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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Artistas ÚNICO que moram em meu coração! Estilo, cada um tem o seu. Parte I

 "Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma."
"E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas."

 "Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão."

"Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso."


"Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher."

"Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos."
"Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos."


"Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos."
"Começa a aprender que não se deve compará-los com os outros, mas com o melhor que pode ser." 

"Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto."


"Aprende que não importa onde já chegou, mas onde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve."


"Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados."


"Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática."
"Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou; aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso."

"Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel."

"Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo."

"Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado."

"Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não estaciona para que você o conserte."

"Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais."

"Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."


 "Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores."



"E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais."


"E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

Que vocês tenham um lindo 2012!
"Com marcas do que se foi e sonhos que vamos ter!"
Com amor,
Aline Carla Rodrigues.

quarta-feira, 30 de março de 2011

"A gente não morre. Fica encantado." Guimarães Rosa

Noite estrelada- Van Gogh

Em 1963, João Guimarães Rosa era eleito para a Academia Brasileira de Letras. Contudo, recusou-se a tomar posse, pois pressentia que, se o fizesse, iria morrer. Premonição? Acaso? Nunca saberemos. Pelo menos nesta vida. Em 16 de novembro de 1967 aceitou, finalmente, assumir a sua cadeira na Academia. Em seu discurso de posse disse: “A gente não morre. Fica encantado.” Três dias depois, em 19 de novembro de 1967, teve um enfarto fulminante, vindo a falecer. O médico, o embaixador, o escritor que revolucionou a literatura brasileira, se encantou.

Seu livro mais conhecido, e com certeza o mais importante, faz 50 anos: “Grande Sertão: Veredas”.

Nele encontramos inúmeras passagens onde a transcendência, que aflorava na alma do homem Guimarães Rosa é frequentemente exaltada.

O diabo, figuração do mal, recebe quase uma centena de nomes, na contagem feita pelo nosso confrade, Marco Aurélio Baggio, e confirmada pelo outro confrade, José de Souza Andrade Filho, no livro do primeiro, com prefácio do segundo: “Um abreviado do Grande Sertão: Veredas”.

Mas a relação vida e morte está presente em todo o texto de Guimarães Rosa. “Viver é muito perigoso!” afirma pela boca de Riobaldo em algumas dezenas de vezes que não cheguei a contar. Viver é realmente muito perigoso. Talvez porque, como ele também afirmava, “A morte de cada um já está em edital”. Não diz se é com hora e data marcadas, mas com a certeza de que acontecerá. Não há vida sem morte. Nem mesmo com a decantada imortalidade acadêmica…

Contudo, a morte tem hora marcada. Não na cronologia dos calendários, mas na realidade dessa relação inseparável: vida e morte. Morto não morre. A vida é indispensável para o morrer. Ora, vivo já não estou ontem. Para o ontem, já morri. E o amanhã, ainda não veio, portanto, nele ainda não vivo. Só agora, no tempo presente, vivo realmente. Portanto, agora é a única hora em que posso morrer, pois é a única hora em que vivo estou. Por isso mesmo, “viver é muito perigoso!” Cada instante em que vivo, pode ser o instante da minha morte. Daí a imperiosa necessidade de valorizá-lo plenamente.


Baggio destaca o necessário para se viver, no pensamento de Riobaldo – Guimarães Rosa – o necessário para atravessar o rio da vida, como ele diz: “a coragem, a alegria, o amor, a reza, o fazer, o contar, enfim o viver”. Para viver, é preciso viver. É preciso coragem para levantar em cada amanhecer. É preciso alegria para descobrir o sol, mesmo que as nuvens o estejam ocultando. É preciso o amor, caminho de duas vias onde só se ama quando se é amado. E só se ama quando se entrega confiante nas mãos do amado, da amada. A reza é necessária, pois é o ato de humildade que nos aproxima de Deus. E sem a humildade só existe a soberba, com a soberba não existe vida em plenitude. É preciso fazer, pois quem faz escreve a sua história e não deixa para os outros essa tarefa que é somente sua. É preciso contar, pois contando compartilhamos a vida e a vida só existe se compartilhada. O homem não foi feito para ser só e a solidão somente acaba quando podemos compartilhar o que fazemos e o que sentimos. Para viver, repetimos, é realmente necessário viver. Na plenitude do que isso significa. Afinal, há os que estão vivos – mortos. Vegetam. Passam pela vida sem a ter vivido, e por isso estão permanentemente mortos. Para esses, a morte é banal. São os jagunços de ontem, os pistoleiros de hoje. Dizia Riobaldo em sua iniciação: “Eu tinha de obedecer a ele, fazer o que mandasse. Mandava matar. Meu querer não correspondia ali, por conta nenhuma. Eu nem conhecia aqueles inimigos, tinha raiva nenhuma deles”. Mas matava, pois a vida era nada.

O tempo passa, algumas coisas vão pela maturação. Na intemporalidade do Grande Sertão, símbolo da existência, existem veredas. Veredas, que são caminho estreito, locais férteis para plantar e colher, onde os buritis crescem e se tornam marcos de vida. Veredas, oásis que preservam a vida, que ensinam para a vida.

Pelas veredas em que Riobaldo passa, sementes vão sendo plantadas, uma vida vai sendo construída. Entre balas e sangue, entre silêncio e prosa, entre lutas e repouso. Os olhos verdes de Diadorim iluminam o seu caminho, mesmo na ambiguidade conflitante de seus sentimentos. Diadorim homem, Diadorim mulher, revelação e libertação, que só a morte, no final lhe traz.


E Riobaldo descobre a impermanência: “Tempo é a vida da morte: imperfeição” A morte necessita do tempo para acontecer. Sem o tempo, a morte morre. A eternidade é o não tempo e nela a morte não existe. É a vida eterna. Aqui é o espaço, é o tempo. É a imperfeição. Onde existe o espaço e o tempo, nada é perfeito. Tudo começa, tudo acaba. É a impermanência permeando tudo. Só após a morte, tudo permanece. É a perfeição.

E Riobaldo descobre Deus: “Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então a gente não tem licença de coisa nenhuma!”

E mais à frente, afirma: “Mas eu hoje em dia acho que Deus é alegria e coragem – que Ele é bondade adiante, quero dizer.”

Descobrindo Deus, descobre o perdão, essencial a uma vida de paz interior: E o faz pelo ensinamento de Zé Bebelo: “Que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é”.

Aprende que não se deve deixar que os outros escrevam a sua história. Somente a ele cabe fazê-lo.

Pelo Grande Sertão, que é a existência, Guimarães Rosa, por seus personagens vai trilhando a Vereda, também caminho estreito – afinal, estreita é a porta anunciada para o Paraíso – faz dela a orientação de sua vida e, poucos dias antes de se encantar, revela aquilo em que cria:

“A gente não morre. Fica encantado”.

Evaldo A. D´Assumpção

(*) – Texto apresentado no Encontro Médico Literário Nacional com Guimarães Rosa, em Cordisburgo, MG, de 13 a 16 de julho de 2006. Promovido pela SOBRAMES – Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, regional MG com o apoio da Academia Mineira de Medicina.

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