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quinta-feira, 3 de julho de 2014

À Sombra das Chuteiras Imortais – Nelson Rodrigues




Em clima de Copa do Mundo, nossa indicação é “À Sombra das Chuteiras Imortais”, de Nelson Rodrigues.

Este livro foi organizado por Ruy Castro e reúne crônicas futebolísticas do escritor e dramaturgo, num período de 20 anos: começando em 1950 (quando o Brasil perdeu a Copa Mundial para o Uruguai, no Maracanã) até 1970 (quando veio a alegria do tricampeonato mundial contra o México).

Rodrigues mal enxergava, mas “retratou o futebol com uma dimensão épica” como ninguém. Essa sensação ficou bem presente em “O MAIS BELO FUTEBOL DA TERRA”, onde evidencia sua paixão pelo futebol e demonstra muita insatisfação com os brasileiros que não acreditavam na seleção: “essa falta de autoestima tem sido a vergonha (…) a desventura de todo um povo”.

Escrevia o que pensava sobre futebol e sobre os brasileiros. Numa de suas crônicas, publicada pouco antes de um jogo contra a Inglaterra, declarou que precisávamos refletir e que, nós brasileiros, “somos burros, burríssimos” por não acreditar na “arte do futebol brasileiro”, ou seja, algo inaceitável em sua visão de mundo. Porém, Rodrigues, sabia reconhecer um craque: exaltava Garrincha e Pelé (o “crioulo”, o “divino”).

Saboreie: “Vejam quantos jogaram. Primeiro, Paulo César passou a Tostão. E Tostão resolveu jogar em cima dos ingleses. Em vez de passar de primeira, deu-se ao luxo voluptuoso de driblar um inimigo; mas era pouco para a sua fome, e driblou outro inimigo. Podia passar. Mas Tostão preferiu enfiar a bola por entre as pernas do terceiro inimigo. Adiante estava Pelé. E o estilista estende a Pelé. Cercado de ingleses por todos os lados, o semidivino crioulo toca para Jairzinho. Este podia ter atirado de primeira. Não: — achou que devia driblar mais outro inglês. E só então sua bomba foi explodir no fundo das redes.” p. 215

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