PUBLICADO EM LITERATURA POR JÉSSIKA LARANJEIRA

Brás Cubas é o protagonista e narrador da mais famosa obra realista de Machado de Assis, "Memórias Póstumas de Brás Cubas". A frase “não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor” exprime a ideia não de quem contou sua história e depois morreu, mas de quem primeiro morreu para depois contar. Filho abastado da família Cubas, passou por muitas experiências políticas e amorosas na vida, porém não alcançou o sucesso que gostaria e nem o casamento. Criou o “Emplastro Brás Cubas” buscando algum sucesso, mas acabou por gripar e, como consequência, morreu por pneumonia...
Expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — "Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”. (p.11)
Quando começa a contar sua infância, Brás explica que era uma criança muito peralta e, como fora criado dentre muitas regalias, tinha um escravo, Prudêncio, para ser usado como brinquedo.
Brás Cubas é o protagonista e narrador da mais famosa obra realista de Machado de Assis, "Memórias Póstumas de Brás Cubas". A frase “não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor” exprime a ideia não de quem contou sua história e depois morreu, mas de quem primeiro morreu para depois contar. Filho abastado da família Cubas, passou por muitas experiências políticas e amorosas na vida, porém não alcançou o sucesso que gostaria e nem o casamento. Criou o “Emplastro Brás Cubas” buscando algum sucesso, mas acabou por gripar e, como consequência, morreu por pneumonia...
Expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — "Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”. (p.11)
Quando começa a contar sua infância, Brás explica que era uma criança muito peralta e, como fora criado dentre muitas regalias, tinha um escravo, Prudêncio, para ser usado como brinquedo.
