O desafio aqui é apresentar alguns dos principais temas de português exigidos no cotidiano, no mercado de trabalho e em exames vestibulares e concursos do país. Os itens a seguir foram pensados como um estimulador, para a descoberta de aspectos que, sozinhos, talvez não percebamos de imediato.
Crase rápida
■ Não há crase antes de verbos e palavras masculinas:
"Amanhã iremos ao colégio" = "Amanhã iremos à escola"
■ Há crase quando o [a] equivale a "para a", "na", "pela", "com a".
"Ofereci ajuda à coordenadora." = "Ofereci ajuda para a coordenadora."
Mas: "Ofereci ajuda a ela." = "Ofereci ajuda para ela."
■ A crase é facultativa antes de pronomes possessivos e nomes próprios femininos.
■ Não há crase quando não há a fusão das vogais: "Levei à ela toda a papelada"
Aqui, o pronome pessoal "ela" não admite artigo. Levei a + ela.
■ Se intuímos a regra de que só se usa crase diante de palavras femininas quando há preposição seguida de artigo, evitamos ocorrências como "à 80 km", "à correr" ou "à Pedro". Afinal, nunca pensamos em crase com palavras masculinas ou verbos: daí não haver "a lápis", "a contragosto", "a custo".
■ Se lembrarmos que o sinal grave também elimina ambiguidades, evitamos tirar a crase em contextos que a pedem, por exemplo, "à beira", "à boca miúda", "à caça".
"Haver" e "fazer"
No sentido de "existir" e "ocorrer" são impessoais (não flexionados quando indicam tempo passado ou fenômeno meteorológico).
Equivocado:
■ Houveram fatos inusitados na reunião.
■ Houveram muitas chuvas no mês de novembro.
■ Haviam muitas pessoas na palestra.
■ Fazem quatro meses que trabalho aqui.
■ Fazem anos que não a vejo.
Correto:
■ Houve fatos inusitados na reunião.
■ Houve muitas chuvas no mês de novembro.
■ Havia muitas pessoas na palestra.
■ Faz quatro meses que trabalho aqui.
■ Faz anos que não a vejo.
O verbo com porcentagem
1. Quando uma expressão modifica o sujeito numeral, o verbo concorda de preferência com a expressão, chamada "partitivo" (grifada):
34% do público veio. (Ou, menos usado, 34% do público vieram.);
14% das pessoas vieram.
2. Sem partitivo, o verbo concorda com o número:
34% roubam. 1% rouba. 90% são safados. 1% é honesto.
3. Partitivo antes, o verbo concorda com o número:
Do Congresso, 10% trabalham. Dos congressistas, 1% merece aplauso.
4. O verbo antes da porcentagem concorda com o número:
Trabalha 1% dos congressistas. Flauteiam 90% dos congressistas.
5. Se a porcentagem for qualificada ou determinada, o verbo concorda com o número e a qualificação ou determinação (aqueles, o restante):
Aqueles 87% do Congresso defendem a si próprios. O restante 1% dos congressistas trabalha com dignidade.
Pedir para, pedir algo ou pedir que?

O verbo "pedir" é bitransitivo, isto é, exige dois complementos: um sem preposição, o objeto direto, às vezes oracional, marcado pela presença de "que".
Só se usa "para" junto ao verbo "pedir" quando estiverem implícitas, antes de "para", as palavras "autorização", "licença" ou "permissão": Pediu para ir ao banheiro. Pediu para ir embora. Pedi para entrar.
Se não houver o subentendimento de tais palavras: Ele pediu que lhe comprassem um sanduíche. (Não "para que..."). Pedi que Lenise me açoitasse. (Não "para que..."). Lenise pede a Ina que seja feliz. (Não "para que..."). Pediu-lhe que deixasse de mentir à CPI. (Não "para que...").
Pôr e querer
Use apenas "s" nas formas "quis", "puseste", etc. Nenhuma delas leva "z".
Pronúncia atropelada, escrita confusa
Cuidados com os termos que tendem a ter pronúncia atropelada ou nos causam confusão na escrita:
Apropriado > adivinhar >ascensão > auscultar > a cólera (ira ou doença) > beneficente > curinga (não coringa) > destoar > dissensão > encapuzado (não encapuçado) > exceção > empecilho > figadal (não fidagal) > flagrante > fragrância > frustração > "mau" (quando em oposição a "bom", usa-se "mau"; em oposição a "bem", usa-se "mal") > obsessão > paralisado > perturbar > perspectiva > pichar > privilégio > problema > recorde (pronuncia-se "recórde", não "récorde" nem "recór") > superstição > vultoso.
HÁ x A
Há - Se o período de tempo já passou: "O fiscal chegou há meia hora";
A - Se o período ainda vai ocorrer: "O fiscal voltará daqui a meia hora".
Há tempo - Há = faz. "O fiscal chegou há tempo": faz tempo que chegou.
A tempo - A = em. "O fiscal chegou a tempo": chegou na hora, em tempo.
Há uma hora - Há = faz. "O ônibus passou há uma hora".
À uma hora - Se a referência for à hora do dia: "O ônibus passou à uma hora".
A uma hora - Nos demais casos. "A próxima parada fica a uma hora daqui"; "Ele viajou a uma hora dessas?", etc.
O "há" pode ser substituído por "faz" quando indica tempo passado. E a preposição "a" indica futuro ou distância; substituída por "faz", não fará sentido.
■ Houve fatos inusitados na reunião.
■ Houve muitas chuvas no mês de novembro.
■ Havia muitas pessoas na palestra.
■ Faz quatro meses que trabalho aqui.
■ Faz anos que não a vejo.
O verbo com porcentagem
1. Quando uma expressão modifica o sujeito numeral, o verbo concorda de preferência com a expressão, chamada "partitivo" (grifada):
34% do público veio. (Ou, menos usado, 34% do público vieram.);
14% das pessoas vieram.
2. Sem partitivo, o verbo concorda com o número:
34% roubam. 1% rouba. 90% são safados. 1% é honesto.
3. Partitivo antes, o verbo concorda com o número:
Do Congresso, 10% trabalham. Dos congressistas, 1% merece aplauso.
4. O verbo antes da porcentagem concorda com o número:
Trabalha 1% dos congressistas. Flauteiam 90% dos congressistas.
5. Se a porcentagem for qualificada ou determinada, o verbo concorda com o número e a qualificação ou determinação (aqueles, o restante):
Aqueles 87% do Congresso defendem a si próprios. O restante 1% dos congressistas trabalha com dignidade.
Pedir para, pedir algo ou pedir que?
O verbo "pedir" é bitransitivo, isto é, exige dois complementos: um sem preposição, o objeto direto, às vezes oracional, marcado pela presença de "que".
Só se usa "para" junto ao verbo "pedir" quando estiverem implícitas, antes de "para", as palavras "autorização", "licença" ou "permissão": Pediu para ir ao banheiro. Pediu para ir embora. Pedi para entrar.
Se não houver o subentendimento de tais palavras: Ele pediu que lhe comprassem um sanduíche. (Não "para que..."). Pedi que Lenise me açoitasse. (Não "para que..."). Lenise pede a Ina que seja feliz. (Não "para que..."). Pediu-lhe que deixasse de mentir à CPI. (Não "para que...").
Pôr e querer
Use apenas "s" nas formas "quis", "puseste", etc. Nenhuma delas leva "z".
Pronúncia atropelada, escrita confusa
Cuidados com os termos que tendem a ter pronúncia atropelada ou nos causam confusão na escrita:
Apropriado > adivinhar >ascensão > auscultar > a cólera (ira ou doença) > beneficente > curinga (não coringa) > destoar > dissensão > encapuzado (não encapuçado) > exceção > empecilho > figadal (não fidagal) > flagrante > fragrância > frustração > "mau" (quando em oposição a "bom", usa-se "mau"; em oposição a "bem", usa-se "mal") > obsessão > paralisado > perturbar > perspectiva > pichar > privilégio > problema > recorde (pronuncia-se "recórde", não "récorde" nem "recór") > superstição > vultoso.
HÁ x A
Há - Se o período de tempo já passou: "O fiscal chegou há meia hora";
A - Se o período ainda vai ocorrer: "O fiscal voltará daqui a meia hora".
Há tempo - Há = faz. "O fiscal chegou há tempo": faz tempo que chegou.
A tempo - A = em. "O fiscal chegou a tempo": chegou na hora, em tempo.
Há uma hora - Há = faz. "O ônibus passou há uma hora".
À uma hora - Se a referência for à hora do dia: "O ônibus passou à uma hora".
A uma hora - Nos demais casos. "A próxima parada fica a uma hora daqui"; "Ele viajou a uma hora dessas?", etc.
O "há" pode ser substituído por "faz" quando indica tempo passado. E a preposição "a" indica futuro ou distância; substituída por "faz", não fará sentido.
