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sábado, 26 de outubro de 2013

MÚSICAS COM DESASSOSSEGO DENTRO



O que sentiria Bernardo Soares hoje, 2013, em Lisboa? O que escutaria no seu desassossego permanente?


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Bernardo Soares foi talvez o heterónimo mais próximo de Fernando Pessoa; homem, poeta, tradutor, correspondente, escriturário na Baixa de Lisboa, o poeta com múltiplos reflexos do mesmo eu, cuja obra poética é única em todo o mundo, "Um guardador de rebanhos" na verdadeira acepção da palavra.
Palavras boas com essência única, as de Bernardo Soares, cuja obra estará em breve disponível, num arquivo digital hipermédia, criado por investigadores de Coimbra e Lisboa.
O que escutaria Bernardo Soares no seu Desassossego, hoje, 2013, em Lisboa?

Escreveu no texto 94(1) " (...) Esta madrugada é a primeira do mundo. Nunca esta cor rosa amarelecendo
para branco quente pousou assim na face com que a casaria de oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente. Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão".

Ouviria Bernardo Soares esta música de Wim Mertens?


Wim Mertens, Fair Warnings (2010) ( todos os direitos reservados a Wim Mertens)

Amava, pois, a vida, o recomeçar, o "silêncio que vem na luz crescente", e, dentro desse silêncio, a possibilidade do isolamento que a liberdade comporta. Escrevia "Se te é impossível viver só, nasceste escravo." ( in 283).

Escutaria Michael Nyman neste seu silêncio tão livre?


Mychael Nyman , Franklin ( todos os direitos reservados a Michael Nyman).

Bernardo Soares é o puro filósofo, mas tanto é racionalista como um epicurista puro, um sonhador, um poeta em permanente sentir.

No magnífico "Estética do Desalento" (307) escreve "Se a vida [ não] nos deu mais do que uma cela de reclusão, façamos por ornamentá-la, ainda que mais não seja, com as sombras de nossos sonhos, desenhos a cores mistas esculpindo o nosso esquecimento sobre a parada exterioridade dos muros".
Portanto, uma capacidade para reinventar o presente,de sonhar, de não desistir, a lição de Bernardo Soares.

Ouviria nesta senda diária da reinvenção dos dias, o magnífico Rodrigo Leão?
( todos os direitos reservados a Rodrigo Leão)

Meras suposições, as nossas, pensando num reinventado Bernardo Soares... em 2013.
Muito para ler aqui http://www.uc.pt/fluc/clp/inv/proj/ldod


(1) Soares, Bernardo, O Livro do Desassossego, Biblioteca Visão, 2000 ( Edição cedida por Assírio e Alvim e Herdeiros de Fernando Pessoa).
Fonte: Obvious

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