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terça-feira, 29 de maio de 2012

ART NAÏF E AUGUSTIN KASSI: O PINTOR DA AUTOESTIMA


A arte de Augustin Kassi homenageia as formas voluptuosas de mulheres africanas. Com cores fortes, mostra uma beleza existente que usualmente é mitigada pela força imposta por um determinado padrão de beleza.
A insatisfação parece sentimento inato aos humanos. Certamente, ao apuro desse diagnóstico podem se debruçar de forma mais criteriosa os psicólogos e analistas, ou seja, toda sorte de profissionais que se dedicam ao estudo do comportamento humano.
Augustin kassi
O padrão estético moderno, que conceitua o certo e errado, o belo e o feio, desenvolveu-se e transmutou-se ao logo da história, sendo que em nenhum ponto, até o momento, parece que conseguimos lidar com as dicotomias sem chegar a um meio termo – Nem branco nem preto, talvez um cinza.

Augustin kassi 2
A imposição arbitrária que fustiga os seres de ter que adotar sempre um dos lados de forma bem definida, massacra aqueles e aquelas que não se enquadram nos estereótipos pré-definidos por uma massa que nem ao menos tem consciência de si mesma.

Augustin kassi 3
Contudo, de tempos em tempos, surgem luzes que nos trazem à tona a necessidade de questionar o que é imposto como padrão irrefutável. Nesta seara, encontra-se o artista Augustin Kassi, que pertencente à escola de art Naïf (o que por si só é uma contradição, eis que Naïf é o termo utilizado para denominar a arte produzida por artistas sem preparação acadêmica) cujas obras são caracterizadas pela simplicidade e beleza desequilibrada nas suas cores fortes.

augustin kassi 4
Kassi oferece em suas obras um olhar diferente da beleza usualmente imposta, eleva a autoestima das mulheres que não pertencem ao conjunto normalmente definido pela moda. É desse modo, através de uma forma antiga (a pintura) que se mostra algo moderno (a art Naïf) e nos faz refletir (pró-futuro) as bases em que estamos acostumados a nos assentar e acomodar.


Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/vem_ser/2012/05/art-naif-e-augustin-kassi-o-pintor-da-autoestima.html#ixzz1wFKNMQ2o

PENSAMENTO PARA O DIA


"Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal." 
Pv3:7

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Confira a lista de vencedores da 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes 2012.


O júri oficial da 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes (Cannes International Film Festival), presidido por Nanni Moretti, revelou a lista de premiados durante a cerimônia de encerramento, neste domingo (27). Bérénice Bejo comandou a premiação ao lado de Audrey Tatou e Adrien Brody. O filme escolhido para ser exibido no encerramento da cerimônia foi "Thérèse Desqueyroux" de Claude Miller, estrelado por Audrey Tautou, Gilles Lellouche e Anaïs Demoustier.
Em um balanço geral, a competição oficial apresentou uma quantidade generosa de filmes de língua inglesa. Entre a maioria dos filmes exibidos, grandes cineastas saíram de mãos vazias da premiação, foi o caso de "Cosmopolis" (David Cronenberg), "Killing Them Softly" (Andrew Dominik), "Mud" (Jeff Nichols), "On the Road" (Walter Salles), "Lawless" (John Hillcoat), "The Paperboy" (Lee Daniels) e "Moonrise Kingdom" (Wes Anderson).
Marion Cotillard era a grande favorita na categoria de melhor atuação feminina, por seu trabalho em "Rust & Bone". O filme rendeu grandes elogios para a atriz francesa e para Jacques Audiard. O novo filme de Walter Salles (On the Road), não impressionou a crítica internacional, que lançou comentários duvidosos durante o festival. 
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#Palma de Ouro - Amour (França)
Como esperado, Michael Haneke recebeu a Palma de Ouro pelo comovente drama "Amour", estrelado por Isabelle Huppert. O filme narra a história de um casal idoso lidando com as difíceis seqüelas de um derrame. Não é a primeira vez que o cineasta austríaco faz sucesso dentro do Festival de Cannes. Seu trabalho anterior, "A Fita Branca", também recebeu a Palma de Ouro em 2009.
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#Grand Prix - Reality (Itália)
O filme de Matteo Garrone ficou em segundo lugar durante a competição. A trama é baseada na história de um humilde pescador que encontra a fama, ao participar de reality-show.
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#Prix du Juri - The Angels' Share (Inglaterra)
Ken Loach recebeu o prêmio do júri pela comédia britânica "The Angels' Share". O filme narra a história de um grupo de amigos que tentam mudar de vida para não serem presos.
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#Melhor direção - Post Tenebras Lux (México)
Carlos Reygadas foi premiado por "Post Tenebras Lux". O filme foi mal recebido pela crítica internacional, que o considerou incompreensível. Segundo Nanni Moretti, a decisão não foi unânime entre os jurados.
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#Melhor roteiro - Beyond the Hills (Romênia)
Cristian Mungiu foi premiado pelo drama romeno, originalmente titulado, “Dupã Dealuri” (br: Além das colinas). A trama do filme segue duas amigas que cresceram juntas em um orfanato, mas sua amizade é colocada em teste quando uma delas decide se refugiar em um convento.
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#Melhor atuação feminina - Beyond the Hills (Romênia)
As atrizes Cosmina Stratan e Cristina Flutur dividem o prêmio por suas atuações em “Dupã Dealuri”, filme fruto de um trabalho de cinco anos, realizado por Cristian Mungiu.
cannes 2012 encerramento - 7.jpg#Melhor atuação masculina - Jagten (Dinamarca)
O ator Mads Mikkelsen foi premiado por seu trabalho em “Jagten” (br: A Caça), novo filme do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg - um dos idealizadores do movimento cinematográfico Dogma 95.
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#Câmera de ouro - Beasts of the Southern Wild (EUA)
Behn Zeitlin recebeu o prêmio em uma categoria dedicada aos trabalhos de cineastas estreantes. O filme do diretor norte-americano também foi a sensação da última edição do Festival de Sundance em 2012.
> Prêmios complementares da 65ª edição do Festival de Cannes <
#Palma de ouro da curta-metragem 
SILENCE - Realizado por L.Rezan YESILBAS
#Menção especial - Un Certain Regard 
DJECA - Realizado por Aida BEGIC
#Prêmio de Interpretação Feminina - Un Certain Regard 
À PERDRE LA RAISON Interpretado por Emilie DEQUENNE
LAURENCE ANYWAYS Interpretado por Suzanne CLÉMENT
#Prêmio Especial do Júri - Un Certain Regard 
LE GRAND SOIR - Realizado por Gustave KERVERN, Benoît DELÉPINE
#Prémio Un Certain Regard 
DESPUÉS DE LUCIA - Realizado por Michel FRANCO
#Primeiro Prémio da Cinéfondation 
DOROGA NA - Realizado por Taisia IGUMENTSEVA
#Segundo Prémio da Cinéfondation 
ABIGAIL - Realizado por Matthew James REILLY
#Terceiro Prémio da Cinéfondation 
LOS ANFITRIONES - Realizado por Miguel Angel MOULET


Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/pelicula_criativa/2012/05/cannes-2012---cerimonia-premiacao.html#ixzz1wCzZ7Qrf

Seguindo a dica da menina da bolha: Papel Manteiga, para embrulhar segredos


Este Papel-manteiga não forra as fôrmas, sequer se deixa descansar nele a cobertura do bombom. Este papiro é compatível com a língua, a física e a falada, pode-se embrulhar nele sabores factíveis e ficcionais. Livros que receitam são tão íntimos quanto o amor.
Receitas são letras e não o bolo em si, a bandeja. Porque palavras se transformam em bolo se você quiser. Eis um romance permeado por receitas até para quem não tem fogão. Cozinhe e faça a sesta, uma vez que as cartas/capítulos deste romance levam o leitor ao sombreiro que a boa literatura traz aos bons de prato.
Ingredientes unidos por Tatiana Damberg, em alquímica sabedoria, encontram seu cozimento nas graças de Cristiane Lisbôa, que faz literatura até com miolo de pão. A forma como se escolhe ingredientes, como se perfuma as panelas e se deixa cozer as carnes foi, é, e sempre será misteriosa para quem a faz, imagine para quem a lê. Tem em mãos um romance epistolar, receitas solares e madrigais. Alcance uma poltrona e dispense o guardanapo. Ninguém está olhando.


_por : Andréa del Fuego


_ no site: memoriavisual.com.br

QUERÊNCIA - A figura também fala na poesia

QUERÊNCIA

Que o meu querer seja pleno, pois


O maior bem que possuo,
de amar além muro e
sussurrar ao vento todo o meu empenho
para que possas estar bem.

Mando-te flores que acariciam,
e ao mesmo tempo denunciam a insanidade 
que tua falta faz!

Ah! Meu amor...
Querer-te faz com que o mar se
aproxime do mal de amar.

Vem com tua chama que incendeia
e ateia o fogo do teu resplendor;
que me faz viver a todo
vapor.

Aline Carla Rodrigues.

Fotografia - A beleza de um olhar


Qual a beleza de um olhar? Através de um conjunto de fotografias macro, podemos admirar a verdadeira beleza e complexidade do olho humano. O padrão aparentemente simples e uniforme, quando observado mais de perto, transforma-se e revela-nos uma complexidade de cores e formatos verdadeiramente extraordinários.
Qual o olhar que mais o seduz?
olhar olho humano anatomia ver visualizar padrao ocular
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Uma crônica simples e sensível sobre o valor da sensibilidade e da simplicidade na poesia.








“Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: ‘Trabajar era bueno en el sur... Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos’.
E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.

O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram. Lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.

Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.

De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não é apenas do sentido. Se ele dissesse: ‘Era bueno trabajar en el sur’ não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinito do verbo ‘cortar’ e do verbo ‘hacer’ usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo; ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito como os elementos mais simples: ‘trabajar, era bueno, sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos’.

Isso me lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua:

‘A grande dor das coisas que passaram’.

Talvez o que impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a idéia da canoa é também um motivo de emoção.

Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de uma grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa ‘necessidade aborrecida’ de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.

Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas modernos que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem mais profundas...”.
Rubem Braga
Fevereiro, 1949

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