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sábado, 31 de outubro de 2015

Intimidade






Intimidade significa muito mais que o desnudar de corpos. Só mesmo adolescentes ou pessoas primitivas pensam somente em sexo quando se fala em "intimidade".

É saber dos gostos e dos desgostos do outro, das histórias mais alegres e das tragédias tristes de sua vida. É saber de sua família e de sua rotina, do nome dos filhos do amigo e das preferências literárias da irmã dele.

É carinho, gentileza, compreensão e paciência. Carinho e gentileza não apenas no toque físico, mas nas palavras e no tom das palavras. Compreensão e paciência não apenas quando o outro pede, mas quando ele mais necessita.

É penetrar no terreno sagrado do lar da outra pessoa e lá se sentir pessoa da mesma família, quase irmãos.

É faltar àquela reunião importante de negócios, porque o filho tá com 40 graus de febre.

É deixar de ir naquela viagem tão sonhada ao Exterior, porque a prima tá hospitalizada, e porque vocês sempre viajam juntos.

É deixar de fazer a própria festa de aniversário, porque o irmão se divorciou e está com depressão, e assim não se tem muitos motivos para comemorar este ano em família.

São longos telefonemas que entram pela madrugada, ouvindo aquela amiga apaixonada que não aceita o rompimento com o namorado.

São noites de vigília em quartos de hospital, enquanto a Avó nonagenária se despede lentamente deste mundo.

São abraços de conforto em velórios dolorosos, apenas balbuciando-se para o amigo em luto que "tudo vai ficar bem".

Sao cumplicidades indestrutíveis, mesmo com a passagem do tempo. É o recordar de brincadeiras de quando eram crianças, mesmo que os dois já tenham passado dos 70.

São cafés fumegantes feitos de improviso e caronas para o aeroporto, tarde da noite, por avenidas desertas e perigosas, porque o emprego do outro assim exige.

São abraços silenciosos sem nenhum motivo, ou pelo simples motivo de estarem vivos e juntos.

É a mão que ampara quando o mundo nos vira as costas. É a voz da Esperança de que nosso problema se resolverá, embora nós mesmos já não estejamos tão certos disto.

É o conselho sério e oportuno quando a vida nos parece ser só festa.

É fazer toda semana a barba do velho pai, tarefa impossível para o idoso conseguir sozinho sem se ferir gravemente, pois sofre do Mal de Parkinson.

É empurrar sem reclamar a cadeira de rodas da própria mãe, embora esta não mais reconheça sua filha, pois está com o Mal de Alzheimer em grau avançado.

Intimidade é algo muito, muito profundo e abrangente pra ser confundida com apenas sexo...E intimidade entre duas pessoas não vem senão depois de longo tempo de convivência e confiança, de dedicação e de Amor...



© obvious

terça-feira, 3 de julho de 2012

INTIMIDADE


"Algumas pessoas se destacam para nós. Não há argumento capaz de nos fazer entender exatamente como isso acontece. Porquê dançam conosco com mais leveza nessa coreografia bela, e tantas vezes atrapalhada, dos encontros humanos. Muitas vezes tentamos explicar, em vão, a medida do nosso bem-querer. A doçura de que é feito o olhar que lhes dirigimos. O sentimento que nos move para ajudá-las a despertar um único sorriso.

Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é.

Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, o aperto é nosso também. Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor."

Ana Jácomo

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