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domingo, 27 de dezembro de 2015

“Todo dia é uma ocasião especial"


“Todo dia é uma ocasião especial. Guarde apenas o que tem que ser guardado: lembranças, sorrisos, poemas, cheiros, saudades, momentos.” 
―Martha Medeiros

quarta-feira, 21 de maio de 2014

“Fora de Mim”




"Fora de Mim", de Martha Medeiros (foto), flui mais rápido que a vontade de se separar da história
LEIA TRECHO DO LIVRO


A narradora de “Fora de Mim”, novo livro de Martha Medeiros (editora Objetiva), começa seu relato emotivo comparando-se a um sobrevivente de um acidente de avião. Fala especificamente do assustador momento em que se percebe a perda de altitude, a turbina sem potência, a grande tragédia tão próxima quanto irremediável. E, depois, o estrondo, o aterrorizante barulho da desgraça e, enfim, o silêncio da morte, do fim.

Não há um acidente aéreo de fato no enredo da autora gaúcha. Martha usa a imagem como metáfora de outro momento trágico na vida de sua personagem: o fim de um relacionamento. Por mais que a narradora já comece seu relato afirmando que sabia do fim, que aquela era “uma viagem sem destino”, perder o homem que ela ainda ama parece um golpe tão fatal quanto o despencar de uma aeronave.

A narrativa está construída como um relato informal, em primeira pessoa, que bem poderia ser uma carta dirigida ao ex. Trata-se de uma mulher que já passou dos 40 anos, que acumula experiências amorosas, tem filhos e uma vida equilibrada, mas que assume um papel de total fragilidade diante do adeus do namorado.

Com um texto despretensioso e instigante (daqueles que fazem a leitura fluir mais rápido que a vontade de se separar da história), o leitor acompanha as fases do sofrimento da personagem. O desespero do susto, seguido da calmaria da tristeza que impede uma reação, o retorno à vida solitária, até a “melancolia natural que acomete a todos que encerram uma etapa importante da vida”. Impossível não se identificar, ao menos em parte, com esse percurso.

A personagem de Martha (que não é nominada no livro) vive o rompimento como uma terrível e --ainda assim-- proveitosa passagem. Usa o sofrimento como forma de entendimento dela própria. Enxerga no abandono (seu namorado a troca por outra mulher) uma maneira de viver a morte.

“É a pior morte, a do amor. Porque a morte de uma pessoa é o fim estabilizado, é o retorno para o nada, uma definição que ninguém questiona. A morte de um amor, ao contrário, é viva”, relata a personagem.

“Fora de Mim” é um livro sobre amor, sobre paixão, mas principalmente sobre o aspecto cíclico dos relacionamentos. A personagem de Martha não aceita a tranquilidade das relações maduras como uma consequência natural do tempo a dois. “O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos”, escreve a mulher, para logo concluir: “Amar prescinde de entendimento. Por isso não sei amar, porque sou viciada em entender”.

O que uma mulher abandonada pelo homem que ama espera, no final das contas, é ser resgatada do marasmo da solidão o mais rápido possível. Ser de novo desafiada, colocada em movimento por um relacionamento que não precisa ser leve, mas há de ser intenso.



Martha Medeiros também é autora do best-seller "Divã", que foi adaptado ao teatro e cinema --este último com a atriz Lilia Cabral, que interpreta a personagem Mercedes (foto)

domingo, 30 de março de 2014

Toda mulher é doida. Impossível não ser...




...Toda mulher é doida. Impossível não ser. 
A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa… 
que sem amor, a vida não vale a pena.

Martha Medeiros

quinta-feira, 6 de março de 2014

"Gente fina é que tinha que virar tendência."




"Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa. 
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros. 
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana,
mesmo sendo magra. 
Gente fina é que tinha que virar tendência. 
Porque,colocando na balança, é quem faz a diferença".
Martha Medeiros

sábado, 4 de janeiro de 2014

Toda mulher é doida...




Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa… que sem amor, a vida não vale a pena.

.Martha Medeiros

"Ou a criatura faz parte do rebanho, ou é um metido a besta."



"A distorção de valores chegou a tal ponto que pessoas discretas são consideradas arrogantes, os modestos são vistos como dissimulados e os que não se rendem a modismos são taxados de esnobes. Ser autêntico virou ofensa pessoal. Ou a criatura faz parte do rebanho, ou é um metido a besta."
 — Martha Medeiros

Feliz por Nada



"Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço."
 — Martha Medeiros, Feliz por Nada 
( Dentro de um abraço )

domingo, 1 de dezembro de 2013

A DOR QUE DÓI MAIS








A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros

sábado, 12 de outubro de 2013

Que a gente siga cultivando um pouco da pureza,inocência e magicalidade...



"Que a gente siga cultivando um pouco da pureza,inocência e magicalidade que a gente tinha na infância,coisas que acabam se perdendo com a brutalidade do cotidiano.Se não sentimos saudade da infância de certa forma ainda a preservamos,porquê sem ela,os sentidos ficam dormentes em relação a tudo.
Então,sigamos inocentes,sem deixar de apreciar a magnitude de ser gente grande."
Martha Medeiros

Foto montagem de Aroldo Vieira de Souza.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A FITA MÉTRICA DO AMOR





Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

Martha Medeiros

sábado, 5 de outubro de 2013

FELICIDADE REALISTA por Martha Medeiros





FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

Martha Medeiros

Foto de Aroldo Vieira de Souza.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dentro de um abraço, Trecho de Feliz por Nada, de Martha Medeiros



Dentro de um abraço

Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento?

Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estreia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – a intimidade da gente é irreproduzível.

Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.

E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

Meu palpite: dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beiramar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?

Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste.

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