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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Tristeza Desvalorizada" por Sylvio Schreiner


Num mundo e num momento onde todos parecem ter a obrigação de estarem sempre bem, tirando selfies adoidados, postando suas alegrias nas redes sociais, a tristeza não tem mesmo vez. Estar triste parece até coisa de outro mundo e que muitos sentem que necessitam repudiar. Afinal, tristeza é comparada ao fracasso e ninguém quer sentir ou viver o fracasso.
Mas é possível um mundo sem tristeza? Ele seria melhor? Apesar de inúmeras pessoas acreditarem que um mundo sem a tristeza seria bem melhor a verdade é que é preciso ficar triste, saber se entristecer. Sem a tristeza jamais conseguiríamos elaborar nossas perdas, nossos lutos e nunca nos tornaríamos verdadeiramente humanos. Sem tristezas seriamos maníacos.
Por maníaco entende-se alguém que, freneticamente, fica pulando de uma atividade a outra, de um interesse a outro, sem nunca poder elaborar, assimilar e digerir bem o que se está vivendo. Em outras palavras, seríamos idiotas. No entanto, ao se entristecer podemos parar para pensar sobre o que nos ocorre na vida e as experiências vividas se tornam então material para crescimento. Aprendemos com a vida e com as dores que esta sempre faz questão de nos fornecer. A sabedoria de saber se entristecer está em falta ultimamente.

Saber se entristecer não implica em entrar numa depressão patológica. Esta é um estado mental empobrecedor e danoso onde a vida fica desinvestida. Não há aprendizagens, mas apenas um deserto estéril. Já se entristecer é um momento necessário para refletir e re-significar a própria vida. Na animação recente da Pixar, Divertida Mente(2015), fala justamente da importância que a tristeza desempenha em nossa saúde mental. A tristeza é uma oportunidade para nos reorganizarmos psicologicamente e não uma inimiga para combatermos e depreciarmos.

Sylvio Schreiner 

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