
A beleza está presente como atributo divino. Não importa se a pintura trabalhosa e detalhada feita no fundo da panela vai ser queimada assim que ela for ao fogo.

A pintura não precisa permanecer para justificar sua beleza. Ela é, no presente, como expressão necessária. Dá sentido ao ato criativo de transformar o barro em cerâmica.

Cada povo tem sua habilidade e forma de materializar em objetos de arte as necessidades do dia a dia ou dos rituais. A arte plumária ainda é a mais conhecida e admirada por sua exuberância e riqueza.

Quase todos os grupos indígenas utilizam plumas em combinações as mais variadas para construir peças rituais de significados e usos diversos. O clã a que pertence o dono do adorno, sua ligação familiar, sua posição dentro da cerimônia, muitas são as informações contidas no arranjo das plumas. Muitos conceitos e mensagens podem ser decodificados por quem está dentro da tradição.

A cerâmica, a cestaria, os instrumentos musicais, os pequenos adornos, a arquitetura, os bancos zoomorfos esculpidos em madeira, toda a cultura material dos povos nativos está carregada de princípios e objetivos, de valores estéticos e sociais. O talento dos artistas está a serviço da manutenção da tradição do povo, da continuidade de sua identidade.

Como se sabe, os primeiros artistas deste país têm uma produção intensa, uma vez que neste universo a arte não se separa do fazer diário. Ela se constitui, se faz, se configura no dia-a-dia como parte das atividades cotidianas que nos aproximam e nos distanciam dos outros animais.

Há os que dizem que não é arte e sim artesanato por estar associada a objetos utilitários. Sem entrar no mérito das classificações e/ou denominações, o fato é que, seja nos adornos, na cestaria, na tecelagem, arte plumária, na madeira, sua arte enche os olhos.

A dança é um ritual que envolve a arte da pintura e de máscaras. Marca o ritual e é feita de passos fortes, bem marcados, e em circulo, pois o círculo não tem cima nem baixo, ou seja, todos "são iguais" na dança.
Cada dança tem um significado e uma intenção, tem dança da chuva, dança pra chamar os bons espíritos e levar os ruins da aldeia, dança dos macacos, dança de homenagem aos seus ancestrais, por exemplo.
Essa é uma relação muito importante entre o corpo e o espírito. Dependendo da tribo, o ritual é feito de forma diferente e a dança também muda, em muitas delas, a dança serve como preparo físico começando com os primeiros raios do sol e se estendendo por muitas horas.
Por isso é difícil especificarmos com detalhes cada dança.
A maioria das danças ainda é feita em volta da fogueira, principalmente a que é contra espíritos ruins. A dança também é comemorativa, em festas da tribo a comemoração é a dança e também é uma diversão para todos os indígenas.
A dança é uma forma muito forte de preservação da identidade cultural indígena, pois existem cantos, rítmos e segredos culturais que só são repassados aos índios em determinada idade, pelos mais velhos, quando ocorre os chamados "rituais de iniciação". Cada passo, cada gesto tem um significado que precisa ser repassado para ser preservado.
Vários pintores brasileiros retrataram índios e seu modo de viver, mas aquele que fez isso com maior realidade, num Brasil ainda bem "novinho", foi um holandês chamado Albert Eckhout, que veio para o Brasil a convite de Maurício de Nassau.

