O mundo moderno dá a luz a formação de uma civilização barbarizada, civilização onde impera o medo, a tristeza, a incerteza e a falta de oportunidades iguais para todos, principalmente, para as pessoas marginalizadas e excluídas socialmente. Porém, ao mesmo tempo, vislumbra-se possibilidades de mudanças nesse cenário caótico, as quais podem ser capazes de aplacar tais angustias e o doloroso sentimento de impotência diante do processo de desconstrução civilizatória que está em curso. Pensando nessas possíveis possibilidades, apresento aqui a Arte e a Educação como elementos formativos, caminhando juntas, capazes de oportunizar o crescimento e, por conseguinte, a formação de indivíduos preparados para viver nas sociedades em constante metamorfose, com mais esclarecimento, consciência crítica, responsabilidade consigo mesmo e com o outro, um ser íntegro e do bem.
Cultura de paz, um desejo antigo da humanidade
Estatua por la Paz Mundial, instalada en la plaza Cacique Colipí de Copiapó, Chile. https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Estatua_Paz_Mundial_Copiapo.jpg
“Irei defender a causa da beleza perante um coração que sente seu poder e o exerce, e que tomará a si a parte mais pesada de meu encargo nesta investigação que exige com igual frequência, o apelo não só a princípios, mas também a sentimentos”. (Schiller; 1ª carta: 1991, p.35).
A intolerância é responsável por grandes crimes cometidos pela humanidade. O preconceito, a arrogância e a incapacidade de aceitar diferenças são traços marcantes na história dos povos. Mesmo após séculos de guerras – todas inflamadas pelos mais ínfimos motivos – ainda assistimos ao massacre terrível da própria condição humana. Ainda depois de construída uma civilização altamente complexa, tecnológica, racional, temos que conviver com a miséria absoluta e a violência explosiva. Parece que em algum ponto a humanidade insiste em errar.
Ao invés de criar uma cultura da solidão, hegemônica nos países que primam pela concentração de renda, taxas elevadas de desemprego, baixo poder aquisitivo dos seus povos e privilégios das classes políticas, o correto seria inserir na consciência dos cidadãos desses países, a cultura da solidariedade.
No lugar do incentivo constante à competição, que premia o indivíduo “vitorioso”, deveria ser incentivado a união solidária que divide responsabilidades e partilha conquistas, tais como: a justa distribuição de renda, a ampliação e democratização de oportunidades, mais justiça na distribuição de recursos à população, como forma de fortalecer o sentimento de justiça social entre todos. Ao ser levado a cabo essa forma de viver e conviver, a cultura de paz, certamente se fará presente e induzirá consciências e as influenciará na direção de um mundo mais tolerante e, nesse caso, a uma nação mais humana, mais ética e mais justa para todos.
No contexto da paz como cultura aberta e democrática, as inovações são sempre bem vindas e essas ideias abrem as portas para responder a necessidade de se construir um novo momento em todas as áreas dos saberes e fazeres, popular e científico, diante da crise em que o mundo vive hoje, como pensava o educador Paulo Freire, lembrado nas palavras do filósofo Jaime José Zitkoski:
“O desafio freiriano é construirmos novos saberes a partir da situação dialógica que provoca a interação e a partilha de mundos diferentes, mas que comungam do sonho e da esperança de juntos construirmos nosso ser mais”. (ZITKOSKI, 2010, p. 118).
Assim, diante dessa possibilidade de se construir novas alternativas de sociedade a partir do conhecimento, para instaurar uma nova ambiência nos territórios de maior conflito entre iguais, que hoje são hierarquizados apenas pelo critério da força e pela ausência da lei. Podemos dizer que essa nova ambiência poderá ser chamada de território da paz, lugar da inserção dos jovens no mundo da arte e da educação, lugar da integração de todos em direção a uma cultura promotora da não violência.
A redenção do Brasil passa por uma formação ética e estética do seu povo
“Que ver não é pensar e pensar não é ver, mas que sem a visão não podemos pensar, que o pensamento nasce da sublimação do sensível no corpo glorioso da palavra que configura campos de sentido a que damos o nome de ideias” (Chauí, 1999, p. 60)

