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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Metrô de roma - o impossível tornado possível

publicado em recortes por luís pereira


Em Roma, o que seria incrível e difícil de concretizar, tornou-se possível… sempre com uma equipa de “cirurgiões” por perto. Desde os anos 30 até à atualidade, o metropolitano ganhou forma, ainda inacabada, numa das cidades com mais patrimônio histórico considerado do mundo. O planeamento da obra sofre mais um desvio, à medida que o subsolo desvenda achados que não são surpresa. Mas “escavar” o passado traz sempre surpresas…


Estação EUR Fermi (Wikicommons, Alexdevil).

Um metro na “cidade eterna”

A história, a cultura e o desenvolvimento de Roma anunciavam, desde há décadas, o surgimento de um meio de transporte como o metropolitano. A Roma moderna que guarda, em si, os “pilares” da Roma Antiga (a descoberto e debaixo do solo), bem como as crescentes filas de trânsito e o modo reconhecidamente “diferente” (ou desviante) de os romanos conduzirem na cidade, viriam a tornar o metro uma boa solução de transporte.

A ideia de dar corpo ao metro de Roma começou nos anos 30 e a sua construção, nessa década, teve como principal motivo providenciar uma ligação rápida entre a estação central “Termini” e um novo bairro da cidade, “E42” ou “Esposizione Universale Roma” (“EUR”), onde se realizaria a Exposição Universal de 1942. A capital fora da capital para o fascismo italiano de Benito Mussolini. Com ele, a Itália entrara na II Guerra Mundial pelo lado da Alemanha nazi.


Metro Linha B, Piramide (Wikicommons, Lalupa).


Vinho Mussolini (Wikicommons, Matija Podhraški).

Com o início da guerra, em 1939, a exposição não se realizou, apesar dos túneis e de outras infra-estruturas construídas aquando da interrupção das obras, entre a estação “Termini” e a “Piramide”. Devido às circunstâncias, tais túneis acabaram por ser usados como refúgio face aos ataques aéreos, ou outros vindos do exterior. Para essa exposição, teriam sido projectados monumentos relacionados com o passado histórico da Roma Imperial, antiga, tais como o “Palazzo della Civiltà”, um Coliseu com um formato cúbico, um obelisco a Guglielmo Marconi e um Arco do Triunfo cuja construção não se iniciou.

No âmbito não só do metropolitano de Roma mas dos restantes transportes da cidade em geral, a já referida estação “Termini” ganhou relevância por ser ali que eram centralizadas as partidas e chegadas de/a Roma - ao contrário de Paris, onde as gares de l’Est, du Nord e a estação de Austerlitz, por exemplo, redistribuem os serviços de transporte.


Fragmento de parede na estação Termini (Wikicommons, Notafly).

A estação tinha sido inaugurada, primeiramente, pelo Papa Pio IX (ainda quando o Papa detinha o poder temporal da cidade), em 1863, e esteve para ser chamada de “Estação Central dos Caminhos-de-Ferro Romanos”. Devido à exposição universal, como já referimos, também foi decidida a substituição desta primeira estação central por uma nova, em 1937 - projecto interrompido pela guerra. Terminados os esforços de guerra e a estabilização do funcionamento do próprio país, as obras foram retomadas. Só no início do ano de 1955 é que viria a ser inaugurada a primeira linha de metro; a segunda linha chegou 25 anos depois. Até ao final do século XX, a rede de metro alargou-se um pouco mais para além da cidade de Roma. Actualmente, encontra-se em construção a futura linha C que se previa estar concluída, na totalidade, em 2015. Ainda em fase de planeamento está uma futura linha D.


Fórum Tajan (Wikicommons, Sunilbhar).


Maquete de Roma (Wikicommons, Q. Keysers).


Metro Linha A, Spagna (Wikicommons, Lalupa).


Metro Tevere - Roma (Wikicommons, Luca Fascia).

Com curvas… e segredos escondidos

A cultura material que dá sentido ao património histórico romano existente vai entravando o crescente desenvolvimento da contemporaneidade utilitária e, também, artística (não haverá arte neste género de construções?). É nestas escavações e obras que, rapidamente, verificamos a ligação entre o medieval, o renascentista e as necessidades do contemporâneo. Relacioná-las, sem prejuízos, torna-se em Roma um verdadeiro desafio, maior do que mexer num subsolo com mais de 2000 anos de história reconhecida.

Encarou-se como inovador a passagem de carruagens de metro ao lado de estruturas antiquíssimas, numa tentativa de contrastar as feições de um tempo que nos parece intemporal sempre que observamos tais achados arqueológicos, mas a preocupação de conservar o histórico obrigou a refazer trajectos projectados do metropolitano, com “curvas” e profundidades superiores às esperadas. Contudo, tal processo, mais do que uma equipa experiente e competente de arqueólogos, necessitou de uma equipa de “cirurgiões” que conseguissem, com autênticas “réguas e esquadros”, conciliar, num só solo, temporalidades distintas. Fora os riscos que se podem correr - como por exemplo, o de fazer passar uma carruagem “vibrante” por baixo do Coliseu.

O tesouro histórico e artístico é um conjunto de segredos que o solo romano esconde mas que, no fundo, não são surpresa. Ainda assim, em agosto deste ano divulgou-se a notícia de uma descoberta pouco convencional: um antigo espaço de cultivo de cannabis num túnel de metro abandonado, no sudeste de Roma, decorrente do fascismo italiano. Oficialmente, era uma “quinta” de cogumelos, mas o odor a marijuana, segundo a Agência Reuters, desmascarou-a.

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2013/01/metro_de_roma_-_o_impossivel_tornado_possivel.html#ixzz2IzV0t78h

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