As funções do SE vão gerar variadas questões. No dia a dia, estabelecemos contato com orações nas quais a palavra “se” encontra-se presente.
São expressões que mediante a oralidade se tornam triviais, visto que apenas são proferidas pelo emissor sem que este se atenha a uma análise minuciosa em relação à sua empregabilidade. Entretanto, quando estudadas de acordo com a morfologia e a sintaxe, percebemos que exercem distintas funções, levando em consideração o contexto em que se encontram inseridas.
Quando analisada de acordo com sua classe morfológica, o termo em estudo adquire as seguintes classificações:
PRONOME
CONJUNÇÃO
SUBSTANTIVO
Na maioria das gramáticas, encontramos “oito” funções para o SE. Contudo, estudando mais a fundo, conseguimos localizar “11” e colocamos aqui cada um desses casos:
O Se como PRONOME
Integrando a classe dos pronomes oblíquos, pode também assim ser classificado:
1)Pronome apassivador (PA)
Relaciona-se a verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos, estando na voz passiva sintética. Para reconhecer a devida ocorrência, recomenda-se mudar o verbo para a voz passiva analítica.
Exemplos:
Fiscalizaram-se várias CNHs. (Fiscalizar é VTD)
Fazendo tal permutação, obteríamos: Várias CNHs foram fiscalizadas.
Outros casos:
Vendem-se casas / casas são vendidas
Deu-se um presente ao amigo / um presente foi dado ao amigo. (Dar é VTDI)
2) Pronome reflexivo
O sujeito pratica e recebe a ação. Esse SE assume o sentido de “a si mesmo”, “ele mesmo”, “ela mesma”. Temos 1 sujeito e o singular.
Neste caso, dependendo da predicação a que se relaciona o verbo, o pronome “se” pode exercer a função de objeto direto, indireto ou sujeito de um infinitivo.
Exemplos:
A garota penteou-se diante do espelho.
Ontem, Maria se machucou
Deitou-se cedo para descansar
3) Pronome reflexivo recíproco
O pronome SE corresponde a outro. Um ao outro. São dois sujeitos e verbo no plural.
Podendo também funcionar como objeto direto ou indireto, o pronome “se” corresponde a outro. Tal reciprocidade refere-se à ação do próprio sujeito.
Exemplos:
Inacreditavelmente, aqueles amigos parecem respeitar-se.
Meus pais se amam profundamente.
Eles se abraçaram ontem.
4) Parte integrante do verbo (PIV)
Integra verbos essencialmente pronominais, ou seja, aqueles que necessariamente trazem para junto de si o pronome oblíquo (me, te, se), denotando quase sempre sentimentos e atitudes próprias do sujeito.
São eles: queixar-se, arrepender-se, vangloriar-se, submeter-se, lembrar-se, suicidar-se, avantajar-se, tornar-se, dentre outros.
Exemplos:
Os garotos queixaram-se do mau atendimento.
Arrependeu-se do ocorrido.
5) Índice de indeterminação do sujeito (PIS)
Para identificar tal classificação, basta substituirmos o “se” por alguém, ninguém ou qualquer um. Relaciona-se a verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, uma vez conjugados na 3ª pessoa do singular.
Exemplos:
Precisa-se de funcionários qualificados. (Alguém precisa de funcionários qualificados.)
Aqui se come muito. (é o mesmo que dizer que “qualquer um come muito aqui”. Comer é verbo intransitivo)
Aqui se é feliz. (é o mesmo que dizer: aqui qualquer um é feliz)
6) Partícula de realce ou expletiva
Assim como retrata a própria nomenclatura (realce), tal classificação permite que o pronome seja retirado da oração sem para que isso haja alteração de sentido. Neste caso, liga-se a verbos intransitivos, indicando uma ação proferida pelo sujeito.
Exemplos:
Toda plateia riu-se diante das travessuras do palhaço trapalhão.
Notamos que o discurso seria perfeitamente compreensível caso retirássemos o “se”.
O SE como CONJUNÇÃO
Quando assim classificado, se caracteriza apenas como subordinativas, assumindo as devidas posições:
7) Conjunção subordinativa condicional
É uma hipótese e o verbo virá no subjuntivo. Estabelece um sentido de condição, podendo equivaler-se a “caso não”.
Exemplos:
Se tivéssemos saído mais cedo, poderíamos aproveitar mais o passeio.
(Oração subordinada adverbial condicional)
Se você não quiser, chamaremos outro em seu lugar.
Se ele chegar cedo, ótimo.
Se eu soubesse que era tão fácil teria começado antes.
8) Conjunção subordinativa causal
Aqui o SE dá da ideia de “é fato”, no sentido de relacionar-se a “já que”, “uma vez que”.
Exemplos:
Se não tinha competência para o cargo, não poderia ter aceitado a proposta.
(Oração subordinada adverbial causal)
Se já estamos aqui, vamos iniciar a aula.
9) Conjunção subordinativa integrante
O SE pode ser substituído por “isto” na frase.
Introduz uma oração subordinada substantiva.
Exemplos:
Analisamos se as propostas eram convenientes. (é como se dissesse: “Analisamos se isto era conveniente – trata-se de uma: Oração subordinada substantiva objetiva direta)
Fale-me se estou certa ou errada. (Fale-me isto: estou certa ou errada?)
Um dia me perguntaram se eu voltaria. (Um dia me perguntaram isto)
10) conjunção subordinativa concessiva
Neste caso, o SE pode ser substituído por “embora”. É uma exceção à consequência natural da ação. Dá a ideia de oposição e contrariedade.
Exemplos:
Se perdermos esse jogo, nem por isso sairemos daqui desanimados.
Se eles eram felizes, não demonstraram prazer.
O SE como SUBSTANTIVO
11) Substantivado
Essa classificação aparece pouco nas gramáticas, mas é possível assim como a maioria das palavras de qualquer classe gramatical, quando recebe um artigo na frente, torna-se substantivada. Neste caso, aparece antecedido de um determinante (artigo, pronome etc.) ou especifica outro substantivo.
Exemplos:
Este “se” não está classificado corretamente.
Contou o “se” que faltava.
Aquele “se” atrapalhou tudo.
