Afirma Guilherme de Almeida sobre o desaparecimento do grande escritor - Recebeu em vida, e agora, na morte, a consagração popular - Depoimento de Menotti del Picchia e Edgar Cavalheiro - Decretado luto oficial |
O dia de ontem não foi o domingo alegre que os paulistas costumavam ter. A morte de Monteiro Lobato surpreendeu São Paulo, levou o pesar a quase todos os espiritos e veio roubar à literatura brasileira uma de suas figuras mais vivas e populares. Independente, simples, bem humorado, corajoso, critico, o criador de Emilia surgiu para as letras de uma hora para outra (é esse, aliás, o seu feitio), graças apenas a um artigo de jornal, e, desde logo, conquistou o mundo leitor, fazendo com que suas obras fossem procuradas por multidões nas livrarias e lidas de um só folego. Depois de conquistar os grandes, com uma pleiade de contos que ninguem lê uma só vez, Monteiro Lobato atraiu a criançada com uma serie de historias educativas: seus livros não tardaram a transpor as fronteiras do país, não se sabendo hoje, com certeza, se as tiragens em lingua espanhola superaram já as nossas... Monteiro Lobato morreu. Ele se dizia preparado para a morte. De Buenos Aires, certa vez, afirmou, sempre brincalhão, que estava ansioso por saber se a morte era virgula, ponto e virgula ou ponto final... Estamos certos, entretanto, de que foi uma perda irreparável para as letras brasileiras. Como ele é querido e popular, di-lo agora, mais do que antes, a visitação pública ao seu corpo. Na Biblioteca Municipal registra-se um suceder incessante de admiradores seus, gente de todos os tamanhos e de todas as idades, crianças puxadas pela mão e velhos apoiados em bengalas, todos desejosos de vê-lo pela última vez. E ao dar com o povo enfileirado, entrando e saindo da Biblioteca, é que se observa como Monteiro Lobato está vivo, vivo nos corações das crianças, vivo na admiração dos grandes e, vivo mais do que nunca, nas páginas de seus livros... Um dos nossos maiores patriotas combatentes sobre a morte de Monteiro Lobato, o escritor Menotti del Picchia disse às "Folhas" as seguintes palavras: — "É a maior expressão literária de São Paulo atual que desaparece. A ausência de Lobato é uma perda imensa para a cultura brasileira, uma vez que ele não se limitava a ser apenas um criador de personagens imaginários, mas um homem que procurava a verdadeira realidade do Brasil, combatendo por ela com uma bravura que o recomenda como um dos nossos maiores patriotas combatentes. Três pontos pinaculares marcam a carreira do criador de "Urupês": a redenção do homem brasileiro, a autonomia econômica do país e o amparo espiritual à infância. |
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
"FECHOU OS OLHOS AQUELE QUE NOS ABRIU OS OLHOS" - no dia de Monteiro Lobato, achei esta publicação no banco de dados da Folha, datado de 1948 e quis compartilhar com vocês.
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