"Lembro bem do exato momento em que a simpatia que possuía por Fernanda atriz, virou um sentimento de admiração. Foi, ironicamente, no fim do primeiro capítulo de FIM - seu livro de estreia lançado pela Companhia das Letras - que senti certa conexão com o seu olhar pelo outro.
A arte de escrever é engraçada em vários níveis diferentes. É possível se apossar da escrita e colocar em palavras tudo o que se deseja transmitir ao seu eventual leitor, mesmo que, muitas vezes, se use o recurso de palavras rebuscadas, só para mostrar seu refinamento cultural. Infelizmente, muitos escritores nacionais sofrem dessa síndrome. Mas é possível também se deixar levar e escrever. Só escrever. Usar palavras presentes em seu dia a dia. Dar voz aos personagens exatamente como fala sua vizinha, por exemplo. Alguns escritores transpõem o seu cotidiano para o que escrevem. Assim conseguem tocar os seus leitores e fazem com que não exista uma barreira entre quem produz e quem recebe. Tudo se torna basicamente uma conversa. É como se você estivesse em uma mesa de bar com um amigo e ali falassem, entre uma cerveja e outra, por horas a fio.
