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sexta-feira, 25 de julho de 2014

"Lápide", por Ariano Suassuna



"Lápide"

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo 
nas pedras do meu Pasto incendiado: 
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado, 
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo 
numa Sela de couro esverdeado, 
que arraste pelo Chão pedroso e pardo 
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido, 
tropel de cascos, sangue do Castanho, 
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão – Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho, 
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!


Soneto "LÁPIDE" de Ariano Suassuna, declamado pelo autor, com fotos do Parque de Esculturas Ilumiara Pedra do Reino, em São José do Belmonte-PE.


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