao Paulo


Bienal Izmir - Prêmio Pintura - Turquia


Espaco Cultural Infraero -SP

2010- Exposicao Galeria Romero Britto -SP


Exposicao Galeria Surreale - Revista Elite Arte - SP

2009- Biennale de Chianciano - Toscana/ Italia


Mostra Ville de France - SP


Chapel Art Show - SP

2008- Artexpo New York - EUA

Nan Miller gallery - NY

Onessimo Fine Art -Palm Beach - EUA

Chalk Farm Gallery - Santa Fe - EUA

2007- Art Internacional Quinta do Lago - Portugal


New York Gallery - São Paulo - Brazil


Magdalena Gallery of Art - USA


Artexpo Las Vegas - USA


Nam Miller Gallery - USA
2006- Tão Seguilda – Centro de arte – São Paulo - Brazil


Mostra Hotel Sete Voltas – São Paulo - Brazil


Hilton Hotel – Galeria Canvas – Morumbi - São Paulo


Robert Philips Gallery - London


Blue Tulip Gallery - Windsor – London


Off Bienal 2 - MUBE – São Paulo


Ethon Gallery - London


Casa Velha – Quinta do Lago – Algarve – Portugal

2005- Exposição Coletiva – Grand Hyatt Hotel – São Paulo – Brazil


Gabriel Galeria de Arte – São Paulo – Brazil


Expôs. Plaza de los Venerables – Sevilla – Spain


Galeria de arte Mizrahi – São Paulo – Brazil


New York gallery – São Paulo - Brazil


Fundação Focus Abengoa – expôs. Coletiva – Sevilla – Spain


Exposição Individual – Casa da Fazenda do Morumbi – São Paulo

2004 - Guest of the 5th Biennial International Exhibition in Rome – Italy


Grand Hyatt Hotel of São Paulo – Coletiva – Brazil


Espaço Acqua – Individual – São Paulo – Brazil


Espaço Cultural da Câmara dos Deputados – Brasília - Brazil


Expôs. De Arte Internacional de Padova – Italy


Fundacíon Focus-Abengoa – premiação e aquisição da obra - Sevilha – Spain

2003- Casa Da Fazenda do Morumbi – Coletiva– São Paulo – Brazil


Conrad Resort & Casino -Punta Del Este – Uruguai - In honor of the artist


Brazilian – English Center – XVII Art Exhibition – São Paulo – Brazil


Chapel School Art Show – São Paulo – Brazil


Graded School – Sao Paulo – Brazil

2002 - Café Jornal – Individual – São Paulo – Brazil


32 Festival de Inverno - Campos de Jordão – Coletiva-Brazil


X Festival de Artes de Itu – Coletiva - Brazil


Chapel School Art Show – São Paulo – Brazil


Atrium Cultural Centro Comercial Plaza – In honor of the artist – SP – Brazil
2001- Conj. Federal da Caixa Econômica Federal de Salvador– Bahia - Brazil


Espaço Cultural Bayer, São Paulo – Brazil


Academia Brasileira de Arte Cultura e Historia – Casa da Fazenda - SP - Brazil


Conj. Cultural da Caixa Econômica Federal de São Paulo – Brazil


Chapel School Art Show – Coletiva – São Paulo – Brazil

2000 - Galeria Centro de Convivência de Campinas – São Paulo – Brazil

Exhibittions Pre 2000:

1999 - Conj. Cultural da Caixa Econômica Federal de Rio de Janeiro – Brazil

1998 - Espaco Cultural Brasilia - Caixa Econômica Federal – Brazil

Banco Francês Brasileiro – Agencia Alphaville – São Paulo – Brazil

1997- Galeria Espaço Mirante 1997 –São Paulo-Brazil


Salon de Otono – Espacio Branly – Eiffel – Paris - France

1996 - Les Bains, No. 7 Rue du Bourg L’Abbe – Paris – France

1995 - Les Bains No. 7, Rue du Bourg L’Abbe – Paris – France

Doobie’s No. 2, Rue Robert Estienne - Paris - France

1993 - Les Bains, No. 7, Rue du Bourg L’Abbe – Paris – France
1992 - Opera Garnier de Paris, No. 8, Rue Scribe-Paris – France

domingo, 5 de junho de 2011

Jackson Pollock - Biografia e Obras

Paul Jackson Pollock nasceu em 28 de janeiro de 1912, foi um pintor estadunidense pioneiro do expressionismo abstrato. A Biografia de Pollock mostra um artista depressivo e alcoólatra que tinha constantes rompantes de fúrias e autodestruição. Jackson Pollock pintou 340 telas antes de suicidar-se jogando seu carro contra uma árvore no dia 11 de agosto de 1956. Um gênio rebelde que pintou obras primas como: Blue Poles: Number 11 (1952), Number 32 (1950), Echo: Number 25 (1951), Guardians of the Secret (1943), entre outras.


Tela, The Guardian of Secret (1943)



Segundo a percepção popular, as pinturas de Pollock, até uma criança saberia fazer quadros como os seus, borrifadas de tintas pingadas sobre a tela. Mas na verdade, há método e genialidade em sua pintura, um caos colorido e calculado onde os pingos de tintas em distintas composições formam um caleidoscópio de texturas e emoções variadas. Muitos artistas pop depois de Pollock se inspiraram em sua obra e tentaram , sem sucesso, atingir a plenitude da obra de Jackson Pollock. As obras de Pollock são inimitáveis.



Para pintar seus quadros, Pollock colocava as telas no chão e não em cavaletes como de costume os pintores fazem, e respingava tintas sobre a tela, uma técnica criada por Max Ernst, o 'dripping', gotejamento.





Principais trabalhos de Jackson Pollock

Male and Female (1942)


Stenographic Figure (1942)



Moon-Woman cuts the circle (1943)


The she-wolf (1943)


Blue (Moby dick) (1943)



Eyes in the Heat (1946)



The Key (1946)



The tea cup (1946)



Shimmering substance, from The sounds in the glass (1946)


Cathedral (1947)


Convergence (1947)


Painting (1948)



Summertime: Number 9A (1948)



Number 8 (1949)



Lavender Mist: Number 1 (1950)



One: Number 31 (1950)



Echo: Number 25 (1951)



Number 7 (1951)



Blue Poles: Number 11 (1952)



Easter and the Totem (1953)



Ocean Greyness (1953)

Fonte: Leões & Cordeiros

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