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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Samba brilha em Boston




Há muito a arte contemporânea brasileira entrou na moda no circuito internacional e o Brasil passou a figurar entre os países que possui muitos talentos. Nomes como Ernesto Neto, Vik Muniz e Cildo Meirelles, por exemplo, têm facilmente suas obras expostas em vários museus mundo afora. Porém, a mostra “Samba Spirit - Modern Afro Brazilian Art”, no Museum of Fine Arts, em Boston, Estados Unidos, está chamando a atenção por apresentar ao público trabalhos de vários artistas brasileiros que normalmente não recebem tanta atenção na esfera internacional.

Embora seja uma mostra pequena, ocupando uma das galerias mais íntimas do gigantesco museu com apenas 15 quadros, uma gravura e duas esculturas, ela traz um interessante e importante lado da cultura brasileira que merece projeção. Entre os artistas, estão Heitor dos Prazeres, Maria Auxiliadora da Silva, Waldomiro de Deus e Agnaldo Manoel dos Santos. Com seus estilos próprios e cheios de simbolismos, eles têm em comum a inspiração em tradições populares, seja de origem religiosa, musical ou da vida urbana.


O acervo reunido na exposição tenta exibir a inegável influência do histórico escravista na cultura brasileira. Das associações musicais poéticas do samba ao frevo, normalmente associadas à cultura afro-brasileira, as obras refletem a expressão visual dessa herança, o que resultou em trabalhos de grande ritmo de cores, linhas, e com um espírito singular. "Muitos aspectos da cultura afro-brasileira são vividamente traduzidos por esses artistas na sua escolha de tema e de estilo” diz Karen Quinn, curadora da mostra e responsável pela área de pinturas no Departamento de Arte nas Américas do museu."Pode-se ver tanto o lado da celebração, como também o lado sombrio, e até mesmo imagens que permanecem envoltas em cunho enigmático", completa.

Heitor dos Prazeres sintetiza bem essa ideia: ao mesmo tempo em que se dedicava a compor sambas, na década de 1930, investia na pintura. Seus quadros são simples, com figuras desenhadas de forma bastante básica, mas, ainda assim, é clara a malemolência e a informalidade que o pintor e poeta queria expressar. Na exposição, dois de seus quadros representam essa conexão músico/pictórico: “Roda de Samba” (1957) e “Frevo da Casa Verde”(1958).


Outro destaque é Maria Auxiliadora da Silva, uma bordadeira que se tornou uma artista autodidata. Em quadros como “Plantação” (1971), a mineira aplica pigmentos de cor numa elaborada composição, rica em texturas e tons que remetem à técnica de bordados. Em “Chuva sobre São Paulo”(1971), a pintora expressa de forma inequívoca o contraste da grande metrópole com suas variadas escalas urbanas: uma cena provinciana de uma praça, que remete a uma cidade de interior, com o skyline do grande centro urbano como pano de fundo, banhados pela famosa garoa paulistana. Maria Auxiliadora, que faleceu em 1974, depois de uma vida com problemas de saúde, trabalhando em empregos humildes e sem muito sucesso artístico, teve postumamente suas obras reconhecidas e expostas em várias galerias da Europa, onde, talvez, o caráter exótico de suas criações tenha sido o fator que a conectou com um público maior.

Apresentações como esta do Museum of Fine Arts, nas quais se destaca o trabalho de artistas pioneiros que trilharam os próprios caminhos em ambientes nem sempre favoráveis, demonstram outro lado do acervo cultural brasileiro, e abrem possibilidades para artistas contemporâneos que trabalham às margens dos modismos culturais e fora do circuito estabelecido das artes plásticas.

A exposição, que fica aberta até o dia 18 de outubro de 2014, reúne trabalhos doados para o museu pelo colecionador John Axelrod, um dos principais apoiadores do espaço – em 2011, por exemplo, ele cedeu 67 obras de artistas de descendência africana, tanto do Brasil como da América do Norte.

Samba Spirit - Modern Afro Brazilian Art
Data: até 19 de outubro
Local: Galeria Bernard e Barbara Stern Shapiro, no Museum of Fine Arts
Endereço: Av. das Artes, 465, Boston, Massachusetts
Horário: de segunda e terça, das 10h às 16h45; quarta, quinta e sexta, das 10h às 21h45; sábados e domingos, das 10h às 16h45









































Fonte: Casa Vogue

terça-feira, 3 de julho de 2012

BOSSA NOVA


A Bossa Nova começou a nascer nas reuniões de amigos da classe média do Rio de Janeiro, em apartamentos como o de Nara Leão. Estes músicos plantaram nestes encontros as sementes do que viria a ser conhecido como Bossa Nova. Este movimento apareceu em um momento único da cultura brasileira, final dos anos 50 e princípio da década de 60, contexto de euforia e muita esperança no futuro brasileiro – simbolizado pela construção de Brasília, a nova capital do país no Planalto Central.

A princípio, apenas se pretendia criar uma nova maneira de cantar e tocar samba, mas tempos depois a junção deste ritmo e do jazz norte-americano consagraria a Bossa Nova como um dos estilos musicais nacionais mais celebrados em todo o planeta. A simples evocação desta expressão já desperta a lembrança de João Gilberto, dos eternos parceiros Vinicius de Moraes e Tom Jobim e da musa Nara Leão.

Em um certo dia de agosto, em 1958, a bossa nova fez sua estréia oficial no cenário musical, com o lançamento pelo selo Odeon do vinil de 78 rotações do baiano João Gilberto, contendo a canção Chega de Saudade, praticamente um hino bossa-novista, composto por Tom e Vinicius. O controvertido intérprete imortalizou, a partir de então, os acordes dissonantes que marcariam este estilo, genialmente ironizados em Desafinado, de Tom e Newton Mendonça.

Além da marcante presença do jazz nas batidas da Bossa Nova, alguns estudiosos destacam também a presença do movimento impressionista, traduzido pelos compositores eruditos Debussy e Ravel, bem como elementos da cultura americana do período posterior à Segunda Guerra Mundial. Esta vertente musical foi assim batizada quase sem querer, antes de uma das famosas reuniões do grupo de artistas que já propagava este balanço em apresentações então conhecidas como ‘samba sessions’, referência à união samba-jazz. Em fins de 1957, um grupo de músicos – Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Sylvia Telles, Roberto Menescal e Luiz Eça –, que iria expor seu trabalho no Colégio Israelita-Brasileiro, foi anunciado como um pessoal ‘bossa-nova’ que ali se apresentaria.

A partir daí, estava definido o nome do movimento, que então passou a denominar, cada vez mais, tudo que se considerava novo. Claro que, com o tempo, todos queriam associar esta expressão aos produtos ou às idéias que desejavam vender, aos poucos extraindo deste termo sua força inicial. Antes disso, porém, a vereda musical nascida nos acanhados espaços dos apartamentos da Zona Sul e dos espaços universitários, migrou para amplos bares de Copacabana, localizados no famoso Beco das Garrafas.

No meio da década de 60, quando se acirravam os ânimos ideológicos, surgiu uma segunda geração da Bossa Nova, mais afastada da raiz jazzística e próxima dos sambistas do morro, como Zé Ketti, Cartola e Nelson Cavaquinho. Aderiram a esta corrente músicos como Marcos Valle, Dorival Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime, Carlos Lyra e Nara Leão, que partiram para um caminho nitidamente engajado.


Em 1965, uma nova cisão. Dois grandes nomes da Bossa Nova, Vinicius de Moraes e Edu Lobo, compuseram a canção Arrastão, determinando a transição deste movimento para a MPB, tendência menos definida e mais ampla, que englobaria várias modalidades musicais, dominando o cenário artístico até o começo dos anos 80, quando o pop-rock se recicla e supera a Música Popular Brasileira.

Ao completar 50 anos em 2008, a Bossa Nova passa por um período de resgate das suas notas dissonantes, desta vez atualizada com um toque eletrônico, embalando as pistas de dança ao se fundir ao acid jazz e ao drum ‘n ‘bass, repaginando clássicos de Edu Lobo, Marcos Valle, João Donato, entre outros.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bossa_nova
http://cliquemusic.uol.com.br


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