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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O PODER DA ARTE POR DEMÉTRIO M. REBELLO


A arte talvez seja uma das mais belas fontes de contato entre o ser humano (seja ele o artista ou quem a aprecia) e ele mesmo, pois tem o poder de dar forma, de traduzir em quadros, esculturas, palavras, temas que constituem sua própria essência.

Um dos principais fatores de diferença entre nós, seres humanos, e os animais, é nossa capacidade de amar, de externar nossos sentimentos, de interagir com o outro, com o diferente, de nos emocionar.

Os animais buscam suprir necessidades primárias básicas deles próprios tais como as relacionadas à sua fisiologia e segurança (fome, sede, abrigo, reprodução); já o ser humano, além destas, busca também suprir necessidades superiores tais como as relacionadas a aspectos sociais e pessoais (inter-relações, vivências, conhecimentos, emoções), como bem estudou Abraham Maslow em sua “Hierarquia de Necessidades” demonstrada através da Pirâmide de Maslow.

Praticamente todas as necessidades superiores humanas estão relacionadas com as vivências que nós, seres humanos, tivemos ou temos na vida. Somos, portanto, o resultado das experiências vividas por nós próprios, ou pelas observações das experiências dos outros de nossa espécie; tudo isso vai construindo nosso mundo interno, tijolo a tijolo.

Porém, da mesma forma que ao longo da vida experiências e vivências vão sendo incorporadas àquilo que somos e trabalhadas na forma de reflexões, conexões e aprendizados, tais conteúdos internos também necessitam de alguma forma de vazão, de extravasamento, para que o equilíbrio do indivíduo se estabeleça; entre as diversas formas de extravasamento dos conteúdos internos de um ser humano, a arte ocupa lugar de destaque.



A arte, em suas mais diversas formas de manifestação, coloca o ser humano em contato com aquilo que em essência lhe constitui, com o que lhe é realmente importante, com aquilo que mexe com ele.

Através da arte (do objeto da criação) o artista (o criador), exterioriza, revela e expõe aquilo que constitui seu mundo interno, aquilo que é o seu âmago, a sua essência; a arte tem esse poder, o poder de dar forma, de traduzir em quadros, esculturas, palavras, temas que são a própria a matéria prima do criador.

Dentro desse contexto fica natural perceber que dificilmente encontraríamos em uma pintura de Monet as formas apaixonadas e sensuais típicas das esculturas de Rodan, ou de um texto de Veríssimo traços de um drama digno de trazer à comoção a pessoa mais racional; seus conteúdos básicos, primários, são distintos!

Em outras palavras, toda manifestação artística tem o poder de trazer consigo a intimidade de quem a criou; trata-se de um momento mágico, íntimo, único, onde a criação (a arte) revela seu criador (o artista) em uma mistura de emoções que tocam principalmente as pessoas (o público) que também guardam correlação com o mundo interno do artista.

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