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segunda-feira, 25 de março de 2013

Hamlet e seu contexto moderno, interpretação Histórica



Hamlet: To be, or not to be, that is the question: 
(Ser, ou não ser, eis a questão:) 
Whether it is nobler in the mind to suffer 
(Que é mais nobre para a alma suportar) 
The slings and arrows of outrageous fortune, 
(As pedradas e flechadas do destino feroz) 
Or to take arms against a sea of troubles 
(Ou armar-se contra um mar de desventuras)
 And by opposing end them. To die — to sleep,
 (E dar-lhes fim tentando resistir-lhes. Morrer — dormir...) 
No more; and by a sleep to say we end 
(Mais nada; imaginar que um sono põe remate) 
The heartache and the thousand natural shocks 
(Aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos) 
That flesh is heir to: it is a consummation 
(Que constituem a natural herança da carne: eis uma consumação) 
Devoutly to be wished. To die, to sleep; 
(Para almejar-se. Morrer, dormir;) 
To sleep, perchance to dream — ay, there's the rub:
 (Dormir, talvez sonhar — É aí que bate o ponto) 
For in that sleep of death what dreams may come, 
(Para que nesse sono da morte que os sonhos possam vir) 
When we have shuffled off this mortal coil [...].
 (Quando nos embaralham fora deste espiral mortal [...].) 

 Partindo para as explicações de como é realizada a produção deste trecho da peça, Hamlet, devemos olhar para o meio em que foi realizado na época Moderna, no qual o autor Michel de Certeau, em “A Escrita da História”, apresenta argumentos teóricos que discute o ofício do historiador bem como o “fazer história” com o fim de nos auxiliar em seus detalhes do período. Para o trecho assinalado, notadamente apresentará argumentos que dê conta de: “Encarar a história como uma operação será tentar, de maneira necessariamente limitada, compreendê-la como a relação entre um lugar (um recrutamento, um meio, uma profissão, etc.), procedimentos de análise (uma disciplina) e a construção de um texto (uma literatura). É admitir que ela faz parte da "realidade" da qual trata, e que essa realidade pode ser apropriada "enquanto atividade humana", "enquanto prática". 

Nesta perspectiva, gostaria de mostrar que a operação histórica se refere à combinação de um lugar social, de práticas "científicas" e de uma escrita (grifo nosso). Essa análise das premissas, das quais o discurso não fala, permitirá dar contornos precisos às leis silenciosas que organizam o espaço produzido como texto”. (Certeau, pág. 56) A partir deste excerto de Certeau podemos criar ferramentas para se pensar e tentar compreender os textos literários como fontes historiográficas e de como os critérios “científicos” influenciam para sua efetiva utilização para se entender as possíveis formas do cotidiano a partir do olhar crítico dentro de uma pequena narração que pode ou não representar personagens reais através de nomes fictícios. Neste sentido relembra que muitos dos materiais produzidos devem, impreterivelmente, passar pelo crivo do método, no qual por vezes relegado à vulgarização de seus conteúdos quando não atendidas às exigências destes critérios, que delimitam seu meio de produção de forma explicativa ou dando apenas um modelo do cotidiano real para que se possa seguir com sua visão histórica do tempo escrito. Outro ponto abordado no excerto de Certeau relaciona-se ao produto final da produção historiográfica, sobretudo com relação ao público ao qual está sendo destinado. 

Neste sentido, criando um paralelo com o trecho de Hamlet, é possível pensar esta obra literária como formadora de opinião pública, ou pelo menos aqueles que possuíam importância social para possuírem opinião e autonomia para utilizar-se dela. Ou seja, as obras literárias do período em questão eram destinadas, sobretudo ao público letrado, que possuía discernimento suficiente para perceber o que está sendo apresentado, assim como notar as sutis críticas que são realizadas neste tipo de trabalho. O excerto de Certeau apresenta justamente a questão do método como mecanismo científico para a utilização das fontes historiográficas, o vasto campo de ação que a obra literária pode alcançar seus agentes, ativos e passivos, que nem sempre reside em autor e espectador, mas em outras personagens ligadas direta ou indiretamente a produção e divulgação de tal obra literária, sendo certo que as instituições também estão submersas nas questões apresentadas pela obra literária e a sua respectiva utilização e/ou divulgação, e também as dificuldades para sua propagação entre o público. Em “As máscaras do mundo: Hamlet e os limites da tragédia”, o autor Felipe Charbel parte da “Poética” de Aristóteles com o objetivo de discutir os limites do gênero que compõe a tragédia de Shakespeare. Após uma breve introdução, divide o artigo em quatro partes distintas, sobre o qual desenvolve uma discussão dos fatores internos do protagonista desta tragédia, a saber: Hybris (Ato de arrogância e insubmissão as leis dos Deuses), Aparência, Melancolia e Tragicidade. 

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