O que afinal é arte? Essa discussão é um problema antigo e para o qual eu não tenho a pretensão de ter solução ou uma resposta que venha a fazer grande diferença, mas pretendo levantar a discussão e ver se todos os amigos leitores que por aqui passam deixam sua contribuição e opinião sobre o tema, e assim creio que em conjunto poderemos ter algo bem interessante sobre o assunto.
Começarei com minhas opiniões. Tenho uma visão sobre arte, de que ela deve possuir um conjunto de fatores, entre eles técnica, método, estética, relevância e criatividade. Quando falo em técnica não uso o termo no sentido tradicional, de que as coisas devam ser feitas de forma acadêmica, mas no sentido de controle, do uso de ferramentas de forma razoavelmente consistente, o fazer algo que tenha suficiente grau de controle para que o autor possa repetir o processo e desta forma gerar outra obra que seja coerente com a primeira, e assim sequencialmente.
A técnica seria por assim dizer a ferramenta que permite que algo seja feito e refeito ao longo do tempo. Isso exclui uma obra que seja originada no caos, em processos sem controle, fruto do puro acaso. Deste modo o termo técnica irá se mesclar no método, fará parte do mesmo, que é o sistema pelo qual o autor realiza sua obra. A repetição do método e da técnica irão gerar diversas obras, variando em tema, em criatividade, em estética, mas com uma base comum de realização. A estética é mais problemática, ela foge da área mensurável e identificável da técnica e do método e entra na subjetividade, o que é estético para um pode não ser para outro, mas ainda assim, vejo a necessidade de uma estética que dê corpo a uma obra.
Quando vejo diversas pinturas de Vermeer, há um parentesco estético entre elas, ao observar muitas fotos de Bresson novamente essa relação de uma coerência estética se faz notar, ao ouvir toda a obra de Mozart encontro novamente um traço que liga uma obra a outra. É esse traço que parece dar coerência ao conjunto de uma obra que chamo de estética. Relevância traz a questão social da arte e perguntas como: essa arte muda alguma coisa? Quebra algum paradigma? Inicia um novo movimento? Desperta a fúria ou o amor na sociedade? Ela irá pautar discussões entre as pessoas? Relevância é isso, é nascer de uma sociedade e interferir nessa mesma sociedade, é se alimentar do mundo para voltar a alimentar o mundo. Uma obra que pareça vir do nada e que nada cause à sociedade parece estéril, inútil. Por fim a criatividade. Apenas repetir o que alguém já fez, copiando, pode demonstrar técnica, estética e método, mas mostrará pouca relevância e muito menos criatividade.
Não digo que tenhamos que fazer algo de novo o tempo todo, nem sei se isso é possível, mas tomarei de exemplo os filmes de Quentin Tarantino. Quase todas as cenas, enquadramentos, movimentos de câmera, e mesmo os personagens e muitos diálogos em seus filmes vieram de outros filmes, ele como grande fã de cinema busca referências e faz novas misturas com esses elementos criando algo que no final das contas é criativo, então se ele não inova na criação de novos elementos, sua criatividade está na nova mistura de elementos conhecidos, penso que essa lógica possa se aplicar a qualquer arte. Desse conjunto de termos acima, e seus significados, tiro um conceito muito pessoal do que considero arte, e daquilo que opto por desconsiderar. Muito do que faço cai no lado desconsiderado, a maioria das fotos que fiz na vida não são arte, no máximo são artesanato bem feito, que tem técnica, estética e método, mas cairão ao pensarmos na relevância e na criatividade. Por outro lado vejo por aí exemplos de artes que até são criativas, mas que são de tal forma fruto de acasos que tenho dificuldade em chamá-las de arte e aqui entro num debate sobre as artes contemporâneas, tão fugazes e perecíveis (com exceções, é claro).
