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A ARTE RENOVA O OLHAR!

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Inclusão!


Obs.: Foto de Domingos Souza.

Pensamento para o dia: propósito.


"Bendito seja o SENHOR teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no seu trono como rei para o SENHOR teu Deus;
 porque teu Deus ama a Israel, para estabelecê-lo perpetuamente; por isso te constituiu rei sobre eles para fazeres juízo e justiça."
II Crônicas 9.8

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ela é encantadora, Yasmim Claussen, felicidade!


PRECE PARA QUEM SE AMA


Desejo que a sua vida inteira seja abençoada, cada pequenino trecho dela, em toda a sua extensão. Que cada bênção abrace também as pessoas que ama e seja tão vasta que leve abraço a outros tantos seres, sobretudo àqueles que mais sofrem, seja lá por que sofrem. Desejo que os nós que apertam o seu coração sejam gentilmente desatados e que os sentimentos que os formaram se transformem na abertura capaz de criar belos laços de afeto. Desejo que o seu melhor sorriso, esse aí tão lindo, aconteça incontáveis vezes pelo caminho. Que cada um deles crie mais espaço em você. Que cada um deles cure um pouco mais o que ainda lhe dói. Que cada um deles cante uma luz que, mesmo que ninguém perceba, amacie um bocadinho as durezas do mundo.

Desejo que volte para o seu mar quantas vezes forem necessárias até encontrar o seu tesouro. Que quando encontrá-lo, não seja avarento. Que descubra maneiras para compartilhar a sua felicidade, o jeito mais gostoso para se expandir a riqueza. Desejo que quando os ventos da mudança ventarem mais forte, e sentir medo de ser carregado junto com tudo o que parecerem arrastar, você já conheça o lugar onde nada pode arrastá-lo. Que já saiba maneiras de respirar mais macio, quando as circunstâncias lhe encurtarem o fôlego. Que, com o passar do tempo, a sua alma se torne cada vez mais maleável, mas que seja firme o bastante para nunca desistir de você.

Desejo que tudo o que mais lhe importa floresça. Que cada florescimento seja tão risonho e amoroso que atraia os pássaros com o seu canto, as borboletas com as suas cores, o toque do sol com seu calor mais terno, e a chuva que derrama de nuvens infladas de paz. Desejo que, mais vezes, além de molhar só os pés, você possa entrar na praia da poesia da vida com o coração inteiro e brincar com a ideia que cada onda diz. Que, ao experimentar um caixote ou outro, não se arrependa por ter entrado na água, nem desista de brincar. Todo mundo experimenta um caixote ou outro, às vezes um monte deles, quando se arrisca a viver. O outro jeito é estar morto. O outro jeito é não sentir.

Desejo que não tenha tanta pressa que esqueça de colher estrelas com os olhos nas noites em que o céu vira jardim, e levar para plantar no seu coração as mudas daquelas mais luzentes. Que tenha sabedoria para encontrar descanso e alimento nas coisas mais simples da vida. Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça.

Desejo que encontre maneiras para se fazer feliz no intervalo entre o instante em que cada dia acorda e o instante em que ele se deita pra dormir, porque a verdade é que a gente não sabe se tem outro dia. Que quanto mais passar a sua alma a limpo, mais descubra, mais desnude, mais partilhe, com medo cada vez menor, a beleza que desde sempre você é. Que se sinta livre e louco o bastante pra deixar a sua essência florir.

Não importa quanto tempo passe, não importa onde eu esteja, não importa onde esteja você, abra os olhos pra dentro e ouça: o meu coração estará dizendo esta mesma prece de amor para o seu. Amor incondicional, exatamente como neste instante. Não importa o quanto a gente mude, o quanto a distância aparente nos afastar, isto que sinto por você, eu sei, não muda nunca mais.



© ANA CLÁUDIA SALDANHA JÁCOMO
In Cheiro de flor quando ri 1
(publicado em 15 de Abril de 2011)
Deus a abençoe poderosamente!
Arte digital de Aline Carla Rodrigues.

Pensamento para o dia: há um tempo para todas as coisas

Tempo para tudo
Tudo neste mundo tem o seu tempo;
cada coisa tem a sua ocasião.
Há tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derrubar e tempo de construir.
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar;
tempo de chorar e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de afastar.
Há tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
tempo de rasgar e tempo de remendar;
tempo de ficar calado e tempo de falar.
Há tempo de amar e tempo de odiar;
tempo de guerra e tempo de paz.

Eclesiastes 3: 1 ao 8.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Poesia na Bíblia por Frei Betto


O Livro Sagrado é a manifestação de Deus e, por isso, uma proposta de amor

A poesia é a linguagem dos anjos, dos amantes e das crianças. Transcende a razão e supera normas gramaticais. Fala mais à emoção que à razão, mais à alma que à cabeça. É a linguagem de Deus.

Em toda a Bíblia não há uma única aula de teologia, nem um só capítulo que se pareça a um manual de catequese. O primeiro capítulo do Gênesis, em seus primeiros versículos, é um poema sobre a Criação. Há uma cadência – o primeiro dia, o segundo dia etc. O poema vai do Caos ao Cosmos. O Caos são as trevas, o vazio, o abismo. Sequencialmente, o poder divino imprime luz onde havia trevas e, aos poucos, a Criação adquire harmonia, beleza - daí o termo grego Cosmos, da mesma raiz etimológica de cosmético, aquilo que imprime beleza.

Entre os seus múltiplos gêneros literários, a Bíblia adota também a poesia. Seus mais belos textos são em poesia lírica, como o Cântico de Moisés (Êxodo 15), o Cântico do poço (Números 21, 17-18), o Cântico de Débora (Juízes 5, 1-31), a elegia de Davi sobre Saul e Jônatas (2 Samuel 1, 19-27) e o elogio de Judas a Simão Macabeu (1 Macabeus 3, 3-9 e 14, 4-15).

A Bíblia é Palavra de Deus e, como tal, proposta de amor. A ponto de o profeta Jeremias exclamar:

Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir (20, 7).

Entre os inúmeros textos poéticos da Bíblia merece destaque o Cântico dos cânticos, coletânea de poemas que celebram o amor entre a Amada e o Amado, com expressivas aliterações, como o primeiro verso:

Beija-me com beijos de tua boca!

Há outro livro, todo ele em poemas, hinos e cânticos – os Salmos, que tanto Maria quanto Jesus traziam na memória. Um dos mais expressivos é o de número 136, de ação de graças, que repete após cada um de seus 26 versos:

Porque o seu amor é para sempre!

Em cada livro do Antigo Testamento encontramos textos poéticos, mesmo no livro aparentemente niilista de Coélet, conhecido como Eclesiastes:

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade

(...)

O que foi, será,

o que se fez, se tornará a fazer:

nada há de novo debaixo do sol!

Destaca-se o poema do Tempo:

Tempo de nascer

E tempo de morrer;

Tempo de plantar

E tempo de colher;

Tempo de matar

E tempo de curar;

Tempo de destruir

E tempo de construir;

Tempo de chorar

E tempo de rir;

Tempo de gemer

E tempo de bailar...

No Evangelho de Lucas vale ressaltar os tons poéticos do Magnificat, o cântico libertário de Maria (1, 46-55); o Benedictus, cântico profético de Zacarias (1, 68-79); e o Nunc dimittis, o louvor de Simeão ao tomar o menino Jesus nos braços (2, 29-32).

Nas palavras de Jesus, especialmente nas parábolas que narrava ao povo, são muitas as expressões poéticas, como “olhai os lírios do campo, que não trabalham nem fiam e, no entanto, nem Salomão, com toda a sua glória, se vestiu como um deles” (Lucas 12, 20-32 e Mateus 6, 24-33).

Com certeza, a oração ensinada por Jesus, o Pai-Nosso, merece ser incluída no elenco de poemas evangélicos. Não vou reproduzi-la, porque é bem conhecida. Porém, destaco alguns versos:

Pai nosso que estais nos céus

(...)

Venha a nós o vosso reino

(...)

O pão nosso de cada dia nos dai hoje

O refrão Pai Nosso e Pão Nosso nos indica que só temos o direito de chamar Deus de “Pai nosso” se também o pão, os bens essenciais à vida, forem nossos, e não apenas de alguns poucos em detrimento da maioria da população, privada de acesso aos bens necessários à vida digna e feliz.

Outro texto evangélico muito poético é o que serve de prólogo ao Evangelho de João (1, 1-18):

No princípio era o Verbo

E o Verbo estava em Deus

E o Verbo era Deus.

(...)

E o Verbo se fez carne

E habitou entre nós.

É à poesia que o apóstolo Paulo recorre quando, no discurso no Areópago (Atos dos Apóstolos 17, 28), expressa a nossa ontológica e visceral união com Deus: “Nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dos vossos, aliás, já disseram: ´Porque somos também de sua raça´.”

Trata-se de uma citação livre da obra Fenômenos, de Arato, poeta que viveu na Cilícia no século III antes de nossa era. O texto originário é:

Comecemos com Zeus,

de que nós, mortais, nunca deixamos de lembrar.

Porque toda rua, todo mercado está cheio de Zeus.

Mesmo o mar e o porto estão cheios da divindade.

Em todo lugar todo mundo é devedor a Zeus. Porque somos, na verdade, seus filhos...(Phaenomena 1-5).

A poesia está presente em toda a tradição mística, como expressão da união com Deus, e recorre à linguagem amorosa para tentar dizer o indizível. Francisco de Assis, jovem trovador convertido à evangélica opção pelos pobres, entoou o Cântico das criaturas:

Louvado seja, meu Senhor,

Por nossa irmã, a mãe Terra

Que nos sustenta e governa,

E produz frutos diversos

E coloridas flores e ervas.

(...)

Teresa de Ávila cantou este verso aparentemente paradoxal:

Morro porque não morro.

João da Cruz, discípulo dileto de Teresa, lapidou, no poema que serve de prólogo e roteiro a seu livro Noite escura, a estrofe que considero a mais bela da poesia amorosa ou mística, pois todo apaixonado é um místico, assim como todo místico é um apaixonado:

Ó noite que juntaste

Amado com amada,

Amada já no Amado transformada.

A poesia mística é feita de gemidos, entrelinhas, hipotaxes e metáforas. Mais próximos ao nosso tempo, e até contemporâneos a nós, temos muitos outros poetas que associaram a sua literatura à espiritualidade e tentaram, em seus versos, expressar o êxtase místico. Cito apenas alguns, como a mexicana Soror Inés Juana de la Cruz, a primeira poeta da literatura latino-americana; o inglês T.S. Eliot, que no poema Ash-Wednesday (Quarta-feira de Cinzas), escrito em 1930, três anos após a sua conversão ao cristianismo, canta que “a palavra perdida se perdeu”, “a usada se gastou”, mas perdura no “Verbo sem palavra, o Verbo. Nas entranhas do mundo”.

Recordo também o estadunidense Thomas Merton e seu discípulo nicaraguense, Ernesto Cardenal. Do Brasil, destaco como poetas místicos Jorge de Lima e Adélia Prado, que proclama:

Quem entender a linguagem entende Deus

cujo Filho é Verbo.

Morre quem entender.

Ela assegura que, no céu, os militantes / os padecentes / os triunfantes / seremos só amantes.

O Papa Francisco, em sua encíclica socioambiental, Laudato Si (Louvado seja – o cuidado da casa comum), revela sua profunda espiritualidade associada à criatividade poética:

Todo o Universo material é uma linguagem de amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. O solo, a água, as montanhas: tudo é caricia de Deus (84).

Porém, Se eu quiser falar com Deus, de Gilberto Gil, resume tudo aquilo que, a nós cristãos, quiseram ensinar os místicos.

domingo, 22 de abril de 2018

Cataflor - Tiago Iorc









Sol que faltava -Tiago Iorc


Quando foi, quando foi
A última vez que você
Saiu sem ninguém notar
Sem ninguém te reparar
Onde foi, onde foi
A última vez que você se deixou
Livre sem se retocar
Sem se Instagramear
É-é-é era só o começo ou uma coisa boba
Era só para se mostrar
E no mar de tanta indiferença
Era o sol que me faltava
Era o sol que me faltava
E no mar de tanta indiferença
Era o sol que me faltava
Era o sol que me faltava
Quando foi, quando foi
A última vez que você
Quis escutar
Silenciar
Onde foi, onde foi
A última vez que o instante
Deixou se fotografar
No teu olhar
E no mar de tanta indiferença
Era o sol que me faltava
Era o sol que me faltava
E no…

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