BRETTEL, Richard; SCHAEFER, Scott. A paisagem dos impressionistas. In: L’Impressionisme et le paysage français. Paris: Reunion des Musées Nationaux, 1985. p. 15‐20.
Não há dúvida de que as paisagens impressionistas são as obras de arte mais conhecidas e apreciadas que foram produzidas. Pessoas de todos os cantos do mundo conhecem as obras de Monet, Sisley , Pissarro e Renoir. A multidão de visitantes que vai aos museus consagradosa Monet e outros impressionistas é estupeficante. O mundo sabe mais da França através da visão dos impressionistas do que conhece da França mesma.
Como um bom número de grandes obras de arte, elas parecem ser mais simples do que realmente são. Quanto mais se leem os numerosos escritos inspirados pela França, mais aparece que os quadros impressionistas foram uma componente capital da cultura francesa e não um fenômeno isolado unicamente estético. O assunto é de tal amplitude que inúmeros livros, brochuras, artigos, exposições e manifestações efêmeras lhe foram consagrados e por muitas vezes se pergunta se há mais alguma coisa a ser dita.
Os pintores, assim como os observadores da natureza, são atraídos por certas formas e não por outras. Alguns ficam emocionados descobrindo por acaso o alinhamento de uma árvore com o ângulo de uma casa vista de um ponto particular de um caminho no campo. Outros procuram intensamente formas significativas na natureza; fazendo dessas formas motivo de suas paisagens, eles submetem a natureza à sua vontade. Os impressionistas seguiram essas duas vias. Ainda que um bom número de seus quadros pareça ser resultado de uma simples transcrição, não é o caso. O estudo das paisagens de Pissarro e de Monet mostrou que cada artista modificou a natureza para adaptá‐la às suas próprias exigências.
Os impressionistas modificaram a forma, a proporção e o caráter da vegetação e da topografia para dar variedade a suas paisagens, para aumentar ou diminuir a importância de certos edifícios, de certas figuras ou mesmo de outras vegetações. Embora não tenham se afastado de suas residências de Normandia ou da Ile de France, eles pintaram paisagens de uma estupeficante diversidade de estados de espírito e de significações.
A maior parte dos escritos sobre os impressionistas sublinhou a modernidade de suas paisagens. Esse caráter de suas obras era bem real. Contudo, a estrutura temporal das paisagens impressionistas era mais complexa, sob o ponto de vista geográfico e humano.
