. A memória não carrega peso inútil em suas malas. Viaja leve. Leva sempre duas malas. Numa estão os objectos úteis. Noutra estão os objectos que dão prazer.
. Um homem que, desejoso de montar uma oficina, comprasse todas as ferramentas que existem, seria considerado um tolo. Uma oficina se monta com ferramentas que vão ser usadas. Mas as escolas querem que os alunos carreguem ferramentas que nunca serão usadas. E depois se queixam de que elas são abandonadas.... Prova de inteligência não é possuir todas as ferramentas. É possuir as ferramentas de que se vai necessitar. Sabedoria oriental: «O tolo soma ferramentas. O sábio diminui as ferramentas». O importante não é ter. É saber onde encontrar.
. É preciso distinguir «escolarização» de «educação». Nas escolas as crianças são submetidas ao «jugo» dos saberes impostos de cima: os programas. «Jugo» é canga. No Brasil fala-se mesmo em «grade curricular». «Grade», coisa de carcereiro. A educação segue o caminho inverso: começa não com os programas mas com a criança que vive seu momento presente. Saberes que permanecem não são impostos. Eles crescem da vida. Dizia Nietzsche: «Aquele que é um mestre, realmente um mestre, leva as coisas a sério - inclusive ele mesmo - somente em relação aos seus alunos. »
. A palavra amor se tornou maldita entre os educadores. Envergonham-se de que a educação seja coisa do amor - piegas. Mas o amor - Platão, Nietzsche e Freud o sabiam - nada tem de piegas. O amor marca o impreciso e forte círculo de prazer que liga o corpo aos objectos. Sem o amor tudo nos seria indiferente – indigno de ser aprendido, inclusive a ciência. Não teríamos sentido de direcção ou não teríamos prioridades.
