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terça-feira, 24 de setembro de 2013

FRANÇOISE HARDY: OS TEMPOS DO AMOR


Ela cantou os amores de toda uma geração e foi uma das principais representantes do Yé-Yé na França. Ícone da música, moda e estilo dos anos 60 - relembre a carreira da apaixonante Françoise Hardy.


© Françoise Hardy, (Wikicommons, Dutch National Archives, The Hague, Fotocollectie Algemeen Nederlands Persbureau (ANEFO).

Nascida no inverno de 1944, a parisiense Françoise Hardy cresceu em meio ao burburinho histórico e cultural do tradicionalíssimo 9º arrondissement de Paris. Ela e a irmã caçula, Michele, eram filhas de pais separados; o seu pai pouco contribuía financeiramente para a criação das filhas e nem tinha uma relação estreita com elas, mas foi obrigado pela mãe das meninas, Madeleine, a comprar uma guitarra como presente de aniversário para Françoise, quando esta conseguiu o seu Baccalauréat (qualificação acadêmica que os estudantes franceses e estrangeiros recebem ao terminar o segundo grau, para poderem ingressar ao ensino superior).


© Françoise Hardy, (Wikicommons, Dutch National Archives, The Hague, Fotocollectie Algemeen Nederlands Persbureau (ANEFO).

Então, Françoise se matriculou na Faculdade de Ciências Políticas da Sorbonne, tendo começado a compor suas primeiras canções por volta dessa época. Tempos depois, ela se transferiu para a Faculdade de Letras. Mas não chegou a concluir o curso, descobrindo na música a sua verdadeira vocação.


© Françoise Hardy, (Flickr, Andrew Maclear).

Françoise assinou seu primeiro contrato profissional, com a gravadora Vogue, em novembro de 1961, aos dezessete anos de idade. Em abril do ano seguinte, logo depois de deixar a faculdade definitivamente, foi lançado o seu primeiro disco. De um lado estava a canção "Oh Oh Chéri" - uma releitura em francês do sucesso rockabilly "Uh Oh" do cantor norte-americano Bobby Lee Trammell; no outro lado vinha uma canção de autoria da própria Hardy - "Tous Les Garçons et Les Filles", o primeiro sucesso de sua carreira, que embarcou na onda do Yé-yé francês e acabou por torná-la conhecida mundialmente.


"Tous Les Garçons et Les Filles" permanece como um dos maiores sucessos de sua carreira até os dias de hoje, tendo alcançado a 34ª posição no ranking das paradas de sucesso do Reino Unido, em 1964. O disco de estreia vendeu mais de um milhão de cópias e foi premiado com um Disco de Ouro. Entretanto, Françoise teria odiado esta música, alegando que ela foi gravada "em três horas, com os quatro piores músicos de Paris". O fato é que daí para a frente a sua carreira não parou mais.

Duas outras músicas do primeiro álbum de 1962 também alcançaram grande sucesso - "J'suis d'accord" e "Le Temps de L'amour". Vieram as apresentações na televisão, as participações em festivais de música, turnês internacionais, capas de revistas e muitos sucessos. Nesta época Françoise namorava o fotógrafo Jean-Marie Périer, autor de inúmeras fotografias famosas dela, que ilustraram várias capas dos seus discos.


O surgimento de Françoise Hardy coincidiu com a explosão do Yé-yé (também conhecido como Yê-yê-yê ou Jovem Guarda no Brasil) no mundo inteiro, o que fez com que ela fosse imediatamente identificada ao movimento. Enquanto os Beatles ainda engatinhavam para a fama, a França e a Itália já exportavam suas yé-yé girls, como Mina, Rita Pavone, France Gall, Sylvie Vartan e a própria Françoise Hardy; começaram suas carreiras quase adolescentes, muitas delas antes mesmo dos vinte anos de idade. O Yé-yé caracterizava-se por ser música de jovens feita para jovens, que abordava temas inocentes - românticos e pueris - cantados por belos jovens, predominantemente meninas tímidas e sem forte apelo sexual.

Se muitos artistas do yé-yé eram artisticamente limitados e fabricados, esse não era o caso de Hardy. Ela não era grandiosa letrista e musicista, não tinha uma voz poderosa e sequer era um poço de carisma, mas estava no lugar certo na hora exata. Françoise era uma garota bonita e talentosa que poderia ter parado apenas nestes dois últimos adjetivos, mas que tinha o 'algo mais'. A maturidade provaria que ela era uma artista competente, íntegra e musicalmente brilhante.

Sua beleza andrógina era marcante - alta e magérrima - os cabelos compridos e com franjinha eram arrematados pelos olhos dramáticos, emoldurados num rosto de traços rígidos, porém cheio de graça e magnetismo. Em suma, tinha identidade própria. Françoise Hardy tornou-se um ícone de estilo, de vanguarda e, muito mais que isso, um símbolo da cultura francesa dos anos 60 - sua imagem está estreitamente associada às botas brancas, à minissaia e aos estilistas André Courrèges, Yves Saint Laurent e Paco Rabanne. Hardy foi nos anos 60 a imagem idílica da mulher dos anos 2000.



© Françoise Hardy, (Flickr, Vintage Fashion Magazines).

Em 1963, ela gravou o primeiro disco interpretado exclusivamente em língua estrangeira - Françoise Hardy Canta Per Voi in Italiano; nos anos seguintes ela ainda gravaria discos em inglês e alemão. Também em 1963, Françoise participou do Festival Eurovisão da Canção, representando o Mônaco com a canção "L'amour S'en Va", obtendo o 5º lugar no concurso. Em 1966 foi a vez do famoso Festival de San Remo, na Itália, onde defendeu a canção "Parla Mi Di Te". Em 1964 a cantora veio pela primeira vez ao Brasil, onde fez shows e cantou na televisão, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ela voltaria ao país em 1968, mas desta vez para participar da fase internacional do III Festival Internacional da Canção, como representante da França, com a música "A Quoi Ça Sert", de sua própria autoria; não ganhou a disputa mas levou o Troféu Galo de Ouro por mérito artístico.
Em 1965, a canção "All Over The World" alcanção o Top 20 das paradas de sucesso no Reino Unido, na 16ª posição, onde permaneceu por quinze semanas consecutivas, sendo até hoje umas de suas canções de maior sucesso entre o público anglófono.
Em 1968, Françoise Hardy lançou o álbum Comment Te Dire Adieu?. A faixa-título - uma balada romântica que se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira - era uma versão de Serge Gainsbourg para a canção "It Hurts To Say Goodbye", gravada pela cantora Margaret Whiting em 1966. Por volta desta época, Françoise tornou-se aficionada da astrologia.


A cantora também teve uma breve carreira de atriz. Fez figuração em vários filmes como O Que é Que Há, Gatinha? (What's New Pussycat?, 1965) e Masculino-Feminino (Masculin Féminin, 1966); e chegou a atuar em papéis secundários em Castelos na Suécia (Château en Suède, 1963), Grand Prix (1966) e Une Balle au Coeur (1966).

Os anos 70 trouxeram-lhe um declínio de popularidade e alguns fracassos. Entre trabalhos de alta qualidade musical e outros aquém do esperado, Françoise trocou duas vezes de gravadora, experimentou novas sonoridades - sendo bem sucedida ou não - e atingiu a maturidade artística. Em 1971, gravou o disco La Question, resultado de uma estreita parceria com a compositora, cantora e violonista brasileira Tuca, autora da maioria das músicas do álbum, cuja faixa-título é uma obra-prima. Considerado um dos melhores trabalhos de Françoise pós-anos 60, La Question é um dos discos mais sofisticados e conceituais de sua carreira, que representava para ela um grande avanço, mas, a despeito disso, e de ter sido muito bem recebido pela crítica, o álbum foi mal sucedido comercialmente, fato que foi motivo de decepção para a cantora.
Em 1973, Françoise deu à luz seu primeiro e único filho, Thomas Dutronc, fruto de um relacionamento de anos com o também cantor, compositor e ator francês Jacques Dutronc. Após o nascimento do bebê, em junho, a cantora entrou em estúdio para gravar o seu décimo quarto álbum; praticamente todos os seus trabalhos anteriores dos anos 70 foram insucessos, mas agora ela estaria em ótimas mãos: os produtores foram Serge Gainsbourg, Michel Berger e Jean-Claude Vannier. Quando o disco Message Personnel foi lançado, revelou-se imediatamente um marco em sua carreira. A faixa-título representou uma volta às paradas de sucesso, e de quebra tornou-se um dos clássicos do seu repertório, tendo sido gravada por diversas outras cantoras nos anos seguintes.

Em 1988, Françoise anunciou sua retirada do mundo da música, lançando aquele que supostamente seria seu último álbum - Décalages. No entanto, a aposentadoria se mostrou passageira e quase dez anos depois ela retornou ao disco com Le Danger (1996) e desde então, até os dias de hoje, não parou mais.

Entre os trabalhos de destaque desta época, estão a canção "Jeane" (1998) - uma inédita parceria com o duo francês de eletrônica Air; o aclamado álbum Tant de Belles Chansons (2004), que foi certificado com o Disco de Ouro; e Parenthèses... (2006), exclusivo de duetos com grandes nomes da música como Julio Iglesias e Henri Salvador. O último disco de Françoise Hardy é L'amour Fou, lançado com sucesso em 2012.


© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, Amesterdão (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Flickr).
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© Françoise Hardy, (Wikicommons, Roland Godefroy).
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© Françoise Hardy, (Wikicommons, Siren-Com).


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2013/09/francoise_hardy_os_tempos_do_amor.html#ixzz2fmWvYMDH

2 comentários:

Aroldo Vieira de Souza disse...

Adorei esta canção dos anos 60,remeto-me à época e num lampejo de felicidade,imagino Ma Chèrie,na Champs Èlisèe arrancando suspiros por onde passasse...

Aline Carla disse...

Realmente é uma linda canção! Beijos.

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