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sábado, 15 de setembro de 2018

A Terceira Margem do Rio - Caetano Veloso e Milton Nascimento


A Terceira Margem do Rio

Caetano Veloso/Milton Nascimento


Oco de pau que diz:

Eu sou madeira, beira

Boa, dá vau, triztriz

Risca certeira

Meio a meio o rio ri

Silencioso, sério

Nosso pai não diz, diz:

Risca terceira


Água da palavra

Água calada, pura

Água da palavra

Água de rosa dura

Proa da palavra

Duro silêncio, nosso pai


Margem da palavra

Entre as escuras duas

Margens da palavra

Clareira, luz madura

Rosa da palavra

Puro silêncio, nosso pai


Meio a meio o rio ri

Por entre as árvores da vida

O rio riu, ri

Por sob a risca da canoa

O rio viu, vi

O que ninguém jamais olvida

Ouvi, ouvi, ouvi

A voz das águas


Asa da palavra

Asa parada agora

Casa da palavra

Onde o silêncio mora

Brasa da palavra

A hora clara, nosso pai


Hora da palavra

Quando não se diz nada

Fora da palavra

Quando mais dentro aflora

Tora da palavra

Rio, pau enorme, nosso pai


A ESCOLA DE APLICAÇÃO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL E CULTURAL SÃO JOSÉ BRILHOU NA FLIT








"QUEM ELEGEU A BUSCA
NÃO PODE RECUSAR A TRAVESSIA"
GUIMARÃES ROSA

Parabéns Diretora Rosimeri Borges, Coordenadora Vanessa, e a todos os professores e alunos que enriqueceram a FLIT com seus trabalhos impecáveis.

Feira Literária em Itaperuna - FLIT 2018 evento com qualidade, profissionalismo e admiráveis escritores!


























O Colégio Estadual Chequer Jorge expressa toda sua felicidade por participar deste magnifico evento!
GRATIDÃO a todos os organizadores,
e em especial à ACIL.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

"Qual o papel da imprensa numa sociedade democrática?"


Qual o papel da imprensa numa sociedade democrática?

Pesquisa do Instituto Análise revela que 91% dos brasileiros pensam que a imprensa ajuda a combater a corrupção ao divulgar escândalos que envolvem políticos e autoridades. Trata-se de uma grande maioria, que aumenta, passando para 97%, quando se pergunta se a imprensa tem o dever de investigar e divulgar esses problemas. Mas há quem pense que a imprensa vê as coisas por um prisma negativo, dando especial destaque aos aspectos ruins ou prejudiciais de certos fatos. É claro que nem só de denúncias pode viver o jornalismo, mas, de qualquer forma, ninguém se declara a favor da censura e todos concordam que a imprensa livre é fundamental para o funcionamento da democracia. O que você tem a dizer sobre esse tema? Qual é, a seu ver, o papel da imprensa numa sociedade democrática?

REDAÇÃO
Aluno:***

Idade:***

Colégio:***

8,0

Ditadura Silenciosa

Analisando a imprensa de uma maneira romântica, o que se verá é uma definição que é e deveria ser o discurso de qualquer jornalista: A [a]imprensa deve passar a informação. Deve passar o fato e o que aconteceu de fato. No entanto, o que surge, já no século XX, é uma imprensa formadora de opinião, transformando-a numa quarta ordem de intelectuais que se une aos escolásticos, humanistas e cientistas. - Mas a quê [por que] se dá essa 'formação de opinião'?

Ora, não seria um dever moral da imprensa transmitir a informação factual? Não se apegar a conjunto de valores (ou apegos de militância) na hora de passar essa informação?

Há algum tempo, no Brasil, é usado o conceito de Espiral do Silêncio, criado por Elizabeth Noelle, que consiste em silenciar o fato verídico e transmitir apenas aquilo que o jornalista quer, ou seja, você transmite várias vezes a informação que se quer impregnar no imaginário nacional, e deixa de lado as verdades que atrapalham o objetivo final. Em outras palavras, você "mascara" a realidade.

Veja, quando o senhor Luis [Luiz] Inácio da Silva diz "Tenho orgulho de dizer que a imprensa no Brasil é livre. Ela apura e deixa de apurar o que quer (...)", é de uma gravidade monstruosa. "Apurar o que quiser", "publicar o que quiser" , deixa de ser jornalismo honesto e passa para a picaretagem pura, onde [pois] o que vale é o que eu quero publicar e não a verdade. Além do mais, imprensa livre virou mera figura de linguagem, pois é livre apenas para abarcar seus próprios interesses ou interesses de terceiros.

Falar-se em equilíbrio, democracia e igualdade social perde todo o sentido quando estamos, de fato, mentindo para o nosso público. Querendo [público, querendo] que eles vejam apenas aquilo que meu grupo quer que seja visto. Isso, além de ser desinformação e desonestidade, é, acima de tudo, uma ditadura da Espiral do Silêncio... Uma ditadura silenciosa, onde o mundo se torna tão irreal que, se você seguir tais informações, apenas viverá na realidade fantasiosa de um grupo jornalístico. Um [Num] mundo de papelão!


Comentário geral

O texto tem um grande mérito: a originalidade no modo de encarar o problema da proposta da redação. Revela um autor que pensa e tem ideias. Porém, expor uma opinião original e polêmica exige uma capacidade de explicação muito grande, para se poder deixar inequivocamente claro o que se quer dizer. Nisso, o autor deixa a desejar: em certos momentos, suas declarações são muito vagas, em outros, muito radicais, sem que apresente ao leitor elementos que sirvam para demonstrar a veracidade daquilo que afirma. Além disso, há com certeza uma interpretação ambígua da expressão "apurar o que quiser, publicar o que quiser", pois o autor considera, por conta própria, que isso não significa apurar a verdade, mas apurar o que seja do interesse dos jornalistas. De qualquer modo, pesando os pontos positivos e negativos, o texto faz jus a uma boa avaliação.


Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: "Romântica" parece ser empregada aqui no sentido de "idealista" e de "correta", o que já é contraditório. O idealismo, muitas vezes, é um obstáculo ao realismo. De qualquer modo, o problema aqui é o subjetivismo: o autor acha que conceitos amplos serão interpretados por todos da mesma maneira que ele interpreta, o que não é verdade. É difícil entender claramente o que ele quer dizer por "quarta ordem de intelectuais", por exemplo. Aparentemente, ele atribui um valor negativo à "formação de opinião" e pressupõe que todos os leitores concordam com ele, quando a questão é discutível.

2) O segundo parágrafo serve para responder à pergunta que encerra o primeiro parágrafo. Ora, responder uma pergunta com outra acaba gerando dúvida quanto àquilo que o autor pretende. Ou seja, não fica claro como ou por que se dá a formação de opinião, pela perspectiva do autor.

3) Por "é usado o conceito" o autor quis dizer "vigora". Vigora no Brasil uma "Espiral de silêncio". Só que o autor não apresenta um fato para comprovar a afirmação que faz e, nesse sentido, incorre no mesmo problema de que acusa o jornalismo.


Competências avaliadas

1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
2. Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,5
3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,5
4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 1,5
5. Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 2,0

Total 8,0


Desempenho do aluno em cada competência

Nota 2,0 - Satisfatório Nota 0,5 - Fraco
Nota 1,5 - Bom Nota 0,0 - Insatisfatório
Nota 1,0 - Regular

Fonte:UOL

sábado, 8 de setembro de 2018

"PEQUENAS TEORIAS SOBRE PESSOAS QUE VISUALIZAM E NÃO RESPONDEM"


"Tudo que eu gosto é ilegal, imoral, engorda ou visualiza e não responde". Piadinhas como esta, sobre o desconforto de ter uma mensagem visualizada e não respondida, tem sido cada vez mais comum nas redes sociais.

Engana-se quem acha que o incômodo é referente apenas ao jogo da paquera e relacionamentos amorosos. Já vi situações de trabalho se complicarem absurdamente por conta desse hábito que algumas pessoas cultivam, bem como amizades estremecerem.

Ok, antes de qualquer coisa é preciso reconhecer que o outro não está no mundo para atender nossas expectativas e que não tem a obrigação de responder algo no tempo que esperamos/precisamos. Que nossa ansiedade é problema nosso - e no máximo do nosso terapeuta. Qualquer pessoa de bom senso concorda com isso, certo?

Se fossemos responder de pronto a todas as mensagens que recebemos diariamente não faríamos outra coisa da vida. Ok, creio que estamos de acordo com relação a isso. Adiante.

A pergunta que me faço quando me vejo nesse tipo de situação é: por que o ser humano visualiza se ele SABE que não terá tempo de responder naquele momento? Se ele SABE que não tem uma resposta satisfatória para dar e que não vai responder nada?

Visualizar uma mensagem de uma pessoa próxima e não respondê-la em 24 horas é, sim, falta de respeito. É tratar o outro como se fosse desimportante. No mínimo é deselegante.

Salvo raras exceções, como de pessoas que perseguem, enchem o saco, perturbam, cobram, solicitam nossa atenção em momentos inapropriados, enviam milhões de mensagens repetitivas, pessoas que sequer conhecemos direito. Essas, convenhamos, já deviam estar bloqueadas.

Às vezes acontece de não termos tempo, mesmo, de responder. De deixarmos para mais tarde e acabarmos esquecendo quando nos damos conta de que o assunto não era urgente. Ou de querermos refletir sobre a mensagem que recebemos para responder com calma e propriedade. Mas algumas pessoas fazem disso uma prática diária, um hábito.

Sobre essas pessoas que fazem disso um hábito, uma prática diária, enfim, um estilo de vida, tenho uma teoria de botequim - ou melhor, várias:

1. Elas podem ser pessoas curiosas: não conseguem controlar o impulso de saber qual o conteúdo da mensagem que receberam, mesmo quando não têm intenção de responder ou de se relacionar com o remetente;

2. Elas podem ser pessoas individualistas: acreditam que o seu tempo e a sua necessidade estão acima das necessidades dos outros;

3. Elas podem ser pessoas autocentradas: acreditam que o outro deve respeitar/aceitar o seu tempo, mas não respeitam o tempo do outro. Ou seja, o outro está no mundo para aceitá-las como elas são, mas a recíproca não é verdadeira;

4. Elas podem ser pessoas vaidosas: nutrem um certo prazer em saber que estão sendo solicitadas, além da ilusão de que estão exercendo um falso poder ao controlar a situação deixando o outro esperar;

5. Elas podem ser pessoas sadomasoquistas: esse seria o grau máximo de neurose. São os que agem assim por prazer, de caso pensado, porque gostam de torturar.

6. Elas podem ser pessoas demasiadamente ocupadas que simplesmente não conseguem administrar o próprio tempo;

7. Elas podem ser pessoas desligadas, do tipo que esquece a chave do carro dentro da geladeira.

8. Elas podem ser pessoas que acreditam que um silêncio vale mais que mil palavras e que o delas significa: não perturbe.

Eu, particularmente, não visualizo nenhuma mensagem que não tenha a intenção (ou tempo) de responder. Prefiro engolir minha curiosidade a tratar o outro com desimportância ou deselegância. Porque não visualizar é dar ao outro o benefício da dúvida, é não deixá-lo alimentando minhocas na cabeça sobre o motivo do silêncio. Se não visualizou é porque ainda não viu, quando tiver tempo, verá. Simples assim.

Caso a curiosidade se instale, existe a opção de dizer: "respondo com calma depois, agora não posso".

Todavia, visualizar uma mensagem de uma pessoa próxima e não responder em 24 horas, caso você não tenha sido sequestrado por uma tribo aborígene, quer dizer, sim: não me importo com você. E se esse for o caso, "não se importar", o que diabos a pessoa que escreveu ainda está fazendo em sua lista de contatos? E se esse for o caso, "não se importar", para quê visualizar?

E para o remetente que recebeu a subliminar "não me importo com você" fica a dica: não se importe com quem não se importa com você.

Sabemos que a advento dos smartphones (e o avanço da tecnologia) mudou nossa relação com o tempo; que estamos todos mais acelerados do que devíamos; que infelizmente perdemos a noção de ritmo que a mãe natureza sempre nos ensinou: plantar, cultivar, adubar, regar, colher. Sabemos que nos tornamos seres estressados e ansiosos; que a sociedade de consumo nos tornou menos aptos a lidar com frustrações, que a cultura da comida instantânea, por exemplo, nos fez desejar que tudo seja como as sopas de saquinho: pronto em três minutos.

É fato, também, que devemos aprender a lidar com nossas ansiedades e paranoias. Se todo e qualquer silêncio referente ao outro mexe demais conosco, ao ponto de nos roubar noites de sono, é hora de investigar de onde vem essa incapacidade de lidar com o silêncio alheio. É hora de investigar nossa capacidade de lidar com a rejeição e tentar resolvê-la (alô terapia!).

Mas para quê deixar o coleguinha de trabalho esperando um retorno, sem saber como deve proceder diante de um problema? Para quê deixar um amigo que pede socorro agonizando? Para quê deixar possíveis novos amores (e ex-amores) com a indigesta sensação de que fizeram papel de otários? Para quê deixar pai e mãe preocupados, se podemos responder carinhosamente “não peguei a chuva na estrada, cheguei bem”?

O mundo anda tão complicado! Se podemos não levar algum tipo de desconforto ao outro, por que escolher o contrário? E aquele papo de que gentileza gera gentileza?...

FALANDO NISSO

Abaixo uma seleção de piadinhas que circulam no Facebook sobre esse tema (fiquei impressionada com a quantidade que encontrei no Google e morri de rir com algumas delas ) e um vídeo do Porta dos Fundos com um tema relacionado.

E, para terminar, a pergunta que não quer calar: quem se ofende com uma mensagem visualizada e não respondida é egocêntrico e autocentrado por desejar que o outro atenda suas necessidades ou é egocêntrico e autocentrado quem visualiza e não responde por achar que o outro tem o dever respeitar o seu tempo?

MEU CANAL

Venha tomar um café comigo no canal do YouTube Dois Cafés e uma água com gás, onde falo sobre livros, comportamento, arte, cultura, moda e beleza.


































visualizar e não responder (11).jpg
(imagens: google)


© obvious: http://lounge.obviousmag.org/monica_montone/2015/10/pequenas-teorias-sobre-pessoas-que-visualizam-e-nao-respondem.html#ixzz5QWoAQJCb 

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