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sábado, 6 de fevereiro de 2016

A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS: OU O QUANTO VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A SUPORTAR A DOR DO OUTRO?


Um dos filmes mais dolorosamente belos já produzidos, nos incita à seguinte reflexão: O que você faz quando uma pessoa a quem ama está atravessando uma situação de tristeza profunda? Distancia-se? Fica com ela, e, contaminado, “afunda junto” ? Ou fica com ela e apreende a ajudá-la, criando recursos (internos e externos) para ajudá-la a superar a dor?

Dirigido por Isabel Coixet, a trama de a Vida Secreta das Palavras gira em torno do relacionamento entre Hanna e Josef, papéis desempenhados com maestria pelo renomado e econômico ator Tim Robbins e pela, não tão conhecida, mas igualmente brilhante, atriz, Sarah Polley.

Uma sensação de dor, física ou psicológica, permeia todo o filme. Não tem como não se compadecer e sentir junto.

Apesar de sua inegável beleza, todos os elementos deste filme nos induzem a sentimentos de introspecção e desconforto, que contribuem para nos causar empatia pelo tema deste drama, para suscitar uma auto análise em relação a como lidamos com a tristeza do Outro.

Os personagens principais são indivíduos machucados, não apenas fisicamente (Hanna tem problemas de audição e usa um aparelho para surdez e Josef, além de estar temporariamente cego, ainda tem severas queimaduras pelo corpo), mas também psicologicamente.

A locação principal é uma plataforma de petróleo prestes a ser desativada, após um incêndio. A bela fotografia de Jean Claude-Larrie tem lindos planos aéreos, que mostram o contraste entre a árida e inóspita plataforma de petróleo e a imensidão do mar.



A trilha sonora é de grande beleza e melancolia, com destaque para a canção Hope There´s Someone, de Antony and the Johnsons, cuja letra se encaixa perfeitamente na história deste longa. É o seu lamento que ouvimos no belíssimo trailer do filme.

Breve resumo da história:

A taciturna Hanna, operária de uma fábrica têxtil, é obrigada por sua chefia a tirar férias, visto que nunca tinha gozado deste direito trabalhista ao longo dos anos em que estava trabalhando lá. Relutantemente, sai de férias e vai para uma cidade litorânea. Sua incapacidade de ficar feliz com a possibilidade de ter um tempo livre para se divertir nos fornece indícios de que ela tem a necessidade de estar ocupada com trabalho. Desde o início, intuímos que ela não é uma pessoa apenas tímida, mas que também existe algum fantasma em seu passado, com o qual não quer se confrontar.

Em um restaurante, ouve um homem ao telefone falando que precisa de uma pessoa para cuidar de um funcionário de uma plataforma de petróleo que sofreu um acidente e que não está em condições de ser transportado para um hospital. Hanna, que já tinha sido enfermeira, se oferece para ir cuidar do acidentado na plataforma.

A trama se desenrola em torno da aproximação entre os dois protagonistas. A dinâmica de cuidador/cuidado é outro fator constante na relação deles. Na maior parte do tempo, é a moça quem atua como enfermeira do ferido. Ela demonstra força e determinação ao demandar que transfiram Josef para um hospital, tornando perceptível que possui uma estrutura psicológica forte.

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