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domingo, 25 de agosto de 2013

"Catar feijão"




Catar feijão se limita com escrever:

joga-se os grãos na água do alguidar

e as palavras na folha de papel;

e depois, joga-se fora o que boiar.

Certo, toda palavra boiará no papel,

água congelada, por chumbo seu verbo:

pois para catar esse feijão, soprar nele,

e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

(João Cabral de Melo Neto)

sábado, 4 de junho de 2011

Amanhã comemora-se o dia do Meio Ambiente, em um planeta com 7 bilhões de pessoas fica claro que é somente pela união que resgataremos nossos valores. Lembro-me de João Cabral de Melo Neto com Tecendo a Manhã e deixo aqui postado para repensarmos em nosso Ambiente todos os dias.

...
Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outros; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre outros galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo em tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
(João Cabral de Melo Neto)

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