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sábado, 12 de março de 2016

Rota do Lagarto: a rota romântica do Espírito Santo


"Já falei sobre a Pedra Azul e seus múltiplos conceitos turísticos. Falei especialmente sobre os atrativos que fazem dela o principal destino de inverno do Espírito Santo.

Mas, de todos os atrativos de Pedra Azul, há um bem especial que eu deixei pra falar num post específico. E fiz isso por dois motivos. Primeiro porque eu quero dar a minha singela contribuição à divulgação de um dos trechos rodoviários mais bonitos do Brasil. E segundo porque, na minha humilde opinião, esse trecho tem tudo para se firmar como a “rota romântica” capixaba.

Tô falando da Rota do Lagarto, a pequenina rodovia que está em azul no mapa abaixo:



A chamada Rota do Lagarto tem início no km 88 da BR 262 – no exato lugar onde se encontra o Restaurante e Pousada Peterle – e se estende por mais ou menos 7 km até a Rodovia ES 164. O nome “artístico” é quase auto-explicativo. Mas não custa explicar para quem é de fora. Além de dar acesso à portaria do Parque Estadual da Pedra Azul, em quase toda a extensão da Rota você terá a visão da Pedra e do seu lagarto.



Esse já seria um forte argumento cenográfico para justificar o título de “um dos trechos rodoviários mais bonitos do Brasil“. Mas não é o único. Do início ao fim da rota o que não falta é cenário de cair o queixo.



Nos 2 primeiros quilômetros da Rota a densidade da mata nos dois lados da via faz você se sentir num túnel verde.



Nesse trecho – que, pra mim, é o mais bonito – a rodovia é sinuosa e bem estreitinha, com pontos em que só há passagem para um carro. E, ao contrário do restante da estrada, ela resistiu ao asfalto, preservando os seus paralelepípedos. Isso faz toda a diferença no conjunto visual da obra. Querendo ou não, você é obrigado a reduzir a velocidade e apreciar a paisagem.

À medida que a gente vai se aproximando da entrada da Pousada Pedra Azul um corredor de pinheiros toma conta das margens da estrada. A sensação térmica à sombra das árvores diminui sensivelmente e o frescor do vento te convida a desligar o ar-condicionado e baixar a janela do carro.



É como se você caminhasse no meio de um bosque.



O cenário bucólico se completa com uma sucessão de ambulantes e barraquinhas que encarnam um espécie de drive-thru campesino. Morangos e orquídeas são vendidos a um palmo da sua janela.



Passando a portaria do Parque Estadual o cenário muda consideravelmente. Muda por causa do asfalto que algum infeliz resolveu colocar na estrada (e que precisa urgentemente de reparo!). Mas muda principalmente por causa da perda da cobertura vegetal do lado direito da via.

Ver o tanto de mata atlântica que deu lugar a casas e fazendas dói um pouco. Mas, graças à onipresença da Pedra do lado esquerdo e à ação criativa dos proprietários de empreendimentos turísticos, ainda há muita beleza para se apreciar pelo caminho.



Dependendo da época da sua visita, você vai se deslumbrar com as dezenas de ipês que encontrará ao longo do trajeto. Especialmente se for tempo de floração. Na última vez em que nós fomos, por exemplo, os amarelos roubavam a cena.



O corredor de hortênsias a la Gramado no entorno da Pousada Tre Fiore é outro belíssimo trunfo dessa parte da estrada. Aliás, taí uma coisa na qual as autoridades locais poderiam se inspirar: um bocadinho de flores no acostamento de toda a Rota poderia alçá-la definitivamente ao topo do pódio de rodovias mais bonitas do Brasil.



Mais pro final da Rota a vegetação vai ficando menos exuberante e mais rara devido ao aumento da ocupação humana nas margens e na área adjacente ao Parque. Nada que tire o encanto da onipresente Pedra Azul.

Mas se, por um lado, o finzinho da Rota deixa a desejar em termos de cobertura vegetal, por outro um conjunto de novos empreendimentos turísticos que estão sendo abertos por aí tem ajudado a reforçar o lado romântico de Pedra Azul. É nessa parte da Rota que eu vejo nascer a tal “rota romântica” que eu falei lá em cima. Veja bem. Eu falei NASCER. Para evitar frustrações em quem não conhece Pedra Azul, é bom deixar claro que esse é um movimento absolutamente espontâneo e gradativo e que não há nenhuma ação orquestrada – especialmente por parte da Prefeitura de Domingos Martins ou do Governo do Estado – na construção desse produto turístico. A coisa tá nascendo pelas mãos dos donos de 4 estabelecimentos que, intencionalmente ou não, souberam dialogar com o cenário do entorno, criando ambientes incrivelmente harmônicos entre si. (clap, clap, clap!)

A pioneira desse movimento foi a Pousada Rabo do Lagarto, sobre a qual eu já falei aqui.



Além de ser responsável por uma verdadeira guinada nos padrões de hospedagem da região, inaugurando aqui o conceito de “pousada de charme”, a Rabo do Lagarto intensificou o fluxo de casais em lua de mel ou interessados em um simples final de semana romântico.



Da decoração dos quartos à vista da Pedra Azul, tudo na Rabo do Lagarto conspira para o clima de romance.



Hospedar-se na Rabo do Lagarto tem o seu custo, claro. No booking, uma diária no quarto standard para um dia de semana em novembro está por R$752,40. Mas para quem quer usufruir ao máximo todos os encantos dessa rota romântica em gestação ficar na Rabo do Lagarto é, sem dúvida, a escolha mais apropriada.

No rastro desse nicho “love is in the air” criado pela Rabo do Lagarto, veio oRestaurante Alecrim.



Eu já falei sobre ele nesse post antigo. Mais do que a comida da chef Cecília Cunha, o que justifica a inclusão do Alecrim nessa “rota” é a belezura desse cenário em estilo provençal:



A Provença parece ter sido também a inspiração dos dois outros empreendimentos que eu agrupei nessa “rota romântica”: a Marietta Delicatessen e a Venda da Rota. No caso da primeira, há uma sutil referência àquela região da França nas lavandas espalhadas pelo belo jardim:



Lá dentro produtos de fabricação própria que utilizam ingredientes adquiridos na região são uma boa pedida para uma doce recordação da sua viagem. Tem bolos, pães caseiros, geléias, antepastos e o famoso imbiolato, uma espécie de pizza em formato de rocambole.



O cheiro que sai dos fornos da cozinha e invade a sala principal da casa é tentador!



Já na Venda da Rota, um pouquinho de imaginação fértil vai te transportar para algum vilarejo do interior da França (alô, Mirelle! alô, Natália!).



A Venda é uma espécie de bistrô instalado bem no meio de um loja de decoração. Os objetos expostos não são baratos, por suposto. Mas são de uma beleza e bom gosto que dificilmente se veem por aí.





Apesar do meu destaque para esses 4 empreendimentos, as atrações desse projeto de “rota romântica” by Rotas Capixabas não acabam aí. Eu poderia incluir nela o passeio a cavalo do Fjordland, com sua arquitetura nórdica; as bicicletas de aluguel da Pedra Azul Ecotur, que nos permitem apreciar de forma ainda mais íntima a paisagem local; os morangos orgânicos da Penhazul (os mais doces que você jamais experimentou!); alguns outros restaurantes que se esmeram em oferecer boa comida em um ambiente acolhedor, como o Don Lorenzoni Due e o Preferito da Montanha; e várias outras propriedades do agroturismo de Pedra Azul e região. Esses outros empreendimentos, aliás, tornam a Rota do Lagarto interessante para qualquer tipo de público, e não só casaizinhos apaixonados. Mas digamos que, para um final de semana a dois, os 4 lugares que eu citei acima são os que mais combinam com o clima de romance.

Enfim, a Rota do Lagarto é mais uma preciosidade capixaba pronta para ser descoberta. E eu espero de coração que esse post te convença a descobri-la."

http://www.rotascapixabas.com/2015/10/15/rota-do-lagarto-a-rota-romantica-do-es/

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