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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Arte de viver por Martha Medeiros
Sentir-se amado
O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
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"O homem não escolhe, é escolhido"
Edson Paduan encontrou sua casa ao acaso
O homem não escolhe as coisas. É escolhido por elas.” A crença do arquiteto Edson Paduan respalda-se no acontecimento que o fez encontrar seu Shangri-la. Ao passar por uma rua do Jardim América, em São Paulo, na primavera de 1988, ele foi como que “chamado” por um antigo sobrado de estilo inglês. A construção, erguida em 1927, estava abandonada, em deterioração e à venda. “Ninguém em sã consciência pensaria em comprá-la, mas logo enxerguei nela a casa dos meus sonhos”, conta. Bastou uma semana, literalmente, para finalizar o projeto de reforma da propriedade. E mais quatro anos para transformá-la em uma espécie de british cottage em plena capital paulista, na qual o apuro de cada detalhe expressa uma personalidade minuciosa.
Quem visita Paduan e sua família pode impressionar-se, à entrada, com o grande portão em estilo Luís XIV, forjado com duas toneladas de ferro. Ao atravessá-lo, chega-se ao belo jardim que circunda a construção principal, de 300 m², pontuado por 14 bonsais exibidos sobre pedestais de mármore. “São como esculturas”, compara. Mais da metade do terreno, de 820 m², destina-se à vida ao ar livre e ao verde. O paisagista Leo Laniado criou canteiros com espécies de clima temperado, além de forrações, ao longo dos muros e do corpo da casa revestidos de tijolos aparentes.
Dali, observam-se elementos da arquitetura original mantidos pelo proprietário: os arcos em estilo Tudor, as três chaminés e os oitões (porções triangulares acima do forro, resultantes do encontro de duas águas de telhado). “Eles imprimem distinção à arquitetura”, considera ele, que ainda incrustou fragmentos ornamentais de fachadas do início do século 20 em diferentes pontos da construção.
Tendo em vista a uniformidade, mármore de carrara arabescato, pedra-sabão e jatobá foram os únicos materiais empregados na residência, com entrada em sua lateral direita. A partir do hall, uma escada leva às suítes do casal e dos dois filhos jovens. A sala de jantar fica à esquerda, discretamente ligada à copa e cozinha; à direita, estão o living e a sala de TV, voltada ao jardim da piscina, que evoca uma fonte, e suas surpresas. Uma delas é o excepcional orquidário, com 350 plantas minuciosamente cuidadas.
Para além das aquisições naturais, a veia colecionista de Paduan evidencia-se casa afora.Obras de arte somam-se a, por exemplo, miniaturas chinesas de instrumentos musicais, canecas e cofres de açúcar feitos de prata (recipientes usados para guardar o “sal doce” nos períodos em que o produto era muito caro), cristais Baccarat e de porcelanas Meissen e companhia das Índias.
Capas de sarja branca vestem os estofados e suavizam o visual dos interiores compartimentados, onde predominam móveis ingleses, portugueses e italianos, dos séculos 18 e 19, em harmonia com peças francesas, alemãs e chinesas. Passear pelos espaços é ainda perceber sua escala humana, os tons nada prosaicos e elegantes das paredes pintadas e a forte ligação com o exterior, através das aberturas diversas e propositalmente sem cortinas para avistar o jardim de contornos precisos.
Estamos na primavera de 2013. Faz exatos 25 anos que o arquiteto, ao acaso, vislumbrou aquela construção antiga e a tornou o que é hoje. Dentro ou fora, ordem, beleza, luxo, calma e volúpia baudelairianos parecem dominar o território habitado por Edson Paduan. “Esta casa tem o tamanho do meu pé”, afirma ele, para indicar que prescinde de qualquer outra.
Fonte: Casa Vogue
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domingo, 1 de dezembro de 2013
A DOR QUE DÓI MAIS
A DOR QUE DÓI MAIS
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Martha Medeiros
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de Martha Medeiros
Pensamento pra o dia
DEUS é o nosso Provedor...
Quando o mundo nos tira , DEUS nos dá ; quando o mundo nos rouba , DEUS nos restitui ; quando o mundo nos persegue DEUS nos protege ; quando servimos ao próximo é o AMOR de DEUS sobre nós...

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