Eu sei que as paredes grossas
da casa onde nascemos
se começaram a construir
no tempo de outras gerações.
E ambos descobrimos isso
quando gatinhávamos
pelas primeiras letras
dos livros mais antigos
que lhe serviram de alicerces.
Ainda os vemos de páginas abertas
no chão úmido da memória,
como se fossem as janelas
das raízes que nos suportam.
-X-X-X-X-X-
Jorge Manuel de Abreu Arrimar nasceu em Chibia, Huíla (Angola), em 1953. Na década de 1970, criou com amigos o Grupo Cultural da Huíla (Grucuhuíla). Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Luanda, tendo concluído a licenciatura em História e especializando-se em Ciências Documentais. Foi professor de português em Açores, onde dirigiu, com Carlos Loureiro, um suplemento literário chamadoPágina Africana. Publicou, entre outros títulos, Ovatylongo (1975), Poemas (1979, em parceria com Eduardo B. Pinto), 20 Poemas de Savana (1981), Murilaonde (1990), Fonte do Lilau (1990), Secretos Sinais (1992) e Confluências (1997, em parceria com Manuel Yao). Em 1985 radicou-se em Macau, onde ocupou o cargo de diretor da Biblioteca Nacional. É colaborador do Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, organizado pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro e prepara uma Antologia de Poetas de Macau em parceria com Yao Jingming. Reside hoje em Portugal.
"As janelas das raízes" é um belíssimo poema de memórias...Jorge Arrimar, borda as palavras com as lembranças que lhe trazem, através de janelas, as raízes que o sustentam enquanto homem e poeta.
ResponderExcluirEste poema é belíssimo e nos faz acreditar nas raízes que fazem o sustentáculo de nossa história através deste bordado único da vida.
ResponderExcluirObrigada Graça por seu comentário.