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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Três poemas de Marco Cremasco


Ser pedra

ser esta régua


que mede passos


sem conhecer medidas

ser essa coisa silenciosa


que guarda segredos


desvendando escritas


ser este esterco


disperso e bruto


que obra despedidas

ser este ser absurdo


que nada fez


metendo-se em tudo



Velho relógio

o tempo voa


não chora


por nada

exceto


o velho relógio


que permanece

sempre


na mesma hora

não tem ponteiros


somente marca


não tenha pressa



Pesca


a linha alcança


onde olhar descansa


na busca da paz


busca-se mais


do que o peixe


na ponta da linha


ninguém adivinha


o que virá


o que será


dessa pesca


o que se fisga


é a própria alma


de quem lança a isca


Marco Aurélio Cremasco nasceu em Guaraci, Paraná. Professor na Faculdade de Engenharia Química da Unicamp. Publicou os livros de poemas Vampisales (Editora da Universidade Estadual de Maringá, 1984), Viola Caipira (edição do autor, Campinas, 1995), A Criação (Cone Sul, São Paulo, 1997; Prêmio Xerox e Revista Livro Aberto de Literatura) e fromIndiana (edição do autor, West Lafayette, EUA, 2000). Possui o romance Santo Reis da Luz Divina (2004; Prêmio Sesc de Literatura de 2003 e finalista do Prêmio Jabuti de 2005) e o livro de contos Histórias Prováveis (2007) editados pela Record (Rio de Janeiro). Em 2010 foi contemplado com a Bolsa Funarte de Criação Literária para a escrita do romance Evangelho do Guayrá

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