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domingo, 1 de julho de 2018

"Empresas abandonam 'influenciadores digitais' que inflam perfis com seguidores falsos"


A gigante de bens de consumo Unilever decidiu se insurgir contra "influencers" - ou influenciadores digitais - que falsificam sua relevância nas redes sociais para ganhar dinheiro promovendo produtos.

Será o começo do fim da lua de mel entre empresas e "campeões de curtidas" no Instagram?

Todos já ouvimos falar de estrelas do Youtube, Facebook e Instagram que ganham uma fortuna promovendo marcas nas suas páginas das redes sociais. Alguns desses expoentes têm mais de um milhão de seguidores e chegam a ganhar US$ 20 mil por post.

Mas parece que alguns deles estão burlando o sistema para ganhar dinheiro, comprando exércitos de seguidores de empresas que usam bots (robôs) automáticos para criar contas falsas e simular interações.

O engajamento com outros usuários de redes sociais e a quantidade de seguidores são as principais métricas de avaliação dos influencers.

A multinacional Unilever disse que quer ver "mais transparência" na indústria de marketing dos influenciadores digitais. O temor é que, por causa das trapaças para obter "curtidas", os consumidores deixem de confiar nos donos desses perfis e nas marcas associadas a eles.

O Instagram diz que bloqueia milhões de contas falsas todos os dias e trabalha "duro" para construir o relacionamento entre marcas e influenciadores digitais.

Mas alguns dos verdadeiros influencers temem ser atingidos no fogo cruzado. "Eu sou contra os bots", diz a moradora de Nova York Olivia Rink, 27, uma blogueira de moda e estilo de vida que já foi líder de torcida (cheerleader).Direito de imagemOLIVIA RINK/@AESTHETIICAImage captionSerá que o boom de marketing por meio de "influencers" está prestes a acabar?

"É desencorajador competir com inlfuencers que usam bots para criar engajamentos falsos."

Rink já trabalhou com mais de 600 marcas e diz que dedica quatro horas por dia à audiência do seu blog.

"Eu trabalho duro para criar um conteúdo único e autêntico, que sei que vai agradar ao meu público."
Movimento crescente

Mas a Unilever não é a única marca insatisfeita com os rumos do mercado de influenciadores digitais- algumas redes de hotéis disseram à revista The Atlantic que não querem mais trabalhar com influencers.

Eles afirmam que recebem uma enxurrada de pedidos de hospedagem e despesas gratuitas, mas o retorno desses investimentos não é nada tangível.

Outros resorts passaram a implementar um processo de análise e seleção para garantir que os influenciadores realmente possuem engajamento real e orgânico com o público, sem o uso de bots.

Em outro sinal de desencanto, parece que agências de marketing estão dispensando os influencers de suas estratégias de ação, segundo a agência de marketing baseada no Reino Unido Zazzle Media.

A empresa, que tem 10 mil influencers na sua lista, se surpreendeu ao descobrir que nenhuma das empresas de marketing britânicas que responderam a um levantamento planejavam investir em influencers nos próximos 12 meses.

"Acreditamos que há duas razões para isso. Uma delas é a dificuldade de medir como os influencers realmente afetam as vendas. E há a questão dos bots", diz Simon Penson, fundador e diretor-executivo da Zazzle Media.Direito de imagemNATASCHA GLOCKImage captionO público de Natascha Glock é formado, principalmente, por jovens alemães de 18 a 25 anos

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