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sexta-feira, 30 de março de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
CHOCOLATE, A QUANTO OBRIGAS!
Há um vilarejo, a cerca de 100 quilómetros de Lisboa, polvilhado de açúcar medieval, chocolate romântico e doçura de lugar perdido no tempo. Com um charme ébrio, que faz com que a memória (praticamente infinita) da máquina fotográfica digital saiba a pouco. Óbidos faz chorar por mais.
Apesar de encantadora, como só uma vilazinha dentro de muralhas sabe ser, Óbidos não é nenhum segredo bem-guardado por um punhado de sábios portugueses, que contam memórias em torno de uma lareira. Aliás, em certas alturas do ano, torna-se tão visitado que as ruas de pedra tornam-se estreitas demais, claustrofóbicas demais.
Mas aquelas ruas estreitas, causa de tantos encontrões e atropelos, são mesmo o principal motivo da minha paixão por Óbidos. Dentro das muralhas, abrigadas do vento e de um mundo exterior por vezes demasiado esquecido da própria história, as artérias da pequena vila são memória do Portugal dos reis. E depois, como é natural nestas vilas-museus, o histórico mistura-se com «para turista ver», em amálgamas tão adoráveis como impregnadas de um oportunismo a que fechamos olhos.
Há três grandes eventos em Óbidos, por ano. Três ocasiões em que o Rei poderia sair à rua, se ainda vivêssemos em tempos de realeza. Mercado Medieval, Óbidos Vila Natal e Festival do Chocolate. Conheci a vila da minha perdição neste último. E, se fechar os olhos, ainda me lembro do cheiro a chocolate a cada passo. Óbidos é, definitivamente, um doce de Portugal.
A decoração apela aos contos-de-fadas. Telhados enfeitados com rebuçados e bombons, qual homenagem a Hansel e Gretel, esculturas de chocolate ao alcance dos dedos – mas que nunca chegarão a ser provadas por nenhum dos visitantes do evento. Mas, o que alimenta a gula e a criança em nós é a quantidade de doces que abundam, sem pedirem desculpa por desafiar de peito aberto a nossa vontade por uma dieta saudável.
Tentando enumerar, são demasiados pecados gastronómicos para ficar indiferente: pastéis de nata de chocolate, fondue de chocolate com frutos, queijo com chocolate, chocolate quente, pizza de chocolate, sangria de chocolate ou ginginha de Óbidos (o néctar dos deuses daquela terra) bebida em copo de chocolate. Só de pensar nas iguarias, a boca saliva sem controlo.
Saio da porta das muralhas embriagada de chocolate, com a certeza de que tenho de voltar e apreciar, de novo, o vilarejo. Desta feita sem o odor a calorias, sem o atropelo dos turistas e o apelo dos vendedores. Desta feita sem as crianças de bocas besuntadas de castanho-viscoso. Desta feita, sem a máscara do turismo feito à medida para encantar. Sei que, mesmo nessa altura, deslavado de um dos eventos que mais visitantes traz às ameias de Óbidos, o pequeno vilarejo não me desiludirá. As árvores, cujos ramos parecem braços estendidos em orações aos céus, fazem-me a promessa de que Óbidos tem mais a mostrar do que é revelado numa caneca de chocolate a ferver.
Fotos da autoria de João Pedro Lobato
Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/dorothy_has_black_shoes/2012/03/chocolate-a-quanto-obrigas.html#ixzz1qXkv4Ije
Adeus ao mestre Millôr
“O humorista é o último dos homens, um ser à parte, um tipo que não é chamado para congressos, não é eleito para academias, não está alistado entre os cidadãos úteis da República. (…) Assim, o humorista tem de ser mais infeliz que outros artistas, porque não pode aceitar o louvor precário que lhe oferece a falível humanidade que critica. No momento em que o aceita e passa a se julgar com direito a ele, já perdeu substância como humorista.”
Millôr Fernandes
Fonte: Estadão
Millôr, a generosidade de um gênio
Pouco mais de três anos atrás, em novembro de 2008, quando, por encomenda da revista “Bravo!”, eu me encontrei com Millôr em sua cobertura-estúdio junto à hoje atarefadíssima praça General Osório, o gênio carioca já se movia com dificuldade, mas mentalmente conservava uma vivacidade e um fôlego que renderam muitas horas vertiginosas de conversa, piadas, maledicências, trocadilhos, mudanças bruscas de assunto, uma mistura de paraíso e inferno para qualquer entrevistador – paraíso pela riqueza de insights e frases lapidares, inferno pela extensão e profundidade de um material que depois precisaria ser penosamente editado e do qual eu não conseguiria aproveitar mais que uma pequena fração (o resultado está aqui).
Foi a única vez que encontrei Millôr ao vivo, mas não a primeira nem a última que conversamos. Isso ocorria e continuou a ocorrer de vez em quando, fosse em recados pela imprensa ou telefonemas eventuais, desde 2002, quando ele havia me recebido com generosidade rara, reiterada e pública entre os colunistas do extinto “Jornal do Brasil”, chegando a me atribuir uma autoridade em questões de língua portuguesa que, sobretudo naquela época, pertencia muito mais a ele.
Naquele dia de 2008, em seu estúdio, Millôr disse, com modéstia relativa, que será conhecido no futuro por “algumas frases”. Então aqui vão, como despedida, algumas frases proferidas naquela conversa por um frasista magistral que também foi cronista, cartunista, desenhista, artista plástico, dramaturgo, tradutor, pensador, poeta, filólogo, inventor do frescobol – e um grande etc.
*
Fonte Veja“Com a internet, cada um tem seu blog, e quando há um volume muito grande de gente praticando, tudo se abastarda. Quando se deliberou que não haveria mais métrica e rima na poesia, toda senhora de 50 anos começou a fazer poesia.”“Dizem que o trocadilho é a mais baixa forma de humor, mas se você tirar o trocadilho de Shakespeare, ele desaparece. O Agrippino Grieco escreveu: ‘Menotti del Picchia, fecha a barguilha do teu nome!’ Isso é ótimo! Não dá para dizer de outra forma.”“[O Barão de Itararé] tem meia dúzia de coisas, o marketing do Rio Grande do Sul e aquela bobeira fundamental: você diz que uma coisa é boa e as pessoas acreditam. Em São Paulo, houve um humorista popular muito bom, o Juó Bananere, que ninguém conhece.”“Tudo que vira palhaçada é insuportável. Não gosto do Casseta e Planeta, que tem pretensão política mas é pornográfico. Prefiro o Zorra Total, que é maluquice mesmo.”“No começo [anos 50 em Ipanema] era só peteca e mar, isto é, jacaré. No Arpoador começavam a chegar as primeiras pranchas, de dez metros. Um dia apareceu uma epessoa com uma caixa, que tinha dentro uma bola e uma raquete pesada. A gente batia e a bola voltava, como um boomerang. Chamava-se ‘La pelote basque sans fronton’ (pelota basca sem paredão). Depois a raquete já estava ali e apareceu alguém com outra bola. A gente pegava as bolas de tênis e esfregava com querosene, para deixá-las carecas. Nunca mais deixei de jogar frescobol. Cheguei a jogar muito bem.”“Minha posição sobre a tecnologia é a seguinte: não tem revolução nem ideologia, nós estamos e sempre estivemos a reboque da tecnologia. A higiene foi inventada no início do século XX, e na França ainda não chegou. O celular mudou o mundo.”“Não trabalho por dinheiro, mas sem dinheiro eu não trabalho.”“O Lula ocupou seu espaço. Acho que o Fernando Henrique é intelectualmente pior, é o Lula em barroco.”“Não acredito em obra, mas depois de 250 anos escrevendo, com aquele negócio de fazer uma frase hoje e outra amanhã, tenho muita coisa, muito pensamento espalhado por aí. ‘Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem’, por exemplo. É evidente que algumas dessas frases persistirão.
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Millôr
quarta-feira, 28 de março de 2012
CONCEITO DE MODERNIDADE
Maurice de Vlaminck, Tugboat on the Seine, Chatou, 1906, National Gallery of Art, Washington, Collection of Mr. and Mrs. John Hay Whitney 1998.O surgimento da categoria modernidade como processo histórico-social, tem inicio no mundo ocidental a partir do século XVIII. A propagação das idéias iluministas, como o uso da razão e a emancipação do homem em relação às leis divinas, foram fatores representativos que ilustraram e caracteriza esse período. Não existe consenso entre os historiadores em relação à demarcação do inicio da modernidade, alguns afirmam que desde a expansão marítima, a Europa de certa forma, já estava dentro dela.
A ruptura para com os valores arcaicos, também é outra característica da modernidade, tudo aquilo que era tradicionalmente inquestionável, passa a ser plausível de discussão, ou seja, no começo da modernidade, a razão iluminista estava na moda.
Utilizamos muitas vezes a noção de modernidade associada à de progresso. As raízes dessa comparação, talvez esteja no fato de que os desenvolvimentos científicos, juntamente com a idéia de liberdade e igualdade entre os homens, emanciparam o homem europeu da submissão as leis naturais e divinas.
O conceito de "pessoa" nesse período, passa a ser substituído pelo de "individuo", teoricamente assim todos os homens passaram a ter os mesmos direitos jurídicos. Essa substituição foi essencial para a propagação dos valores liberais, que tinha como uma das missões, inserir no plano econômico, o livre comércio.
Mudanças bruscas aconteceram no ocidente durante a modernidade, principalmente nos planos culturais, artísticos, econômico, religioso, político. Talvez esse seja o fator que nos faz associá-la sempre a ideia de ruptura e de novidade.
Fonte:http://artemodernafavufg.blogspot.com.br/
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