Vinicius de Moraes completaria 100 anos neste sábado (19)Foto: Arquivo/Jornal do Brasil / Divulgação

Em meio a um temporal, na madrugada de 19 de outubro de 1913 - há exatos 100 anos -, nascia o homem que marcaria a música brasileira para sempre com suas composições. Virou ícone e passava bem longe do padrão. Não era careta, falava de amor, era a favor do "eterno enquanto dure", definiu o que poucos conseguiram. O "poetinha", como era conhecido, casou-se e fez isso com propriedade, amou nove mulheres oficialmente e diversas outras por toda a sua vida.



Vinicius de Moraes era um homem como poucos, teve parcerias felizes com Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque, Carlos Lyra, Tom Jobim, entre outros. Gostava de beber uísque, o qual garantia ser o melhor amigo do homem, o "cachorro engarrafado". Admirava as mulheres belas, a beleza (como um todo, é bom ressaltar) era fundamental. Sofreu um acidente grave de avião, um de carro, fez uma operação para instalar um dreno cerebral, mas não padeceu em nada disso. Vinicius morreria no seu lugar preferido: a banheira. Teve um edema pulmonar.



Vida e obra



Ainda na infância, teve seus primeiros contatos com a música, começou a cantar no coro do Colégio Santo Inácio. Em 1924, escreveu com o sobrinho de Raul Pompéia o épico escolar em dez cantos: Os Acadêmicos. Aos 14 anos, começou a compor com Paulo e Haroldo Tapajós. Juntos, tocaram em festas de conhecidos.

Vinicius de Moraes completaria 100 anos neste sábado (19)Foto: Arquivo/Jornal do Brasil / Divulgação

A partir de 1928, invariavelmente, namorou todas as amigas de sua irmã Laetitia. Nessa época, também compôs Loura ou Morena e Canção da Noite. Em 1929, se formou em Letras. No ano seguinte, começou a cursar a Faculdade de Direito. Em 1933, publicou seu primeiro livro, O Caminho para a Distância. Dois anos depois, foi premiado por Forma e Exegese.



Em 1936, substituiu Prudente de Morais Neto como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica. Mais tarde, ganhou uma bolsa para estudar inglês na Universidade de Oxford. Em agosto de 1938, partiu para a Inglaterra. No ano seguinte, se casou com a primeira mulher, Beatriz Azevedo de Mello, por procuração.



Em 1940, nasceu sua primeira filha, Susana. Beatriz Azevedo de Mello viria apenas dois anos depois. No mesmo período, começou a trabalhar no jornal A Manhã, como crítico cinematográfico. Poucos anos depois, ingressou na carreira diplomática.



No ano de 1945, um antes de ir morar em Los Angeles como vice-cônsul, sofreu um grave acidente de avião na viagem inaugural do hidro Leonel de Marnier, no Uruguai. A hélice desgrudou do avião e invadiu a cabine, matando um passageiro. A partir daí, desenvolveu um medo incurável de aviões.



Em sua temporada por Los Angeles, estudou cinema com Orson Welles e lançou a revista Film, com Alex Viany. Só retornaria ao Brasil em 1950, após a morte de seu pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes. Já no País, casou-se pela segunda vez. A escolhida era Lila Maria Esquerdo e Bôscoli. Em 1953, nasceu sua filha Georgiana. Dois anos mais tarde, compôs seu primeiro samba, música e letra, Quando Tú Passas por Mim, e partiu para Paris como segundo secretário da embaixada.



A carreira musical começou a deslanchar na década de 50, quando conheceu Tom Jobim, seu parceiro mais famoso. Dela, nasceram Lamento no Morro, Se Todos Fossem Iguais A Você,Um Nome de Mulher, Mulher Sempre Mulher, Eu e Você, A Felicidade, Chega de Saudade, Eu sei que vou te amar e o clássico Garota de Ipanema. Nesta época, nasceu a filha Luciana (1953).



Vinicius de Moraes teve seu prestígio confirmado com a peça Orfeu da Conceição, em setembro de 1956. Entre 1957 a 1958, o diretor de cinema Marcel Camus rodou Orfeu do Carnaval, no Rio de Janeiro, filme que recebeu o nome de Orfeu Negro. Vinicius compôs para o filme A Felicidade e O Nosso Amor. O longa ganhou a Palma de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Vinicius de Moraes completaria 100 anos neste sábado (19)Foto: Arquivo/Jornal do Brasil / Divulgação



Em 1963, casou-se com Nelita Abreu Rocha. No fim de 1968, foi afastado da carreira diplomática tendo sido aposentado pelo Ato Institucional Número Cinco. Ele estava em Portugal para shows com Chico Buarque e Nara Leão na época. O motivo apontado para o afastamento foi o seu comportamento boêmio. Entre 1969 e 1970, oficializou a união com Cristina Gurjão e a atriz Gesse Gessy. Além disso, nasceu Maria, sua quarta filha. Oito anos depois, se uniu a Gilda de Queirós Mattoso.



Depois de uma turnê com Toquinho pela Europa, voltou ao Brasil e teve um derrame cerebral no avião. No dia 17 de abril de 1980, passou por uma cirurgia para instalação de um dreno cerebral.



No mesmo ano, na noite de 9 de julho, acertou alguns detalhes com Toquinho sobre o disco Arca de Noé. Vinicius de Moraes pediu para descansar um pouco e foi tomar banho. Foi encontrado pela empregada na banheira de casa, com dificuldades para respirar. Toquinho tentou socorrê-lo. Não houve tempo, e ele morreu pela manhã.



Em 1998, Vinicius de Moraes foi anistiado pela Justiça e a Câmara dos Deputados aprovou em fevereiro de 2010 a promoção póstuma do poeta ao cargo de "ministro de primeira classe" do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o equivalente a embaixador.


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