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terça-feira, 19 de novembro de 2013

BELAS (VIBRANTES, CONTEMPORÂNEAS) ARTES ARGENTINAS



“… Al mejor cazador se le escapa un elefante si lo que está buscando es un tigre.”
Pablo Capanna


O recém (re) aberto Museo Emilio Caraffa, em Cordoba, brinda, aos olhos do expectador, um extraordinário panorama da atualidade das artes visuais na vizinha Argentina. Vale à pena visitar a cidade para conhecê-lo (e não só por isso, pelo contrário, pois há muito que ver e aprender por lá).

Destaco, aqui, através dos registros de minha própria lente (amadora e curiosa), o trabalho marcante de quatro artistas contemporâneos que, explorando distintas linguagens e meios, da tradição pictórica à transgressão midiática, compõem, ao menos aos olhos deste desavisado percorredor de museus, um instigante percurso em meio a uma insinuante experiência visual.

Sol Halabi



Sobre a obra exposta da artista Sol Halabi (nascida em Cordoba, em 1977) no MEC, …Y outra vez primavera, o pesquisador Mariano Serrichio escreve o seguinte:

As inúmeras referências à magia nos títulos dos quadros, os detalhes simbólicos que compõem as cenas, as palavras de Sol Halabi sobre seu trabalho, não deixam dúvidas de que uma percepção que excede a vida comum e corrente é o que anima sua energia pictórica, atraída pelos sonhos, as visões, as ondas do invisível no visível.

Precisamente! Pois a primeira impressão que me toca é em relação à presença da figura feminina. Uma sensualidade instalada no espaço onírico. Uma paleta de cores fortes, que estabelece uma espécie de grito, no contraste com a sala de paredes brancas do museu.

Explorando a matéria dos sonhos, entretanto, a artista é tributária da diferentes tradições: de imediato, o desenho como meio para a precisão narrativa da pintura; de outro modo, a dimensão surreal que sugere a inscrição de um mundo em que se vive a parte das realidades cotidianas. Uma irrealidade necessária; uma expressão em que o simbolismo explícito é também a matéria da obra de arte.





Nina Molina





Nina Molina (Buenos Aires, 1946) expõe, entre outras visagens, a instalação fotográfica intitulada Sala 5, onde o próprio espaço expositivo torna-se tema das imagens que compõem o ambiente. Desta forma, insere o expectador em um inesperado mise em abyme. Ou, como coloca mais precisamente o curador da mostra, Gabriel Gutnisky:

Ao nível da recepção, verifica-se, então, uma situação, que se diria paradoxal, porque a ordem tradicional da mostra se inverte: estamos observando, como obras, o registro fotográfico das paredes, pisos e tetos que lhe servem de suporte. Aqui, o gesto indicativo de Nina Molina põe em jogo a imediação espacial e a anterioridade temporal, o aqui e o anteriormente, o que agora estou percorrendo e o que foi fotografado em outro momento.

Impossível, diante o jogo proposto, e com uma câmera pendurada no pescoço, não fazer parte desse quebra-cabeça espaço-tempo e, com um clique, insinuar-se, imiscuir-se e, de certa forma, expandir, a obra de Molina.



Marcelo Hepp



Marcelo Hepp nada tem de principiante; Marcelo Hepp está sempre no princípio; Marcelo Hepp é um mestre das formas dinâmicas no espaço. Nascido em Cordoba em 1945, detém uma notável e sólida obra escultórica que se espalha, para além dos museus e galerias, pelos espaços públicos da sua cidade.

No MEC, entretanto, com a mostra Espacio Intangible, expõe uma visão espacial intensamente contemporânea (tento fugir da expressão fácil vanguarda, mas escapa-me melhor conceito). Quanto a isso, e como que legitimando as impressões deste comentarista (este sim!) de primeira viagem, assinala a pesquisadora de artes Julia Oliva Cúneo:

(…) Trata-se, nesta ocasião, de um "outro Hepp”, o da escultura e da instalação suscetível do recinto intimista do museu, que, longe do ruído visual da cidade, explora sua potencialidade interpelante do outro, num passo que se detém no jogo subjugante das luzes e sombras da sala, dos brilhos, transparências e opacidades das obras.

Em uma correspondência que, ao meu modo imediato de olhar e ver, remete às fotografias sob luz estroboscópica de Harold Edgerton, por exemplo, Hepp investiga o movimento como processo quântico da forma, valendo-se da tecnologia para moldar o intervalo intangível entre um ponto de partida e outro ponto de chegada no espaço, coisa que o olho humano busca, sem sucesso, capturar do acontecimento visual.





Oscar Brandán

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