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terça-feira, 31 de março de 2015

Manuel Bandeira




POÉTICA 
(Manuel Bandeira)

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e
[manifestações de apreço ao Sr. diretor

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho verná-
[culo de um vocábulo
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com
[cem modelos e cartas e as diferentes
[ maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Desde a primeira leitura, percebe-se que a Poética tem vínculos com a estética modernista. É possível reconhecer pela estrutura poética a utilização de versos livres, de reiterações, de imagens que negam os valores ultrapassados das estéticas anteriores, de supressão da pontuação, etc. Todas estas formas traduzem a liberdade plena de forma, defendida pelos modernistas. O que caracteriza oversolivrismo aqui é uma mudança de atitude e também de crítica : a sílaba deixa de ser a unidade de medida e a combinação de pausas e entoações passa a ser fator relevante.

domingo, 1 de abril de 2012

Crítica: 'Heleno - O príncipe maldito'


A vida do jogador de futebol Heleno de Freitas possui elementos necessários para uma boa trama: glória, mulheres, dinheiro, vícios e tragédias. Utilizando-se deles, José Henrique Fonseca dirigiu seu mais novo longa,Heleno.


No filme, o genial e problemático ídolo tem seus escândalos e glórias muito explorados, o que garante o tom bastante dramático em certos momentos. Já no início da produção, manchetes de jornais expõem a fama do primeiro “jogador problema” dentro e fora dos campos, o que reitera seu dom para o futebol, mas também para o autoboicote.

Rodrigo Santoro encarga o jogador de futebol Helene de Freitas, no longa 'Heleno'




Profissionalmente, Heleno é uma figura ambígua ao se mostrar talentoso e extremamente determinado - chegando a, no fim de sua carreira, insistir em jogar bastante debilitado -, porém convencido a ponto de achar um suplício pedir desculpas e polêmico o suficiente para apontar uma arma para o então técnico do Vasco, Flávio Costa.


Não menos intensa, sua vida pessoal é acompanhada de muita bebida, cigarros duplos e de um conturbado, e nada discreto, triângulo amoroso com Silvia (Alinne Moraes) e a cantora Diamantina (Angie Cepeda), rendendo belas cenas e o "quê" novelístico do filme. Mesmo em meio a esse turbilhão dramático que por vezes enfraquece o filme, a força do ídolo alvinegro é perfeitamente resgatada e marcada em nossa época através da impactante atuação de Rodrigo Santoro.




Intensamente amado e odiado, Heleno é retratado fielmente e não decepciona.


Cotação: ** (Bom)

Fonte: Jornal do Brasil

domingo, 27 de março de 2011

Curiosidades sobre o teatro amador...




O teatro amador é praticado por pessoas que não têm formação acadêmica e que se dedicam a essa atividade por prazer, sem fazer dela um meio de vida. No teatro amador, são os próprios atores que escrevem o roteiro, montam a peça, constroem o palco, elaboram e confeccionam os figurinos etc. No Brasil, o teatro amador surgiu no século XVI, com a chegada dos jesuítas. O padre José de Anchieta foi o primeiro a utilizá-lo para catequizar os índios. A partir daí, as apresentações de grupos amadores passaram a fazer parte, oficialmente, das comemorações religiosas e cívicas. 

A partir de grupos amadores, surgiram, posteriormente importantes e expressivos atores profissionais como: Antônio Fagundes, Ney Latorraca, Alexandre Borges, Edson Celulari, Jandira Martini, Eliane Giardini, Regina Duarte, entre outros. 

Na década de 1950, a teatróloga, diretora e atriz dramática Maria Clara Machado criou um grupo amador para atuar nas peças montadas para a comunidade. Nasceu, assim, O Tablado, um dos mais importantes centros de artes dramáticas do país. Sem competir com os espetáculos profissionais, ela o transformou na mais inovadora companhia teatral que o Brasil já teve. Cinco mil estudantes já passaram por lá, fazendo de tudo, desde abrir a cortina até varrer o palco. Com suas montagens, Maria Clara formou artistas e mentalidades, respeitando e ativando a imaginação das crianças. Escreveu muitas peças infantis de sucesso, como Pluft, o fantasminha, A bruxinha que era boa e O sapato das cebolinhas. 

Uma das marcas do movimento teatral amador é criticar o momento e a história da humanidade. Os governos democráticos encaram com tranquilidade esse exercício simplista da dialética e das divergências políticas. Sabem que os grupos amadores representam a vanguarda do pensamento da sociedade e contribuem não só para a formação de novas gerações de cidadãos participativos e críticos, como também forjam novos talentos e colaboram para a continuidade do teatro como arte e como profissão.





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 Teatro Amador

No Brasil, o teatro amador surgiu no século XVI, com a chegada dos jesuítas. O padre José de Anchieta foi o primeiro a utilizá-lo para catequizar os índios. A partir daí, as apresentações de grupos amadores passaram a fazer parte, oficialmente, das comemorações religiosas e cívicas

Fonte: Mulheres Fenomenais.

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