SEJA BEM-VINDO!

A ARTE RENOVA O OLHAR!
Mostrando postagens com marcador José Paulo Grasso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José Paulo Grasso. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de maio de 2012

Por José Paulo Grasso - Fernanda versus Caetano: duas crônicas do Rio





















O assunto da vez é ou deveria ser o artigo da atriz Fernanda Torres na Folha de SP, que vem arrasando em suas crônicas e que agora entrou em um assunto que deveria ser do interesse de todos: Política!
Quando vamos acordar para o fato de que a política é a maior demonstração de inteligência de uma sociedade, que é determinante para o nosso futuro individual e coletivo e, principalmente, de que nós somos animais políticos. Continuaremos a usá-la sempre por toda a vida e quando a negligenciamos acontece o que estamos assistindo incrédulos: corrupção desenfreada com nefastas consequências socioeconômicas, culturais e ambientais.
Fernanda escreveu recentemente na Folha de SP sobre a “famosa” reunião na casa do Caetano Veloso com o Dep. Marcelo Freixo. Na opinião dela, este surge como político vocacionado, idôneo e obstinado, voltado para a recomposição do papel do Estado. Com experiência no confronto com as milícias, ele teria muito a dizer sobre a destituição do poder público, corrupção eleitoral, atividade mafiosa, favorecimento de empresas privadas e instrumentos para detê-los. Cobra investimento mais consistente nas UPPs sociais, para barrar o avanço dos milicianos nas áreas ocupadas e propõe investida contra os dois grandes braços da contravenção fluminense, plantados, segundo ele, nas áreas da saúde e do transporte. Para Fernanda, tudo conspira para inviabilizar a trajetória dele, que não quer, evidentemente, contar com o usual “caixa dois”, pois a ilegalidade virou norma.
Contudo, sou obrigado a discordar dela quando afirma: “Vê-se com naturalidade o anseio do empresariado de receber vantagens nas licitações de infraestrutura em troca do apoio financeiro de campanha. É assim. A árvore de Natal de atravessadores corrói verbas e retribui com superfaturamento e hospitais fantasmas”.
Este comportamento é notório, mas hoje a população e o empresariado, exatamente por isso, anseiam por uma virada de página, não querem mais voos de galinha na economia e exigem um basta nessas práticas nocivas, o que inviabiliza a participação ativa da sociedade na democracia.
O pós-2016 já assusta, pois não há o menor sinal de um legado que revitalize a economia para pagar a conta dos gastos bilionários em elefantes brancos dos mais variados matizes que nos estão impondo, sem falar da queda abrupta de obras bilionárias de infraestrutura e imobiliária que irão abalar seriamente a construção civil, o grande pilar da economia atual do Rio.
Precisamos acordar dessa apatia coletiva que já rendeu mais de meio século de incúria administrativa, que faliu os serviços públicos e privados completamente, atirando-nos numa situação em que, em 2007, somente 5% da economia era formal. Repare ao seu redor, o que funciona? E quando algo funciona, já fez uma relação custo benefício para ver se vale a pena? Tudo é mais caro aqui, já reparou? Realmente precisamos de mudanças, Fernanda, e elas têm que vir agora. Já constatou a quantidade de movimentos contra a corrupção? Falta é um líder, porque projeto crível já existe.
O Caetano polemizou no jornal O Globo, citando que ela já se reuniu tanto com o Marcelo Freixo, quanto com o Sergio Cabral, afirmando que ela está dividida entre militância imaculada, isolamento, tarefa de fugir do papel de Cassandra, daquele que, em meio a “tanta euforia”, só fala em mazelas, e o grupo que trouxe as “midiáticas” UPPs, o Secretário de Segurança Beltrame e a “euforia” que (só na opinião pessoal dele) “tomou conta do Rio nos últimos 2 anos”.
Se formos analisar, nenhum dos grupos satisfaz a uma população que, como definiu o ex-alcaide Cesar Maia de forma “desprezível”, está preocupada somente com o imediato, tamanha a privação na qual se encontra, ou seja, mais de 90% só quer saber se irá comer amanhã. Daí todos os candidatos a reeleição hoje entregarem descaradamente o maior número possível de obras próximo das eleições, principalmente asfaltamento, coisa marcante, segundo pesquisas, e durante o mandato empurrar com a barriga. Revitalizar a economia? Nem pensar. O negócio é feudalizar o Rio para eternizar suas oligarquias.
É de uma sordidez inadmissível fazer pesquisas eleitorais, descobrir os “anseios populares” e prometer sem poder cumprir, na maior cara de pau, apoiado em campanhas bilionárias financiadas por grupos do toma lá da cá. Repare que os ex-governantes estão muito bem economicamente, enquanto nossa economia não pode estar pior, com uma arrecadação de ICMS em 2011 menor do que 1995. O que mudou no município, a não ser a diminuição dos juros de 9 para 6% da dívida pública com a União, via o maior empréstimo do mundo do Banco Mundial e que viabilizou uma verba anual de 360 anunciada como sendo de 500 milhões de reais, toda comprometida com projetos carimbados com o BM? Sendo que ela será aplicada em projetos sociais que não darão retorno nenhum e nem certeza de que serão bem gastas.

LinkWithin

.post-body img{ -webkit-transition: all 1s ease; -moz-transition: all 1s ease; -o-transition: all 1s ease; } .post-body img:hover { -o-transition: all 0.6s; -moz-transition: all 0.6s; -webkit-transition: all 0.6s; -moz-transform: scale(1.4); -o-transform: scale(1.4); -webkit-transform: scale(1.4); }